Transforme seu lar em uma lição viva de cuidado com o planeta
Por: Henrique Alckmin Prudente*
Em 26 de janeiro celebra-se o Dia Mundial da Educação Ambiental, data instituída pelas Nações Unidas na Conferência de Belgrado, Sérvia, em 1975. Esse evento estabeleceu diretrizes para que práticas voltadas à sustentabilidade global e local fossem integradas, institucionalizadas e consolidadas em todo o mundo.
A Educação Ambiental envolve diferentes sistemas (culturais, econômicos, naturais, sociais) que precisam ser tratados de forma integrada e séria, sempre focando no bem-estar das pessoas. Também busca quebrar paradigmas que fragmentam problemas reais e os transformam em narrativas carregadas de ideologias ou interesses econômicos.
Entre 10 e 21 de novembro de 2025, ocorreu em Belém (PA), a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30. Um dos temas discutidos foi o combate ao desmatamento e a preservação das florestas tropicais. No entanto, ainda não foram apresentados planos de ação com metas claras.
Mas quero trazer essa discussão para perto de você. Sempre que a cobertura vegetal em sua cidade diminui, áreas permeáveis são substituídas por asfalto ou concreto, ou cursos d’água, como córregos, rios e lagos, são degradados, há uma perda direta na sua qualidade de vida.
A vegetação urbana, especialmente com espécies nativas, oferece inúmeros benefícios sociais e deveria ser considerada um fator de saúde pública, porque: filtra o ar, absorvendo poeira e partículas; reduz o calor, criando áreas sombreadas e mais frescas; previne enchentes, permitindo maior infiltração da água da chuva no solo; atua como isolante acústico natural, diminuindo a poluição sonora, fator de saúde pública desprezado pelas autoridades; melhora a paisagem, tornando o ambiente mais bonito e agradável.
O fenômeno das ilhas de calor ocorre em áreas urbanas com grande concentração de construções, asfalto e concreto. A falta de vegetação faz com que a temperatura média seja significativamente maior do que em bairros arborizados ou áreas rurais. Esse efeito é mais intenso em regiões com menor cobertura vegetal, muitas vezes associadas a desigualdade social.
Pesquisas científicas sobre o tema existem há décadas. A pesquisadora Magda Lombardo estuda os impactos das ilhas de calor desde os anos 1980. Sua Tese de Doutorado, defendida em 1984, e o livro “Ilha de Calor nas Metrópoles: O exemplo de São Paulo” (1985) analisam esses efeitos em São Paulo. Outros pesquisadores brasileiros, como José Bueno Conti, José Roberto Tarifa e Sueli Angelo Furlan, também investigaram a relação entre cobertura vegetal e qualidade de vida.
Na área rural, sobretudo junto a mananciais, a vegetação, além de regular a temperatura e contribuir para a biodiversidade, também atua para incrementar a “poupança de água” em mananciais subterrâneos. O desmatamento corrompe este equilíbrio, pois transforma a água da chuva em potencial agente erosivo, aumentando a retirada de solo através do escoamento superficial, agravando a qualidade da água em cursos superficiais e diminuindo, consequentemente, a reserva de água subterrânea. Em cidades, o desmatamento compromete áreas urbanas precárias, ameaçando vidas humanas em áreas de risco.
Se você mora em uma casa com quintal, saiba que tem a melhor escola de Educação Ambiental possível. Ampliar áreas permeáveis, plantar árvores ou cultivar uma pequena horta proporciona benefícios diretos: ar mais puro, sombra, tranquilidade, atração de pássaros e até frutas frescas e orgânicas. Se você reside em apartamento, incentive a captação de água de chuva para limpeza e abastecimento de seu prédio ou condomínio; incentive o paisagismo, a coleta seletiva, entre outras iniciativas que farão a diferença.
A Educação Ambiental começa em casa, e desperta a consciência sobre como pequenas ações podem gerar impactos na sua vida. Plante uma árvore, cultive uma horta e transforme seu lar na primeira lição de cuidado com o ambiente.
*Henrique Alckmin Prudente é Doutor em Ciências pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Diretor Acadêmico da Faculdade Canção Nova onde leciona a disciplina Educação Ambiental no Curso de Teologia.
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