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7/20/2020

Sexo Frágil? Pillar Gama, a DJ Menina Veneno, fala sobre como é ser mulher na cena musical e os desafios que enfrenta em sua rotina


'O meio ainda é muito machista e luto para mudar isso. Estamos melhores do que ontem, mas ainda falta muito. Temos que bater de frente e não aceitar o machismo calada', afirma a DJ e sócio da Festa Ploc, maior festa retrô do Brasil


Sócia e DJ da Festa Ploc, a maior festa retrô do Brasil, Pillar Gama, conhecida artisticamente como DJ Menina Veneno, não tem medo de se posicionar e mostrar seu valor em um cenário em que o sexo masculino ainda é predominante. Há 5 anos no mercado como DJ, a carioca de 33 anos diz que e uma luta diária e persistente para ganhar seu espaço:

“Sofro preconceito profissionalmente com muito mais frequência do que eu seria capaz de prever. No início, por ainda não estar acostumada a ser avaliada e ter que provar minha competência como DJ, fiquei um pouco assustada,  porém encarei com naturalidade. Pensava, o meio profissional é ‘assim mesmo’ e a mal acostumada era eu. Mas depois percebi que mulher quando assume posição de comando, se impõe e ainda por cima mostra competência, incomoda quem está tentando e ainda não conseguiu o mesmo e isso é muito mais expressivo e perceptível quando o incomodado é do sexo oposto. Estamos melhores do que ontem mas ainda falta muito para alcançar. Vamos bater de frente, não aceitar o machismo caladas e ajudar umas as outras”, explica.

O assédio também faz parte da rotina de Pillar. A empresária conta que por conta da exposição que seu trabalho a expõe, a imagem, o corpo, acabam sendo visto como algo público, algo que se pode opinar e ter até um sentido sexual: “Chega a dar nojo e vontade de virar a mão na cara de alguns. Ficamos vulneráveis, é constrangedor. É preciso aprender a se impor como mulher e profissional. Adoro essa troca com o público, mas quando ocorre de maneira respeitosa. Hoje prefiro ser taxada de antipática por alguém sem modos, desrespeitoso e inconveniente, do que me obrigar a aturar tudo isso sorrindo, como se não me incomodasse e não atrapalhasse o meu desempenho profissional”, afirma.

A DJ conta ainda que o número de homens DJs é absurdamente maior do que o de mulheres: “Para cada 100 DJs em posições de destaques, pasmem, apenas 8 são mulheres. Este meio ainda é muito machista. Temos que lutar todos os dias para mudar isso. Não permito que me desvalorizem como profissional, como pessoa, como mulher, mais uma vez digo: é preciso saber se impor”.

O início de tudo

Pillar descobriu sua vocação ainda na adolescência, aos 14 anos, quando pediu aos seus pais que montassem uma “boate” em algum ambiente de sua casa para receber seus amigos. “Eles trouxeram de São Paulo os melhores e mais profissionais equipamentos do mercado e foi um sucesso. Minha boate deu tão certo que entre os anos de 2003 e 2007 foi considerada uma das melhores da região, integrada à um ambiente c/salão de jogos completo, churrasqueira e piscina. O item mais elogiado da noite eram sempre meus sets, então, entendi naquela época que deveria ocupar o comando das pick-ups e que o meu lugar nas festas era mesmo ali, como DJ”, recorda.

No início, a DJ não pensava atuar profissionalmente como DJ. Atuava produzindo festas e eventos e foi adquirindo conhecimento e experiência: “Quando decidi atuar comercialmente já tinha bastante noção e feeling e fui me aperfeiçoando cada vez mais. Aprendi muito também com um grande profissional, DJ, mestre e amigo, o Michael Muller”, conta. A carioca dá ainda uma dica para quem deseja seguir, assim como ela, na carreira como DJ: “Mulheres, nós podemos tudo, até transformar sonhos em ganha-pão, desde que tenhamos os pés no chão. Desejo à todas, foco e determinação.

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