Três fatores juntos multiplicam o risco de um tumor agressivo nas amígdalas, alerta oncologista
Diagnóstico precoce é desafiado por sintomas comuns
São Paulo – dezembro 2025 - Fumar e ingerir bebida alcoólica são ações consideradas deletérias para as células do corpo e estão relacionadas a um maior risco de câncer em diversas partes do corpo. Um tumor comum relacionado a esses maus hábitos é o carcinoma de amígdala. “Sabemos que os tumores de orofaringe, incluindo o carcinoma de amígdala, têm alta incidência no Brasil e têm forte relação a fatores de risco como tabagismo, consumo frequente de álcool e à infecção pelo HPV (papilomavírus humano). O uso individual de qualquer uma das substâncias já é um fator de risco importante, mas quando há a combinação de cigarro e álcool,
A combinação de cigarro e álcool multiplica ainda mais o risco, inclusive em pacientes mais jovens e principalmente aqueles que têm HPV. Embora muita gente não saiba, esse tipo de infecção sexualmente transmissível é contraída também no sexo oral, pode afetar as amígdalas, causando dor de garganta persistente, dificuldade ao engolir, rouquidão e nódulos no pescoço”, explica o Dr. Ramon Andrade de Mello*, médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo) e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia.
O oncologista explica que o carcinoma de amígdala é um tipo de câncer que se desenvolve na orofaringe, região localizada na parte de trás da boca, onde ficam as amígdalas. “Esse tumor ocorre devido à multiplicação descontrolada de células, podendo se espalhar para áreas vizinhas e linfonodos do pescoço. É um câncer considerado agressivo, mas com boas chances de controle quando diagnosticado precocemente”, explica o Dr. Ramon. O problema é que os sintomas podem ser confundidos com questões comuns da garganta, por isso merecem atenção quando persistem por mais de 3 semanas. “Os sinais incluem: dor de garganta frequente ou que não melhora; dificuldade ou dor para engolir; nódulo no pescoço (gânglio aumentado); alterações na voz; ferida na boca ou garganta que não cicatriza; e, em casos mais avançados, perda de peso e cansaço”, comenta o Dr. Ramon Andrade de Mello.
Embora o câncer de amígdala possa surgir em adultos jovens, a maior parte dos diagnósticos ocorre em pessoas acima dos 50 anos. “Isso porque a exposição acumulada aos fatores de risco ao longo da vida aumenta a chance de alterações celulares”, destaca.
O tratamento pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do estágio do tumor e das condições de saúde do paciente. “A cirurgia visa remover as amígdalas e, se necessário, os linfonodos do pescoço. A radioterapia utiliza radiações ionizantes (como raios-X, raios gama ou outras fontes de energia) para destruir células tumorais e impedir sua multiplicação. Ela pode ser feita de maneira isolada ou associada a cirurgia ou quimioterapia, que é usada em casos avançados”, explica o oncologista.
Segundo o oncologista, os efeitos adversos do tratamento do câncer de garganta variam com o tipo de tratamento, mas podem incluir boca seca, problemas de deglutição, alterações na pele do pescoço (com radioterapia), náuseas, fadiga e infecções (com quimioterapia). “Problemas dentários, perda de paladar, rouquidão, e dificuldades na fala também são comuns. É importante comunicar qualquer sintoma ao médico para gerenciar esses efeitos, que muitas vezes melhoram após o término do tratamento, mas podem persistir”, explica. O médico enfatiza que o tratamento costuma ser multidisciplinar, envolvendo oncologia, cirurgia de cabeça e pescoço, radioterapia e fonoaudiologia. “O acompanhamento pós-tratamento também é essencial para recuperar funções como fala e deglutição”, finaliza o médico.
*DR. RAMON ANDRADE DE MELLO: Médico oncologista do Centro Médico Paulista High Clinic Brazil (São Paulo), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, Pós-Doutor clínico no Royal Marsden NHS Foundation Trust (Inglaterra), pesquisador honorário da Universidade de Oxford (Inglaterra), pesquisador sênior do CNPQ (Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico), Brasil, vice-líder do programa de Mestrado em Oncologia da Universidade de Buckingham (Inglaterra), Doutor (PhD) em Oncologia Molecular pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (Portugal). Tem MBA em gestão de clínicas, hospitais e indústrias da saúde pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), São Paulo. É pesquisador e professor do Doutorado da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), de São Paulo. Membro do Conselho Consultivo da European School of Oncology (ESO). O oncologista tem mais de 122 artigos científicos publicados, é editor de 4 livros de Oncologia, entre eles o Medical Oncology Compendium, Elsevier, de 2024. É membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e do Centro de Diagnóstico da Unimed, em Bauru, SP. Instagram: @dr.ramondemello
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Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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