Por que a empatia diária transforma mais do que campanhas de dezembro
Ações pontuais perdem potência; empatia exige prática diária nas organizações
"Cuidar todo o ano vale mais do que qualquer gesto fotogênico de Natal."
Alba Fraga Bittencourt
Por: Semadar Marques*
O fim de ano chegou e, com ele, ganham destaque as campanhas doação, visitas a instituições carentes e outras ações que se multiplicam nessa época. Todos se mobilizam, e às vezes até acontece de áreas competirem entre si para ver quem doa mais, competições leves e bem-humoradas que ajudam a criar um clima agradável e a sensação de estar unido por algo maior.
Todas essas ações são válidas e importantes, mas perdem parte de sua potência quando concentradas apenas em momentos pontuais.
Ainda é comum encontrar organizações que, no Natal, lotam ônibus de voluntários para entregar ceias, mas que, ao longo do ano, não conseguem garantir espaços de escuta, continuam normalizando lideranças tóxicas e comportamentos abusivos e não incentivam uma cultura consistente de apoio e cuidado nas relações.
A generosidade se concentra em apenas um mês, como um evento, em vez de ser incentivada e aparecer nas práticas diárias. Instala-se uma espécie de empatia sazonal: ativa no fim do ano ou em datas específicas, silenciosa nos meses seguintes.
Diante dessa situação, é urgente refletir sobre o que realmente significa empatia no ambiente corporativo. Ações filantrópicas pontuais, por mais bem-intencionadas que sejam, não são suficientes para criar uma cultura de cuidado e atenção.
Quando a colaboração e a atenção são cultivadas todos os dias através de práticas que conscientizam, as empresas formam equipes mais unidas, reduzem conflitos e tensões, e constroem ambientes mais seguros e humanos, que geram resultados de verdade.
O sociólogo Zygmunt Bauman já alertou que vivemos em uma sociedade que transforma solidariedade em performance. São ações que aparentam generosidade, mas raramente constroem vínculos de verdade ou promovem mudanças significativas nas culturas organizacionais. Existe o risco de esses gestos tornarem-se apenas narrativas de solidariedade, enquanto escondem um déficit real de atenção e cuidado com as pessoas no dia a dia.
Empatia não deve ser enfeite de dezembro. Organizações só conseguem resultados duradouros quando o cuidado é praticado de verdade e refletido na qualidade das relações construídas.
Isso se vê em culturas onde gestos como ouvir alguém com atenção, reconhecer esforços e tomar decisões que respeitam a todos são valorizados, criando um senso de pertencimento real, sentido em cada interação do dia a dia.
A reflexão de Semadar Marques lembra-nos que a empatia não pode depender do calendário. Praticada de forma contínua, cria ambientes de trabalho mais humanos, seguros e produtivos, muito para além do espírito de dezembro.
Por que a empatia diária transforma mais do que campanhas de dezembro
Redatora Permanente do luso-brasileiro Portal Splish Splash. Uma sonhadora que acredita no verdadeiro amor, no romantismo e na felicidade, que carrega a fé em cada detalhe da vida. VER PERFIL
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