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11/13/2020

Estudo mostra que meias revestidas com nanopartículas de óxido de zinco podem prevenir odor dos pés

A meia e o calçado, ao abafarem os pés, acabam intensificando o odor desagradável


Estudo apresentado no final de outubro no 29º Congresso da European Academy of Dermatology and Venereology mostrou que o odor desagradável nos pés, popularmente conhecido como chulé, pode ser evitado com um tipo específico de meia


São Paulo – 09/11/2020 - O nome técnico é bromidose, condição na qual a sudorese vem acompanhada de mau odor. Nos pés esse problema é popularmente conhecido como chulé. “Existem diversas causas para o problema, a sudorese excessiva pode ser constitucional de cada paciente ou pode estar relacionada com estresse, ansiedade ou obesidade. A falta de higiene também contribui para o mau cheiro. Os pés abrigam bactérias e essas metabolizam o suor e células mortas, eliminando gases como o ácido isovalérico e metanotiol, responsáveis pelo odor. A meia e o calçado, ao abafarem os pés, acabam intensificando o odor desagradável”, diz o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica Gru Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Mas uma nova pesquisa apresentada no 29º Congresso da European Academy of Dermatology and Venereology, que aconteceu no último dia de outubro, mostrou que meias revestidos em óxido de zinco em nanopartículas (ZnO-PN) pode prevenir a bromidose (o odor do pé) e queratólise palntar sulcada (infecção bacteriana que causa mau cheiro nos pés), reduzindo o impacto negativo que esta condição tem na qualidade de vida dos pacientes.

As meias revestidas com nanopartículas de óxido de zinco foram testadas em um cenário da vida real por pesquisadores do Hospital Siriraj, da Universidade Mahidol, na Tailândia. “Eles descobriram que a eficácia antibacteriana desse revestimento, junto com sua segurança e compatibilidade com a pele humana, tornou o composto perfeito para ser incorporado em tecidos, incluindo meias, para prevenir o odor desagradável dos pés”, afirma o Dr. Daniel.

O estudo duplo-cego, randomizado e controlado foi conduzido com 148 cadetes militares na Thai Naval Rating School. Bromidose e queratólise sem caroço são queixas comuns em militares, que sofrem com lesões nos pés. “O estudo demonstrou que aqueles com as meias revestidas com nanopartículas de óxido de zinco tinham significativamente menos mau cheiro nos pés em comparação com a linha de base. O grupo das meias sem revestimento experimentou chulé mais intenso, com maior efeito negativo em sua vida diária. Eles também descobriram que os participantes com as meias sem revestimento eram mais propensos a desenvolver queratólise plantar sulcada em comparação com aqueles com as meias revestidas”, afirma o médico.

Estudos anteriores já haviam demonstrado as propriedades antibacterianas das nanopartículas de óxido de zinco e a pesquisa apoiou-se nisso para testar a eficácia desta nova tecnologia em um ambiente da vida real. “Os resultados comprovam a eficácia das meias revestidas na prevenção da bromidose e na inibição do desenvolvimento de queratólise plantar sulcada. Essas meias podem ser uma nova opção de prevenção primária para militares e pessoas suscetíveis a essas condições constrangedoras e desagradáveis”, afirma o dermatologista.

Enquanto a tecnologia não chega no Brasil, o dermatologista diz que alguns cuidados podem ajudar a prevenir o problema, como: evitar o uso do mesmo calçado por dias seguidos, deixar os sapatos em um lugar bem ventilado após o uso, secar bem os pés após o banho, lavar bem os pés e as unhas, e usar talcos e sprays antissépticos ou cremes antitranspirantes orientados por dermatologistas. “Se houver vermelhidão e coceira nos pés, é fundamental buscar ajuda dermatológica para um diagnóstico adequado”, finaliza o médico.

FONTE: *DR. DANIEL CASSIANO: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutorando em medicina translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica. https://www.eurekalert.org/pub_releases/2020-10/sc-bnt102920.php

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