O futuro dos cuidados com a pele: do creme híbrido ao tecido cosmético

A ideia de unir a indústria de tecidos com a Cosmetologia parece absurda? Pois esse poderá ser um caminho para a produção de tecidos cosméticos com o objetivo de suprir carências ou deficiências da pele.


O que há de novo e o que esperar na Cosmetologia?


A ideia de unir a indústria de tecidos com a Cosmetologia parece absurda? Pois esse poderá ser um caminho para a produção de tecidos cosméticos com o objetivo de suprir carências ou deficiências da pele. Duas experts em tecnologias cosméticas explicam essa e outras tendências

São Paulo – julho 2022 - Até algum tempo atrás, era comum associar ativos cosméticos a extratos vegetais ou ingredientes derivados de animais. Mas, graças a evolução tecnológica, a biotecnologia cosmética e os avanços nas áreas de engenharia genética e fermentação de ingredientes, os produtos para a pele estão cada vez melhores, seguros e certeiros – agindo cada vez mais em alvos específicos para estimular células a atuar em sua melhor forma. Por conta disso, agora, temos a certeza que cultivar ingredientes em um laboratório pode levar a produtos de beleza melhores e mais seguros. Mas se já chegamos nesse nível, qual o futuro dos cuidados com a pele? O que há de novo e o que esperar na Cosmetologia? Conversamos com duas experts no assunto: Maria Eugênia Ayres, farmacêutica e gestora técnica da Biotec Dermocosméticos, e Patrícia França, farmacêutica, professora de Cursos de Pós-Graduação e Extensão e gerente científica da Biotec Dermocosméticos. Abaixo, elas explicam as grandes novidades já disponíveis e aquelas que aguardaremos ansiosos para tratar do maior órgão do nosso corpo, a pele:

*Como a biotecnologia entrou no mercado cosmético oferecendo um avanço?

MARIA EUGÊNIA AYRES: A produção de cosméticos naturais baseada em plantas usa muitos recursos, como área de cultivo, água, energia e trabalho humano. Com o uso da Biotecnologia, diminuímos o uso de plantas e animais produtores de ingredientes cosméticos. Usar micro-organismos para fabricar esses ingredientes substitui plantações e a crueldade animal. Por serem desenvolvidos em laboratórios, podemos alterar e/ou modificar a molécula buscando sempre o melhor resultado de cada molécula, como: melhorar a capacidade de permeação, cuidar da microbiota da pele e também tornar a molécula mais estável.

*O que há de mais novo com relação à tecnologia cosmética?

MARIA EUGÊNIA AYRES: Como novidade na indústria cosmética, temos a utilização dos peptídeos, moléculas originadas da quebra de proteínas e sua produção parte de micro-organismos. Eles são capazes de penetrar em camadas mais profundas da pele e podem agir como sinalizadores, carreadores ou inibidores de neurotransmissores. Utilizamos também os prebióticos, substâncias que beneficiam a sobrevivência e proliferação de bactérias saudáveis para o nosso organismo. Seu uso em cosméticos vem sendo estimulado por garantir a manutenção da microbiota da nossa pele. Podemos citar como exemplo o ativo Aldavine® 5X que é uma combinação de dois polissacarídeos sulfatados (galactanos e fucanos) oriundos respectivamente das algas Ascophyllum nodosum e Aspargopsis armata que promovem a integridade dos microcapilares da pele. Aldavine® 5X combate as principais causas das manchas escuras e bolsas ao redor dos olhos: extravasamento dos microcapilares, inflamação local e flacidez.

*Sobre o que ainda não está disponível, o que você acredita ser o futuro da cosmetologia?

MARIA EUGÊNIA AYRES: O futuro da cosmetologia será pautado em uma cosmetologia científica, funcional e preventiva. Os cosméticos híbridos são uma das grandes tendências. O consumidor busca produtos que, além de oferecerem diversos benefícios, economizem tempo e dinheiro. Hyaxel é um excelente exemplo de ingrediente híbrido, pois temos 4 benefícios em um único ativo: aumenta a espessura da epiderme, promove hidratação profunda, melhora a cicatrização e aumenta a produção de ácido hialurônico. Além disso, teremos os cosméticos em pó são uma tendência sustentável muito importante e seu objetivo é economizar água, mas sem perder a eficácia. Outra tendência para o futuro serão as associações de empresas cosméticas com indústrias de tecido. A ideia será a produção de tecidos cosméticos com o objetivo de suprir carências ou deficiências da pele. Outra forte tendência será a Imunocosmetologia que tem como objetivo a manutenção ou restabelecimento do equilíbrio destas funções de defesa da pele. Podemos citar como exemplo o ativo Stimuline, originário de um extrato purificado de Beta Glucans de membrana de Saccharomyces cerevisiae. Ele mantém o sistema imunológico da pele em estado de alerta, além de estimular a reparação dos danos, proteger das agressões e do envelhecimento natural.

