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11/20/2019

Primeiro romance de realismo fantástico brasileiro, de 1899, foi escrito por uma cearense feminista


Editora 106 relança "A Rainha do Ignoto", livro em que a cearense Emília Freitas critica intolerância religiosa, tortura e opressão às mulheres

Imagine uma comunidade na qual as mulheres dominam a tecnologia, possuem habilidades sobrenaturais e combatem a opressão sem qualquer interferência masculina. Essa utopia, que provocaria ceticismo em parte considerável da sociedade mesmo hoje, foi concebida por uma cearense ao fim do século XIX. Não bastasse isso, a obra traz também críticas à intolerância religiosa, à tortura e à arrogância da elite. Esse vanguardismo está presente em “A Rainha do Ignoto”, escrita pela cearense Emília Freitas e publicada pela primeira vez em 1899. A obra volta em novíssima edição revista e atualizada com assinatura da 106 Clássicos, selo de ficção da Editora 106, e a adição de prefácio e notas explicativas da professora e pesquisadora Constância Lima Duarte.

Dos mitos ao imaginário, do espiritismo à parapsicologia, “A Rainha do Ignoto” é uma obra pioneira em vários sentidos. O livro é considerado o primeiro texto longo de realismo fantástico brasileiro. Marcada pela brasilidade, a história é ambientada principalmente no Nordeste, mais especificamente no Ceará, onde as Paladinas do Nevoeiro formam uma sociedade autônoma e altamente desenvolvida, que se vale do poder da hipnose e da capacidade de se comunicar com o além para identificar e ajudar outras mulheres doentes, em desespero ou oprimidas pelos homens. Extasiado pela visão da líder daquela hoste, chamada “Funesta” nas intrigantes rodas de conversa da região de Passagem das Pedras, o Doutor Edmundo é capaz de tudo — até de se travestir — para desvendar os segredos da Rainha do Ignoto e suas seguidoras fiéis.

A obra está agora em versão atualizada e comentada pela professora e pesquisadora da literatura nacional Constância Lima Duarte.

Sinopse: Embora pouco conhecido na época de sua primeira publicação, “A Rainha do Ignoto” é um marco fascinante da literatura brasileira. É considerado o primeiro texto longo de realismo fantástico brasileiro, escrito por Emília Freitas, abolicionista, republicana, socialista, contra a pena de morte, contra a intolerância religiosa e contra a tortura no fim do século XIX. Com tons de literatura sobrenatural, conta a história de uma comunidade autônoma de mulheres no interior do Ceará e o fascínio que a líder desse grupo exerce sobre um ilustre visitante.

Sobre a autora: Emília Freitas foi uma das principais escritoras de sua época, ao lado de Francisca Clotilde e Úrsula Garcia. Fez parte da Sociedade das Cearenses Libertadoras, de caráter abolicionista. Lutou contra a censura e as limitações impostas à vida das mulheres. Nascida em Aracati, interior do Ceará, em 11 de janeiro de 1855, Emília Freitas era filha do tenente-coronel Antônio José de Freitas e de Maria de Jesus Freitas. Após o falecimento do pai, mudou-se para Fortaleza, onde estudou francês, inglês, História, Geografia e Aritmética. Em Manaus, às margens do rio Negro, escreveu seu principal livro, “A Rainha do Ignoto”, publicado em 1899, ao qual deu o curioso subtítulo “Romance psicológico”.

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