Dwight Yorke questiona opções atuais e defende um centroavante de ofício
Ser camisa 9 não é improviso, é especialização diária
A posição de centroavante na Seleção Brasileira continua sem dono definido para a Copa do Mundo de 2026. Desde o início do atual ciclo, em 2023, nenhum nome conseguiu se impor de forma clara como referência ofensiva, e essa lacuna começa a preocupar quem conhece bem a exigência do futebol de alto nível. Em entrevista ao portal FootItalia, Dwight Yorke, ex-atacante histórico do Manchester United na era Alex Ferguson, analisou o cenário e foi direto ao ponto: falta um camisa 9 de ofício.
Para Yorke, há um erro recorrente na forma como se olha para a função. Segundo ele, o centroavante é um jogador altamente especializado, talvez o mais específico dentro de um sistema tático. É o único atleta que atua quase permanentemente de costas para o gol, sustentando a bola, fazendo o pivô e abrindo espaços para quem vem de trás. Na sua visão, jogar ali exige rotina, treino constante e entendimento profundo do papel. Improvisações até podem funcionar por um curto período, mas raramente entregam consistência em alto nível.
Ao falar de Matheus Cunha, atacante que vive bom momento no futebol inglês, Yorke reconhece a fase positiva, mas não o enxerga como solução para a camisa 9. Para ele, Cunha é um jogador mais móvel, físico, que conduz a bola e parte para o duelo individual, características valiosas, mas diferentes das exigidas de um centroavante fixo. Se Carlo Ancelotti optar por jogar com um 9 clássico, Yorke acredita que Cunha não se encaixa nesse perfil.
Richarlison, outro nome frequentemente citado, também surge com ressalvas. Yorke destaca a irregularidade do atacante do Tottenham, lembrando que, apesar de estar a ter mais minutos recentemente, vem de uma temporada anterior praticamente apagada. Para uma posição que exige confiança, repetição e protagonismo, a oscilação pesa — ainda mais num torneio curto como uma Copa do Mundo.
O ex-atacante reforça que a discussão vai além de nomes específicos. O ponto central, para ele, é entender que ser camisa 9 não é apenas ocupar um espaço no esquema. É dominar fundamentos próprios da função: segurar a bola sob pressão, participar da construção, atacar a área com instinto e finalizar com precisão. Tudo isso é treinado diariamente por quem vive a posição, não por quem a ocupa de forma circunstancial.
Em contraste com as dúvidas no ataque, Yorke mostra total convicção ao falar de Casemiro. Para ele, o médio brasileiro será um dos pilares da Seleção em 2026. A relação de confiança com Carlo Ancelotti, construída nos tempos de Real Madrid, pesa muito. Yorke destaca que essa sintonia facilita decisões e potencializa o rendimento do jogador. Atuando como primeiro volante, função que também desempenha no Manchester United, Casemiro tende a crescer num Brasil que deverá ter mais posse de bola e maior controle dos jogos, reduzindo a necessidade de correr atrás do prejuízo.
Na leitura de Yorke, não será surpresa se Casemiro se destacar. Cercado por jogadores tecnicamente superiores e num contexto mais dominante, o médio tem tudo para ser decisivo. Já no ataque, a mensagem é clara e pouco confortável: enquanto o Brasil não definir se quer, de facto, um camisa 9 de raiz, a posição continuará em aberto — e vulnerável.
Dwight Yorke atuou cinco temporadas no Manchester United, entre 1998 e 2002, período em que conquistou três Campeonatos Ingleses, uma Liga dos Campeões, uma Copa da Inglaterra e o Mundial Interclubes. Ao longo de 18 anos no futebol inglês, passou ainda por Aston Villa, Blackburn Rovers, Birmingham e Sunderland. Pela seleção de Trinidad e Tobago, disputou a Copa do Mundo de 2006, a única da história do seu país.
*Nota do Editor – Portal Splish Splash*
A discussão levantada por Dwight Yorke toca num ponto sensível do futebol moderno: a tendência de diluir funções clássicas em nome da versatilidade. No caso do Brasil, país historicamente marcado por grandes camisas 9, a ausência de um especialista pode ser mais do que um detalhe tático — pode ser uma identidade em risco.
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Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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