*A modificação genética para criação de ativos em laboratórios é um caminho seguro para os cuidados com a pele?

MARIA EUGÊNIA AYRES: Através da modificação genética para criação de ativos em laboratório, temos opções de tratar a pele utilizando o que há de mais moderno e tecnológico em cosméticos, como os peptídeos, células-tronco de origem vegetal e fatores de crescimento. Estas substâncias tornam os produtos com ação mais direcionadas e tratam a pele com capacidade regenerativa superior, atuando na longevidade celular, protegendo e até estimulando o reparo do DNA de células e de fatores de crescimento natural da pele, sendo elas substâncias diferenciadas dentro das formulações cosméticas. O principal foco é no fibroblasto, célula responsável pela produção das fibras de sustentação da pele e dos queratinócitos, células da epiderme que fazem parte do mecanismo de proteção da pele. As alterações biomoleculares são o ponto de partida para o envelhecimento celular, ocorrendo uma modificação do material genético (DNA) por inúmeros fatores, dentre eles, o encurtamento do telômero e a produção de uma substância tóxica para células chamada progerina, que é um marcador de senescência descoberto através da compreensão da Progeria (doença relativa ao envelhecimento precoce em crianças). Como exemplo, podemos citar o ativo Progeline®, ativo composto por tripeptídeos biomiméticos da elastina, responsável por diminuir a produção de progerina e regular os mecanismos biológicos envolvidos no processo de envelhecimento.

*Ingredientes fermentados, pré e probióticos, já são uma realidade. Ativos com essa tecnologia são confiáveis?

MARIA EUGÊNIA AYRES: Ingredientes fermentados, pré e probióticos são uma realidade e são confiáveis. São criados a partir da fermentação de alguns ingredientes, sendo os mais comuns, frutas, plantas, ervas e fermento. O processo de fabricação quebra a estrutura molecular dos ingredientes, tornando os nutrientes mais concentrados, com maior absorção. Além disso, o processo pode também produzir aminoácidos e antioxidantes adicionais, que são muito benéficos para a pele. Nosso intestino produz enzimas, mas a nossa pele não. Por isso o processo enzimático, transforma os ingredientes ativos, podendo ser mais facilmente absorvido e funcional.

*Já se sabe que proteínas estão sendo estudadas para alterar as formas do cabelo, por exemplo, criando ondas, cachos ou deixando-os lisos. Em equivalência, você acredita que poderíamos ter para a pele tratamentos cosméticos com efeitos mais instantâneos?

MARIA EUGÊNIA AYRES: Existem tratamentos cosméticos com efeitos instantâneos e que tratam realmente a pele a curto e a longo prazo. Temos por exemplo o ativo Densiskin D+®, ativo dermocosmético de última geração que associa Polipeptídeos Marinhos ligados ao Metilsilanetriol em alta concentração. Ele possui uma ação tensora imediata combinada com uma ação profunda re-estruturante. Temos também o ativo Sculptessence®, ativo natural extraído da semente do linho e rico em poliosídeos reversos, que agem nas desordens relacionadas ao enfraquecimento da pele, proporcionando o redesenho da face, resultando em um efeito de harmonização facial.

*Essas novas tecnologias podem abrir caminho para um mundo mais sustentável e cruelty free?

PATRÍCIA FRANÇA: As novas tecnologias cosméticas são importantes para o crescimento e avanço da indústria cosmética e para o tratamento personalizado. O consumidor está cada vez mais diversificado, consciente e buscando por produtos que respeitem a natureza e os animais. Buscam por produtos que estejam alinhados a uma filosofia produtiva mais equilibrada e com menos impacto ambiental. Buscar tecnologias Cruelty Free já é uma realidade e nesse sentido já é possível utilizar cosméticos e suplementos alimentares com ingredientes que estão alinhados a essa tendência. Podemos encontrar um ativo redutor de olheiras, edemas, anti-inflamatório e quelante de ferro totalmente natural, cruelty free, como por exemplo, o Meiyanol, obtido do extrato ecorresponsável da flor de sabugueiro Sambucus nigra, rico em flavonoides e polifenóis. O ingrediente é obtido por meio do método de extração e biorrefinação (bioraffinage), não contém em sua composição nenhum ingrediente de origem animal e não utiliza testes de toxicidade ou experimentação em animais. Mais do que ter ativos sustentáveis, importante lembrar que podemos também ter veículos que irão permear esses ativos e são totalmente cruelty free, como o veículo Second Skin, desenvolvido por meio da associação exclusiva de emulsificantes baseados na tecnologia dos fosfolipídeos e óleos vegetais ecocertificados. Dessa forma temos um veículo com alta concentração de ômega 3 e 6, conferindo proteção, hidratação e restauração da função barreira somado a um toque aveludado e sofisticado quando aplicado na pele.

