CCB recebe A Dinastia Bach em noite maior

Concerto A Dinastia Bach no CCB com a Orquestra de Câmara Portuguesa, Julien Chauvin e Maria Reis Sá, a 12 de dezembro, no Pequeno Auditório.
Cartaz do concerto A Dinastia Bach no CCB com a Orquestra de Câmara Portuguesa e Julien Chauvin

Orquestra de Câmara Portuguesa e Julien Chauvin celebram Bach e herdeiros no Pequeno Auditório 


A música de Bach não pertence ao passado: continua a acontecer 

"Quando o talento encontra a herança, o tempo faz uma vénia."
Vímara Porto

O Centro Cultural de Belém acolhe, no dia 12 de dezembro, mais uma Sexta Maior dedicada à música orquestral, com um programa que atravessa gerações, estilos e geografias, tendo como eixo central a família Bach. No Pequeno Auditório, a Orquestra de Câmara Portuguesa recebe, pela primeira vez, o violinista e maestro francês Julien Chauvin, numa noite que promete rigor histórico, energia interpretativa e emoção sem filtros.

O programa propõe um verdadeiro percurso pela Europa musical do século XVIII. Da intensidade dramática da Sinfonia em Sol menor de Vivaldi à imaginação narrativa de Telemann em Burlesque de Quichotte, passando pela elegância expressiva de Carl Philipp Emanuel Bach e pela densidade de Johann Christoph Friedrich Bach, o concerto culmina com uma das obras mais célebres de Johann Sebastian Bach: o Concerto para dois violinos em Ré menor, BWV 1043. Nesta peça central, Julien Chauvin partilha o palco com a jovem violinista portuguesa Maria Reis Sá, numa interpretação que se antevê luminosa, dialogante e plena de cumplicidade musical.

Julien Chauvin, fundador do prestigiado ensemble parisiense Le Concert de la Loge, é reconhecido pela sua abordagem vibrante e espontânea ao repertório barroco e clássico, aliando prática historicamente informada a uma comunicação direta com o público. A Orquestra de Câmara Portuguesa, por sua vez, tem vindo a afirmar-se como uma das formações mais consistentes no panorama musical nacional, cruzando excelência técnica com projetos de claro pensamento artístico.

Este concerto integra uma reflexão mais ampla sobre o legado da família Bach, cuja importância ultrapassa largamente a figura monumental de Johann Sebastian. Crescido numa linhagem profundamente enraizada na tradição musical luterana da Alemanha central, Bach sintetizou influências italianas, francesas e germânicas numa linguagem de excecional profundidade espiritual e estrutural. Essa herança prolongou-se nos seus filhos, compositores decisivos na transição do barroco para o classicismo e agentes fundamentais na preservação e difusão da obra paterna.

A atualidade de Bach não se mede apenas pela frequência com que é tocado, mas pela forma como continua a dialogar com o presente. Das salas de concerto ao cinema, da investigação académica às novas abordagens interpretativas, Bach permanece um ponto de referência incontornável, simultaneamente humano, intelectual e transcendente.

No âmbito deste concerto, realiza-se ainda, às 18h30 do mesmo dia, na Sala Lopes-Graça, a conferência Da Tradição à Herança, por Eugénio Amorim. Músico, maestro, compositor e académico, Eugénio Amorim possui um percurso sólido que cruza criação, investigação e pedagogia. Doutorado pela Universidade Católica Portuguesa, investigador do CESEM e atual Presidente do Conselho Técnico-Científico da ESMAE, tem desenvolvido uma carreira marcada pelo aprofundamento da música sacra, pela improvisação e pela reflexão crítica sobre o património musical europeu.

Nota do Editor – Portal Splish Splash
Num mundo de playlists apressadas e escutas distraídas, concertos como este lembram-nos que a música também é herança, escuta profunda e tempo partilhado. Bach não passa: permanece. E quando permanece assim, ao vivo, agradecemos. 
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