Número de licenças ligadas a transtornos mentais dobrou em uma década, alertando para cuidados
Especialista explica sinais e a importância do tratamento integrado
Um cenário alarmante nos ambientes de trabalho brasileiros joga luz sobre uma questão urgente: a saúde mental. Dados do Ministério da Previdência Social mostram que, apenas em 2024, 440 mil trabalhadores foram afastados de suas funções devido a transtornos mentais e comportamentais. Este número representa o dobro do registrado há dez anos, e a projeção para 2025 era de aproximadamente 530 mil casos, reforçando a importância de iniciativas como a campanha Janeiro Branco, que defende o cuidado com a mente como uma prática contínua e essencial.
A psicóloga Liliane Cristina Louzada da Silva (CRP: 06/110715), do Grupo São Lucas de Ribeirão Preto, explica que os transtornos se manifestam de formas variadas no cotidiano. "Na ansiedade, por exemplo, o paciente vive em um estado de preocupação excessiva com o futuro, o que gera dificuldades severas de relaxamento. Na hora de dormir a pessoa não consegue se desligar das preocupações e dos medos", relata. Já na depressão, os sinais de alerta são uma tristeza constante sem motivo aparente e a perda de interesse em atividades antes prazerosas. O estresse crônico, por sua vez, pode se evidenciar por irritabilidade, sensação de sobrecarga, dores corporais e insônia.
Para a especialista, o diagnóstico correto depende de uma avaliação clínica conjunta entre psicólogo e psiquiatra. Enquanto a psiquiatria pode manejar sintomas intensos com medicação, a psicologia atua na raiz dos pensamentos e emoções. "O tratamento mais eficaz é quando se tem o acompanhamento de ambos. A medicação ajuda a reduzir sintomas intensos, e a terapia ajuda a compreender as causas, desenvolver estratégias de enfrentamento e prevenir novas crises", completa Liliane.
A estabilidade emocional é construída sobre um estilo de vida equilibrado, o chamado "tripé da saúde mental", que inclui acompanhamento profissional, sono e alimentação adequados, atividade física e lazer. A psicóloga enfatiza que o acompanhamento deve ser contínuo, mesmo após a melhora inicial. "A terapia não serve só para retirar sintomas, mas para desenvolver recursos duradouros, como regulação emocional e autoconhecimento. Isso promove estabilidade, melhora nos relacionamentos e oferece autonomia para lidar com os desafios constantes da vida", conclui.
Nota do Editor – Portal Splish Splash: Os dados são um alerta social inegável. Cuidar da saúde mental deixou de ser um tabu para se tornar uma necessidade pública e uma responsabilidade coletiva, tanto no ambiente de trabalho quanto na vida pessoal. Investir em prevenção, acolhimento e tratamento qualificado é fundamental para reverter esta curva preocupante e construir uma sociedade mais saudável e produtiva.
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Número de licenças ligadas a transtornos mentais dobrou em uma década, alertando para cuidados
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