*Até alguns anos atrás, muitos acreditavam que um dermocosmético/ativo cosmético só serviria como hidratante. E hoje existem até alguns que combatem a senescência celular. Quais são essas tecnologias que realmente fazem um cosmético chegar mais longe (e fundo) na pele?

PATRÍCIA FRANÇA: Podemos citar as tecnologias de vetorização do silício orgânico, “tecnologia dos silanóis”, que sintetizam novas moléculas que associam o silício a outros radicais (ativos essenciais ao organismo como ácido hialurônico, prolina, cafeína etc.), potencializando a permeação e os resultados destes ativos. A tecnologia dos silanóis pode ser encontrada no Hyaxel, um ácido hialurônico de baixo peso molecular vetorizado pelo silício orgânico hidrossolúvel cuja função é intensificar a renovação epidérmica (efeito retinoic-like), aumentar a produção de ácido hialurônico natural (por possuir baixo peso molecular, é capaz de penetrar nas camadas mais internas da pele), atuando como um potente antiaging. A tecnologia dos silanóis envolvida na produção do Hyaxel faz com que o ativo também atue diminuindo o impacto do cortisol na pele – como sabemos cortisol é o hormônio relacionado ao estresse e à senescência celular. Na presença de cortisol, ocorre a diminuição de ácido hialurônico favorecendo ao processo de dermatoporose (pele mais fina e frágil) e consequentemente envelhecimento cutâneo.

*E com relação aos nutracêuticos? Quais as tecnologias que estão sendo estudadas ou que poderemos ver no futuro?

PATRÍCIA FRANÇA: O que poderemos ter no futuro são nutracêuticos que em sua produção contemplem ingredientes naturais e com alto valor biológico com processos de produção, obtenção, cada vez mais sustentáveis, livre de compostos sintéticos, alergênicos e com uma relação positiva com a saúde. Um exemplo disso é o que a tecnologia de líquidos iônicos propõe, uma alternativa promissora para superar as desvantagens que influem na estabilidade e aproveitamento de nutrientes. A invenção promove o desenvolvimento de suplementos solúveis concentrados com maior rendimento, além da possibilidade de combinação com outros bioativos de ação imunomoduladora e até antiviral e com a vantagem de utilizar o que chamamos de princípio da química verde (não utilizar métodos convencionais que geralmente empregam solventes orgânicos, prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana). Hoje, podemos ter um booster de DHA totalmente vegetal, como o encontrado no Omegavie, ativo puro ultraestável extraído das microalgas, Schizochytrium sp, capaz de produzir DHA naturalmente sem modificações genéticas com um mix de tocoferóis da soja, uma alternativa 100% vegetal para a suplementação de ômega 3 em veganos, vegetarianos ou alérgicos a peixes. A tecnologia envolvida está embasada no tratamento e purificação dos óleos marinhos, livre de solventes, contaminantes, metais tóxicos, com hidrólise enzimática, à base de água, patenteada e com processo de decapagem suave com injeção de vapor. Também podemos ter um nutracêutico termogênico totalmente natural, como o encontrado no Slim Green Coffee, uma biomassa integral do café verde da espécie Coffea robusta, obtido por meio da tecnologia de micronização, sem nenhum tipo de processamento e livre de solventes ou de contaminantes.

FONTES:

*BIOTEC DERMOCOSMÉTICOS: Biotec Dermocosméticos disponibiliza às farmácias magistrais, à área dermatológica e de medicina estética os mais modernos e inovadores conceitos de beleza e matérias-primas. A empresa busca associar às tendências mundiais à realidade do consumidor brasileiro, cada vez mais exigente e sedento por novidades que ofereçam qualidade de vida e bem-estar. Instagram: @biotecdermocosmeticos
*MARIA EUGENIA AYRES: Graduada em Farmácia Industrial pela Faculdade Oswaldo Cruz com Pós-Graduação em Farmacologia Clínica. Atua no Setor Magistral desde 2000 onde atualmente é Gestora Técnica da Biotec. CRF 33.424.

*PATRÍCIA FRANÇA: Farmacêutica e gerente científica da Biotec Dermocosméticos.

 

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