"Cyber Reggae", novo single de João Caetano, balança elementos tropicais e tropicalistas

Primeira canção de seu EP de estreia, #AlgumRitmo, João Caetano bebe da tônica tropicalista em que canibaliza e deglute em arte a vida pulsante do agora. Filho – ou um membro regenerado, como diz Donna Haraway – de Gilberto Gil, #CyberReggae adentra na vida ciborgue que emerge no século XXI. O futuro que João Caetano descreve em seus traços de Samba-Reggae é terrivelmente rápido, como um click – o amor virou um anúncio de internet. Por isso, “nesses tempos de internet”, canta João Caetano, “é preciso ter cuidado”.


Primeira canção de seu EP de estreia, #AlgumRitmo, João Caetano bebe da tônica tropicalista em que canibaliza e deglute em arte a vida pulsante do agora. Filho – ou um membro regenerado, como diz Donna Haraway – de Gilberto Gil, #CyberReggae adentra na vida ciborgue que emerge no século XXI. O futuro que João Caetano descreve em seus traços de Samba-Reggae é terrivelmente rápido, como um click – o amor virou um anúncio de internet. Por isso, “nesses tempos de internet”, canta João Caetano, “é preciso ter cuidado”.


Navegando nos sete mares digitais, o compositor desenha o enclausuramento potencializado pelos distanciamentos que vivenciamos em nossas pequenas ilhas muito além da pandemia. “E quantas células e cédulas, ali, dentro / Cabem, se compartem, / Compartilham, bloqueiam, assimilam / Se aceitam e se rejeitam livros?” Em sua herança tropicalista, João Caetano se responde: “Me poupe de um pop up qualquer / Me poupe ter que baixar o app”


O “cringe” vocabulário da internet torna-se poesia nas mãos de João Caetano que desponta #CyberReggae como uma bela, irônica e baiana versão do amor em tempos digitais. A maior ironia talvez seja que, como um prenúncio, dias antes do lançamento da música de João Caetano, tenhamos vivenciado uma queda mundial nas redes sociais da internet. A angústia, o desamor e a agonia entre ligar e desligar o roteador parece ser respectivamente a sequência de versos da canção do baiano: “Minha gente, o que é que aconteceu? / Minha gente, que é que aconteceu com a gente?”. Se os códigos, os algoritmos e os anúncios ameaçam uma vida em modo automatizado, João Caetano nos lembra que existe muito mais vida além desses pop-up quaisquer.


Cyber Reggae foi gravada de forma remota, contando com a colaboração dos artistas envolvidos desde seus respectivos home Studios.


Com a Mix e Master de Luca Bori, produzida e dirigida musicalmente por Luca e Matheus Patriarcha, que também tocaram e gravaram instrumentos nesta canção, Lucas de Gal na percussão, Cyber Reggae é o mais recente lançamento do Selo Portal, disponível desde o dia 15/10 em todas as plataformas de stream.


Texto: João Victtor Gomes Varjão

Crédito da foto: Clayton Marques

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