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quinta-feira, junho 17, 2021

63% dos brasileiros consomem mais doces durante pandemia

Bolo, lanche, chocolate, sorvete, sobremesa... tudo isso faz cada vez mais parte da nossa rotina na pandemia. Seja pelo home office, pelo estresse ou por um mau hábito adquirido, o fato é que o consumo de doces cresceu durante a pandemia.


Consumo brasileiro já era alto. Entenda os perigos que a prática pode trazer ao corpo. Consumo excessivo de açúcar está relacionado a problemas circulatórios, infecções, infertilidade, envelhecimento precoce da pele e até desenvolvimento de câncer


São Paulo — 17/06/2021 - Bolo, lanche, chocolate, sorvete, sobremesa... tudo isso faz cada vez mais parte da nossa rotina na pandemia. Seja pelo home office, pelo estresse ou por um mau hábito adquirido, o fato é que o consumo de doces cresceu durante a pandemia. Um estudo do projeto ConVid - Pesquisa de Comportamento, realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), entrevistou 44.062 brasileiros entre abril e maio de 2020 e mostrou que quase 2/3 (63%) dos brasileiros consome doce duas vezes ou mais por semana. No caso das mulheres, cerca da metade come chocolates e doces em dois dias ou mais na semana, o que representa um aumento de 7% com relação ao período anterior à pandemia. “Todos os açúcares não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas. O consumo de açúcares adicionados e escondidos é um dos principais equívocos alimentares da dieta ocidental, com inúmeras consequências indesejáveis à saúde. Um relatório de 2018 do US Burden of Disease Collaborators identificou a dieta de baixa qualidade como a principal causa de morte nos Estados Unidos e a previsão é que os custos com as doenças relacionadas à dieta continuem a subir se não forem adotadas políticas de educação e prevenção. Esses dados foram publicados em março de 2019 no JAMA”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “Infelizmente, o consumo médio no Brasil, mesmo antes da pandemia, já era muito superior a isso (10% das calorias diárias)”, acrescenta.


Apesar de ser constantemente relacionada ao doce, o açúcar também está presente em alimentos salgados, massas e aqueles que utilizam farinha branca. “Além disso, temos o açúcar escondido, que é aquele adicionado a alimentos industrializados, geralmente salgados, que aparentemente não conteriam açúcar. A indústria geralmente adiciona açúcar aos alimentos processados para torná-los mais apetitosos. Quando a gordura é removida de comida processada, por exemplo, o açúcar é adicionado para balancear o sabor. Açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, frutose, glicose, glucose, maltodextrina, oligossacarídeos, sacarose, xarope glucose-frutose, xarope de milho e outros carboidratos simples também são açúcares e o excesso de consumo faz mal!”, reforça a médica. Abaixo, a especialista e outros médicos contam 7 danos que o excesso de açúcar pode causar no organismo:


Favorece o aparecimento de doenças metabólicas e câncer: “O consumo excessivo de açúcar pode levar a doenças metabólicas como obesidade e diabetes, porém agrava os riscos de doenças cardiovasculares, inflamatórias, degenerativas e até neoplásicas”, explica a Dra. Marcella Garcez. O açúcar também pode favorecer o surgimento de câncer. “As células cancerígenas, assim como todas as outras células do organismo, precisam de fontes de energia para sobreviver. Enquanto algumas células retiram essa energia do oxigênio, outras, como as células neoplásicas, utilizam como fonte de energia a fermentação do açúcar. Dessa forma, o açúcar, mais especificamente a glicose, pode impulsionar o desenvolvimento do câncer, já que alimenta as células cancerígenas, que crescem e se espalham pelo organismo”, ressalta a médica nutróloga. “O açúcar é um vilão ainda maior se o câncer já estiver em desenvolvimento, pois, durante os períodos de rápido crescimento do tumor, as células cancerígenas digerem o açúcar até 200 vezes mais rápido do que as células normais.”


Envelhece a pele e causa queda capilar: O excesso de açúcar pode levar ao envelhecimento precoce da pele devido a um processo conhecido como glicação. “O excesso de doces e açúcares na dieta, além da inflamação subclínica que atinge a pele, também é responsável por um processo chamado glicação, que é a formação de produtos de glicação avançada, que nada mais é que a glicose excessiva que se liga às proteínas que dão estrutura à derme, alterando suas funções e seu aspecto, favorecendo a perda de elasticidade e a formação de rugas e flacidez”, explica a médica nutróloga. Além de afetar a pele, o consumo excessivo de açúcar também pode prejudicar a saúde dos cabelos. “Isso porque o aumento de insulina provocado pela ingestão de açúcar faz com que sejam liberados hormônios que inibem a divisão celular da raiz capilar, além de provocar um processo inflamatório que afeta o couro cabeludo, favorecendo o afinamento dos fios e a queda capilar”, ressalta a médica.


Atrapalha os resultados de procedimentos estéticos: Segundo a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, além do processo de glicação, o organismo também requisita enzimas não habituais para combater a glicose, o que aumenta a produção de radicais livres, causando um estresse oxidativo no organismo que piora ainda mais a glicação das fibras de colágeno, acelerando sua degradação. “E, como chave dos procedimentos estéticos é o estímulo de colágeno, pacientes com marcadores altos de estresse oxidativo tendem a conquistarem resultados menos expressivos quando submetidos a cirurgias plásticas, além de possuírem mais riscos de sofrerem com problemas de cicatrização e trombose no pós-operatório”, destaca a cirurgiã plástica.


