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sexta-feira, setembro 03, 2021

A vida em primeira pessoa, um roman à clef

Roman à clef: narrativa na qual o autor trata de fatos e pessoas reais por meio de personagens fictícios. É este recurso literário que a jornalista e professora Thaïs de Mendonça utiliza na obra A vida em primeira pessoa. Autora de outros seis livros técnicos da área jornalística, a escritora mineira também se inspirou em um diário pessoal antigo para compor a história da protagonista.

Ficção e realidade em enredo político ambientado no último ano da década de 1980 marcam estreia literária da escritora Thaïs de Mendonça


Roman à clef: narrativa na qual o autor trata de fatos e pessoas reais por meio de personagens fictícios. É este recurso literário que a jornalista e professora Thaïs de Mendonça utiliza na obra A vida em primeira pessoa. Autora de outros seis livros técnicos da área jornalística, a escritora mineira também se inspirou em um diário pessoal antigo para compor a história da protagonista.


Martina Mirabella, jornalista e filha do falecido governador de Minas Gerais, deixa a capital mineira rumo a Brasília para trabalhar em uma grande revista semanal, a Fatos. Designada a cobrir a campanha presidencial do candidato Nelson Bastos, considerado um salvador da pátria, a repórter mergulha nos bastidores do poder e trava conhecimento com personagens que, aos poucos, vão compondo uma trama misteriosa.


Após a eleição que confirma a vitória do candidato, a narrativa de Thaïs apresenta uma série de mortes que envolvem o recém-empossado presidente. Ao mesmo tempo que vive uma agitada vida amorosa, publica artigos que estabelecem conexões entre as perdas políticas e resultam em ameaças contra a própria vida.


Repleta de jargões jornalísticos, sempre naturalmente explicados pela autora, a obra também aprofunda as cobranças da própria personagem diante da qualidade do seu texto. Com dificuldades em construir artigos em primeira pessoa, em seu colocar no texto – problema de muitos jornalistas no meio impresso –, Martina descreve o desafio em cumprir tal tarefa, trecho que dá sentido ao próprio título da obra.


Leu em algum lugar que escrever bem é pensar bem, sentir bem e expressar-se bem. “Sim, escrevo em primeira pessoa apenas em meu diário, que é uma escrita íntima e reservada”, constata, identificando a mudança no tom, do estilo confessional para o modelo jornalístico. Martina sofre para compor a peça opinativa: sente suores frios, as mãos hesitantes. Escreve e reescreve várias vezes cada trecho, insegura sobre a relevância e o interesse do episódio que deveria narrar em primeira pessoa.

(A vida em primeira pessoa, p. 149)


A vida em primeira pessoa conta com um toque de mistério e importantes referências da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Cecília Meirelles. Além do romance, Thaïs também é autora de obras acadêmicas, como “Manual do Foca. Guia de sobrevivência para jornalistas”, “Mutação no jornalismo. Como a notícia chega à internet” e “Viver o jornalismo: a entrevista no dia a dia da profissão”.


FICHA TÉCNICA

Título: A vida em primeira pessoa

Autora: Thaïs de Mendonça

Editora: Desconcertos

ISBN: 978-65-87908-32-8

Formato: 16 x 23 cm

Páginas: 200

Preço: 40,00

Link de venda: Amazon Editora Desconcertos


Sobre a autora: Thaïs de Mendonça é de Congonhas, Minas Gerais. Com experiência de mais de 25 anos na imprensa diária e em assessorias de comunicação, é professora da Universidade de Brasília UnB desde 1990, onde completou Mestrado e Doutorado, tendo feito estágio de pós-doutoramento na Universidade de Navarra (Espanha) e na Universidade da Beira Interior (Portugal).

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