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11/09/2020

Entenda o que é e como funciona a gravidez por ovodoação

Gravidez por ovodoação


Com altas taxas de sucesso, procedimento é ideal para mulheres que sofrem com infertilidade, seja devido à menopausa, falência ovariana prematura ou outras condições pré-existentes.


São Paulo – 09/11/2020 - Engravidar é o sonho de grande parte das mulheres. No entanto, muitas delas enfrentam problemas de infertilidade, o que pode ser causado por uma variedade de fatores. “Nas mulheres, a principal causa de infertilidade é a idade, pois, devido ao processo de envelhecimento, há uma diminuição natural da quantidade dos óvulos. Além disso, condições como endometriose, síndrome do ovário policístico, malformação uterina e a presença de miomas e pólipos no útero também podem afetar as chances de a mulher engravidar”, afirma o Dr. Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH). Mas a boa notícia é que hoje em dia já existem muitas opções de tratamentos para mulheres que desejam ter filhos, mas não são capazes de engravidar, como é o caso da gravidez por ovodoação.


Ganhando cada vez mais popularidade nos últimos tempos, a ovodoação consiste, basicamente, na doação do óvulo de uma mulher para que seja fecundado em laboratório e implantado no útero de outra mulher, o que possibilita que a paciente engravide mesmo após ter esgotado todas as possibilidades de tratamento com os próprios óvulos. “Dessa forma, a gravidez por ovodoação é especialmente indicada para mulheres que já entraram na menopausa, sofrem de falência ovariana prematura, tiveram diversos abortos ou já passaram por inúmeros tratamentos de fertilidade sem sucesso”, afirma o médico.


Mas, afinal, como funciona a gravidez por ovodoação? De acordo com o especialista, o procedimento inicia-se pela realização de exames para garantir que a mulher possui capacidade de receber o embrião, que, caso seja positiva, é seguida pela busca por uma doadora de óvulos. “Apesar de ser menos comentada, a doação de óvulos é tão importante para os procedimentos de reprodução assistida quanto a doação do sêmen, sendo um ato solidário, anônimo e sem fins lucrativos que pode ser realizado por qualquer mulher com até 35 anos e que não possua doenças genéticas hereditárias”, destaca. “Sendo precedida por um processo de estimulação medicamentosa dos ovários, que dura cerca de dez dias, a coleta dos óvulos é realizada ao mesmo tempo em que a receptora prepara seu útero para receber o embrião. Feito sob o efeito de sedação, o procedimento de coleta consiste na inserção de uma pequena agulha na vagina que é guiada por um transdutor até os ovários para que os óvulos sejam aspirados”, explica o Dr. Rodrigo. Vale ressaltar ainda que o procedimento de ovodoação não interfere de forma alguma na capacidade reprodutiva da doadora, sendo perfeitamente seguro.


Após avaliação da qualidade dos óvulos coletados, o processo assemelha-se à fertilização in vitro, com o óvulo sendo fecundado em laboratório pelo sêmen, que também pode ser doado, no caso de gravidez por produção independente, ou coletado do parceiro da receptora. “Após a fecundação e um breve período de maturação, o embrião formado é inserido no útero na receptora através de um pequeno cateter guiado por ultrassom”, explica o médico.


Depois de cerca de 15 dias do implante do embrião no útero já é possível realizar exames para verificar a eficácia do procedimento, que, no geral, possui altas taxas de sucesso, com chance de gravidez de 50 a 60%. “Com a confirmação da gravidez, a gestação segue normalmente, sendo que a mulher deve realizar todos os exames pré-natais e adotar um estilo de vida saudável, alimentando-se adequadamente, evitando álcool e cigarro, dormindo bem, ingerindo bastante líquido e praticando exercícios físicos de forma moderada”, aconselha o especialista.


Por fim, vale ressaltar ainda que, ao contrário do que muitas mulheres pensam, a gravidez por ovodoação não torna a receptora menos mãe, afinal, é ela que carregará o feto durante toda a gravidez e garantirá que a criança cresça feliz e saudável. “Mas é importante lembrar que o procedimento deve ser profundamente discutido com seu médico, pois existe uma grande diversidade de métodos de reprodução assistida, que vão ser indicados de acordo com as necessidades e características do casal ou, em caso de produção independente, da mãe”, finaliza o Dr. Rodrigo da Rosa Filho.


*DR. RODRIGO DA ROSA FILHO: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.

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