Aumenta a predisposição a problemas circulatórios: O açúcar em excesso pode ser amargo para o coração. O médico cardiologista e geriatra Dr. Juliano Burckhardt, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, explica que o açúcar está relacionado com a obesidade e com a diabetes mellitus, além de ser apontado como grande vilão para o aumento de colesterol. “Com a obesidade e a diabetes, cria-se um círculo vicioso no organismo, no qual a obesidade retroalimenta e potencializa os riscos de diabetes e patamares elevados de gordura no sangue, tudo convergindo para uma constante e crescente ameaça à saúde cardiovascular. Além disso, o açúcar pode favorecer o aparecimento de problemas cardiovasculares, causando, por exemplo, o espessamento e o acúmulo de placas de gordura dentro da parede das artérias, com consequente obstrução desses vasos”, explica o Dr. Juliano. “Dependendo da artéria afetada, tal quadro pode levar ainda a incidência de infarto, derrame e problemas de claudicação, que é quando você vai caminhar e tem dificuldade de andar porque falta sangue nas pernas”, diz a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.


Aumenta a suscetibilidade a infecções vaginais: Doces e carboidratos em excesso também podem favorecer o aparecimento e piora de corrimento e candidíase em mulheres. “Esses alimentos tornam-se glicose no organismo, fazendo com que o pH vaginal fique mais ácido. Com isso, há uma desregulação das bactérias locais, com aumento da produção de fungos e bactérias patógenas, causando candidíase e corrimento”, explica a Dra. Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU. “Além disso, o consumo excessivo desses alimentos também pode prejudicar o sistema imunológico, o que favorece o aparecimento de infecção urinária, que acontece quando as bactérias entram no trato urinário e se multiplicam, causando dor, ardência, desconforto na bexiga, urina turva e até febre.”


Prejudica a saúde oral: O açúcar é um dos grandes vilões da saúde oral. “Um dos principais problemas nesse sentido é a formação de cáries, que ocorre quando as bactérias da boca metabolizam o açúcar que consumimos, tornando o pH da boca ácido e, consequentemente, provocando a desmineralização do esmalte dos dentes e o aparecimento das cáries. E o pior é que o início dessa ação ocorre poucas horas após a ingestão do açúcar. Além disso, o açúcar também favorece o acúmulo de placa bacteriana que, quando não removida adequadamente, também pode ocasionar gengivite e mau hálito”, alerta o Dr. Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor em Odontologia pela USP.


Interfere na fertilidade: Além de favorecer a obesidade, o que prejudica a qualidade e a quantidade dos espermas e o processo de ovulação, a ingestão de açúcar, por si só, já reduz as chances de um casal engravidar. “O consumo excessivo de açúcar pode levar a um processo inflamatório com consequente risco de estresse oxidativo, o que pode lesar o DNA de células germinativas, aumentar a frequência de mutações prejudiciais e desequilibrar a expressão de genes que atuam na reprodução, assim comprometendo o processo reprodutivo”, afirma a Dra. Marcella.


 Logo, o segredo para não prejudicar a saúde é apostar na moderação, reduzindo o consumo de açúcar a, no máximo, uma colher de sopa do ingrediente por dia. O problema é que pode ser muito difícil reduzir de tal forma a ingestão de açúcar, até porque a maioria dos alimentos contêm alguma forma da substância em sua composição. Mas a boa notícia é que existem medidas que podem ser tomadas para reduzir os danos causados pelo açúcar. “Por exemplo, existem nutrientes como fibras, gorduras boas e proteínas que se forem ingeridos juntos com carboidratos refinados, doces e açúcares, reduzem a velocidade de digestão e absorção do açúcar no sangue, diminuindo o índice glicêmico e fazendo com que não os níveis de glicose e insulina circulantes não aumentem tão rápido”, afirma a Dra. Marcella. “Mas não estamos falando em calorias, mas sim em índice glicêmico dos carboidratos e seu impacto nos níveis de glicemia, insulina e perfil inflamatório do organismo. Porém, os alimentos com baixo índice glicêmico trazem calorias e níveis muito altos de calorias, ingeridas além do gasto energético do organismo serão armazenadas sob a forma de reserva de gorduras. Por isso, moderação e equilíbrio são as melhores alternativas”, finaliza a Dra. Marcella.


FONTES:

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DRA. ELOISA PINHO: Ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela CETRUS. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

*DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Cardiologista e Geriatra, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). É membro da American Heart Association e Pós-Graduado em Geriatria no Instituto de Geriatria e Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2007). Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal, o médico atuou e atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. É diretor médico do V'naia Institute.

*HUGO ROBERTO LEWGOY: Especialista, Mestre e Doutor pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Professor Colaborador do Instituto de Pesquisas Nucleares (IPEN) e do Mestrado Profissional em Biomateriais em Odontologia da Universidade Anhanguera (UNIAN); Pós-graduado em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Instrutor da filosofia individually Training Oral Prophylaxis (iTOP); Pós-graduado em Implantodontia pela Miami University e University of Berna; Membro do International Team of Implantology (ITI); Consultor Científico da Curaden Swiss.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 http://www.alinelamaita.com.br

*DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

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