Diagnóstico independe do peso e exige acompanhamento contínuo
O corpo magro não imuniza contra doenças crônicas
São Paulo – 19/02/2026 - Após divulgar um vídeo em que falava sobre seu diagnóstico de lipedema, a apresentadora Rafa Brites sofreu duras críticas em suas redes socias, com comentários de internautas que colocaram em dúvida sua condição por ela ser magra. Rafa ainda publicou um vídeo rebatendo as críticas: “O meu vídeo sobre lipedema foi para vários portais, acho ótimo, mas o que eu vejo são várias pessoas indo lá falando que não, que eu não tenho lipedema. Porque eu sou magra. E aí você vê como a nossa sociedade é doente. Por quê? Porque assume que um corpo magro não tem problemas”, começou. “Se eu falo aqui no Instagram que fui diagnosticada com lipedema, eu não tirei da minha cabeça. Eu fiz exame, ultrassom, não é que o cara olhou: ‘Ah, você tem lipedema’. Ultrassom, fiquei mais de duas horas no consultório passando aquele gel na perna e fazendo mapeamentos”, detalhou. Diante da repercussão, é importante conscientizar a população de que o diagnóstico de lipedema não está necessariamente relacionado ao peso corporal. “O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo. O fato de a pessoa emagrecer não significa que o lipedema deixou de existir. Ele pode apresentar melhora dos sintomas com a perda de peso, prática de atividade física e acompanhamento adequado, mas isso não significa cura. Trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo”, explica a Dra. Heloise Manfrim*, cirurgiã plástica membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL) e fundadora e CEO do CELIP (Centro Especializado em Lipedema).
Segundo a Dra. Heloise, a confusão entre lipedema e obesidade é comum, mas é importante diferenciar. “Na obesidade, a distribuição de gordura é mais uniforme pelo corpo. Já a gordura do lipedema concentra-se mais nos quadris e pernas, é dolorida e pode levar ao aparecimento de nódulos”, diz a médica, que explica que o tipo de gordura também é diferente. “Enquanto na obesidade temos gordura subcutânea e visceral, no lipedema trata-se apenas de gordura subcutânea, que está localizada abaixo da pele e é mais difícil de ser perdida apenas com hábitos saudáveis”, pontua. E não é incomum que pessoas magras tenham lipedema. “Muitas pacientes são magras e, ainda assim, convivem com os sintomas da doença”, pontua a médica.
Ela destaca que os sintomas incluem: aumento simétrico do tamanho dos membros, principalmente das pernas e quadris, apesar de também afetar os braços; dificuldade de perder peso, principalmente na parte inferior do corpo; sensação dolorosa ao toque; aumento da frequência de hematomas espontâneos; e maior tendência ao acúmulo de líquidos. “O diagnóstico do lipedema é, antes de tudo, clínico, baseado na avaliação médica detalhada, no histórico da paciente e no exame físico, observando características como dor à palpação, tendência a hematomas e desproporção entre tronco e membros. Exames de imagem, como o ultrassom, podem ser utilizados de forma complementar para analisar o padrão do tecido adiposo, identificar alterações estruturais e descartar outras condições, como linfedema ou insuficiência venosa. Esses recursos auxiliam na confirmação do diagnóstico e no planejamento terapêutico mais adequado para cada caso”, detalha a cirurgiã plástica.
A Dra. Heloise Manfrim ressalta que, apesar de o lipedema ser crônico e não ter cura, hoje existe uma diversidade de procedimentos e terapias capazes de aliviar os sintomas e controlar a evolução da doença para impedir o surgimento de complicações como cicatrizes, infecções e falta de mobilidade. “A doença é interdisciplinar e seu tratamento envolve, além do cirurgião plástico, profissionais como endocrinologistas, nutricionistas e cirurgiões vasculares. Sabemos que o tratamento cirúrgico com lipoaspiração pode ajudar o paciente, mas deve sempre ser acompanhado do tratamento clínico, conservador, que tem como base quatro pilares: dieta anti-inflamatória, atividade física específica para lipedema, terapia física complexa e protocolos medicamentosos específicos para a doença”, finaliza.
*DRA. HELOISE MANFRIM: Cirurgiã plástica membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), da Associação Brasileira de Cirurgia Plástica (BAPS) e da Associação Brasileira de Lipedema (ABL). Graduada em Medicina pela Universidade de Marília (Unimar) com título de especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, é embaixadora da Cirurgia Plástica Funcional. Autora dos livros “O Norte” e “Lipedema: uma abordagem além da superfície”, também é CEO da Clínica Dall’Ago & Manfrim, em Maringá, e fundadora e CEO do CELIP (Centro Especializado em Tratamento de Lipedema). CRMPR 35938 | RQE 20592 | Instagram: @plasticaetal
Nota do Editor - Portal Splish Splash
Apesar de ainda ser frequentemente confundido com obesidade, o lipedema é uma doença crónica reconhecida por entidades como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e a Associação Brasileira de Lipedema, exigindo diagnóstico clínico rigoroso e acompanhamento multidisciplinar ao longo da vida.
Diagnóstico independe do peso e exige acompanhamento contínuo
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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