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terça-feira, janeiro 19, 2021

Posso operar varizes e logo em seguida viajar de avião?

Apesar de não recomendado, é possível viajar de avião após recuperação completa do tratamento; porém, em casos em que não é possível desmarcar o voo, algumas dicas de movimentação das pernas podem ajudar


Apesar de não recomendado, é possível viajar de avião após recuperação completa do tratamento; porém, em casos em que não é possível desmarcar o voo, algumas dicas de movimentação das pernas podem ajudar


São Paulo – janeiro de 2021 - Recorrentemente pessoas que fazem procedimentos cirúrgicos para tratar as varizes têm dúvidas se podem ou não viajar de avião pouco tempo depois da cirurgia. Isso por que, como é de conhecimento geral, esse tipo de viagem pode trazer complicações àqueles que sofrem de varizes, especialmente se o trajeto for longo. O pior risco é da trombose dos viajantes, também conhecida como Síndrome da classe econômica. “Essa é uma doença rara, porém muito subestimada, considerando que a trombose pode acontecer até horas após o voo, quando a pessoa já está no seu destino”, explica a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. “A viagem de avião aumenta esse risco porque permanecer muito tempo parado sem movimentar a panturrilha diminui a velocidade do sangue dentro dos vasos. Além disso, temos a pressurização da cabine e ar condicionado em geral, que causam uma desidratação com consequente aumento da viscosidade sanguínea (deixando o sangue mais grosso); também bebemos, em geral, pouco líquido para evitar visitas ao banheiro do avião, piorando a desidratação; algumas pessoas gostam de tomar um tranquilizante para dormir durante o voo (o que aumenta mais o imobilismo); e o uso de bebidas alcóolicas piora o quadro”, explica a médica. Por esse motivo, é necessário ter cautela com viagens após a operação de varizes, que já indicam um problema vascular.

Segundo score de Caprini, que determina o risco inerente de trombose, uma cirurgia recente, em menos de 30 dias, é considerada um fator de risco para trombose. Sendo assim, o ideal é que se aguarde um período de 30 dias após qualquer procedimento cirúrgico para fazer voos de longa distância, com duração maior do que 3 horas. Porém, caso a viagem não possa ser postergada, existem medidas que podem ser tomadas para minimizar o risco.  A questão deve ser conversada com o médico que acompanhou o quadro, mas, de modo geral, explica a cirurgiã vascular, o passageiro que operou das varizes não deve manter as pernas na mesma posição durante todo o trajeto. “Principalmente nas viagens mais longas, procure caminhar pelo corredor sempre que possível; use meias de compressão orientadas pelo médico; movimente os joelhos, panturrilhas, tornozelos e dedos dos pés; beba bastante líquido; evite roupas apertadas e jamais passe todo o tempo sentado ou de pernas cruzadas. Outras medidas podem ser indicadas pelo médico, como o uso de anticoagulantes. Por isso o ideal é perguntar sempre ao cirurgião vascular para que ele possa orientar devidamente as medidas a serem adotadas”, recomenda.

Hoje em dia existem diversos procedimentos menos invasivos para tratar as varizes, incluindo o ClaCs e o laser endovenoso, ambos com recuperação mais rápida. De acordo com a médica, o Clacs é um procedimento que une laser não-invasivo e injeções de glicose (e não há problema para diabéticos). “Após a utilização do laser, a glicose é aplicada na veia (que já está sensibilizada com o disparo do laser). O fluxo de sangue fica lentificado e permite que a glicose permaneça mais tempo em contato com o vaso — que vai secar”, explica. No geral, de uma a três sessões, com intervalos mensais, resolvem o quadro. A recuperação é mais rápida e exige apenas uma semana sem exposição solar. Já o laser Endovenoso é feito sem cortes: a veia é puncionada e uma fibra é colocada através de um introdutor dentro dela. “A ponta da fibra é posicionada na virilha (guiada por ultrassom). A outra extremidade da fibra é então conectada a um aparelho de laser ou radiofrequência que vai liberar uma energia que queima a veia”, conta. “A fibra então é retirada lentamente enquanto a veia vai sendo cauterizada em todo o segmento a ser tratado. O interessante é que a veia não é retirada, ela vai ser queimada e se transformar em um cordão fibroso (uma cicatriz) não participando mais da circulação das pernas”, comenta. A recuperação dura de quatro a seis dias, mas a liberação ou não para voos deve ficar a cargo do médico que realizou o procedimento e saberá pesar o risco envolvido nessa decisão.

Por fim, a médica ressalta que, por ser crônica e hereditária, a doença não possui cura definitiva e os tratamentos visam apenas o controle do problema, melhorando a qualidade da circulação e a aparência estética das pernas. “Os tratamentos atuam direto sobre a veia doente e são definitivos para aquela veia, já que esta é normalmente retirada ou destruída, então dificilmente voltará a ter fluxo de sangue. No entanto, pode acontecer de novas varizes surgirem ao longo dos anos em outros locais ou então até na mesma posição. Por isso, a adoção dos cuidados de prevenção é tão importante: evite o sobrepeso, se alimente de maneira saudável, não use sapatos desconfortáveis com frequência, não fume e fuja do sedentarismo”, finaliza. 

FONTE: Cirurgiã vascular e angiologista, Dra. Aline Lamaita é membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine. Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a médica participa, na Universidade de Harvard, de cursos de pós-graduação que ensinam ferramentas para estimular mudanças no estilo de vida nos pacientes em prol da melhora da longevidade e qualidade de vida. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. http://www.alinelamaita.com.br/
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Redatora do Portal Splish Splash. Leia Mais sobre a autora...

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