ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

10/30/2019

Autora Norte Americana Patricia Hill Collins Revela Ter Levado Calote de Editora


"Nem todas as mulheres negras tem as mesmas necessidades" ressalta Patricia Hill Collins
Por: Tâmara Oliveira Santana

Na manhã de sábado (19/10/19) a intelectual, escritora, professora emérita da Universidade de Maryland, esposa e mãe, Patricia Hill Collins, conversou com uma plateia intimista na casa de cultura Aparelha Luzia, local considerado quilombo urbano em São Paulo, idealizado e administrado pela deputada estadual de SP (PSOL), Érica Malunguinho.

Patricia está em visita ao Brasil onde participa de uma série de atividades entre o eixo São Paulo/Rio de Janeiro. Antes do encontro de sábado, promovido pela Marcha das Mulheres Negras de SP e a instituição alemã Fundação Rosa Luxemburgo, a autora foi uma das conferencistas do evento internacional “Democracia em Colapso?”, realizado pelo Sesc São Paulo e editora Boitempo.
Com jeito acolhedor, Hill falou sobre sua trajetória de vida; da vontade em aprender Português; ressaltou que nem todas as mulheres negras são iguais, que as necessidades são diferentes e podem variar de país para país. Entre um gole de água e outro, respondeu polidamente às perguntas da repórter do luso-brasileiro Portal Splish Splash, nossa “Rapidinha”, com a notável Patricia Hill Collins.

PSS- A comediante e  escritora norte americana Chelsea Handler lançou um documentário na plataforma Netflix chamado “Alô, Privilégio? É a Chelsea”, onde ela aborda os privilégios dos brancos nos EUA e mostra a diferença de igualdade entre negros e brancos na nação de Rosa Parks. Trabalhos como esse são válidos ou é uma jogada de marketing de uma profissional branca, querendo abocanhar um vasto público negro ao redor do mundo? 

PHC- Não assisti e nem ouvi sobre o documentário. Vou me aposentar em breve e então terei mais tempo para assistir Netflix. Mesmo não tendo assistido, acredito que trabalhos assim são bem vindos porque abordam o que de fato acontece, não importa se ela é uma profissional negra ou branca, o que vale é que ela está abordando um tema que  ainda é muito atual. Vou assistir em breve.

PSS- Como foi a experiência em trabalhar por um tempo ao lado de seu esposo, o também professor universitário, Roger L. Collins na Universidade de Cincinnatti? Ele era muito mandão?

PHC- Minha vida privada é bem reservada, não misturo a vida profissional com a vida pessoal. Sou casada há 42 anos, na nossa relação não há isso de quem manda ou desmanda, ou que temos que ser um casal invencível, nada disso. O que  acontece é que em alguns setores ele desenvolve melhor do que eu e em outros setores eu tenho um  melhor desempenho do  que ele e assim nós vivemos sem essa necessidade de dizer quem manda. Agora se sou uma boa esposa, isso tem que perguntar para ele. Risos
Encontro entre colegas: Professora Patricia,depois de uma conversa instigante sobre educação com a pedagoga,
tradutora e mestranda em Educação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, Sara Wagner York

PSS- Seu primeiro livro “Pensamento Feminista Negro” foi lançado em 1990, mas só agora em outubro de 2019 foi lançado no Brasil. Por que o Brasil demorou tanto para publicar sua obra?

PHC- Tudo tem seu tempo. Foi bom que só tenha acontecido nesse período em minha vida, sinceramente, se fosse antes não tenho certeza se saberia lidar com a fama e fortuna, talvez me trancasse em casa por não saber administrar. Eu era uma professora comum, que secretamente, junto com meus alunos, comecei a escrever “Pensamento Feminista Negro”. Muito desse livro é uma discussão minha com os meus estudantes. Esperei bastante tempo para poder publicá-lo, só queria o fazer quando eu estivesse certa e bem pautada de tudo que havia no livro. Quando isso aconteceu procurei uma editora pequena para o lançamento. Publicamos dois mil livros, de repente essa pequena editora foi comprada por uma grande editora em nível internacional, dez pessoas que estavam envolvidas no livro foram mandadas embora, porque a nova editora não tinha nenhum interesse em meu livro, até cheque sem fundo essa grande editora me deu, com o total descaso comigo e meu livro. As duas mil cópias acabaram e as pessoas me ligavam perguntando onde podiam comprar meu livro já que não os tinham mais no mercado e a editora não fazia mais cópias, eu simplesmente falava para as pessoas: “façam fotocópias do livro, sem problema algum”. Até que a editora foi vendida de novo, dessa vez para um grupo bacana que se interessou em meu livro e se tornou um sucesso. Hoje “Pensamento Feminista Negro” está traduzido em coreano, francês, espanhol e agora Português. Estou feliz como as coisas caminharam.

PSS- Muito obrigada! Dê lembranças ao seu esposo Roger e a sua filha Valerie.

PHC- (Nessa resposta a autora fez uma grande pausa). Estava “processando” para ter a certeza que estava escutando os nomes dos dois mesmo, não imaginei que alguém mandaria lembranças para os dois daqui do Brasil.

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Ainda dá tempo para conhecer, se encantar e aprender com Patricia Hill Collins no Brasil:

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DO LIVRO
"Pensamento Feminista Negro", de Patricia Hill Collins
Quando: Sábado 02/11/2019
Horário: 15h 
Onde: Livraria Simples
R. Rocha, 259 - Bela Vista, São Paulo - SP
Realização: Boitempo e Livraria Simples

LIVROS DA AUTORA AINDA NÃO PUBLICADOS EM PORTUGUÊS:

- On Intellectual Activism, Philadelphia: Temple University Press, 2012
- (co-edited with John Solomos) The SAGE Handbook of Race and Ethnic Studies, Los Angeles: London: SAGE,2010
- Another Kind of Public Education: Race, the Media, Schools, and Democratic Possibilities, Beacon Press, 2009
- From Black Power to Hip Hop: Racism, Nationalism, and Feminism, Temple University Press, 2006
- Black Sexual Politics: African Americans, Gender, and the New Racism, New York: Routledge,  2005
- Fighting Words: Black Women and the Search for Justice, University of Minnesota Press,  1998
-  (co-edited with Margaret Andersen) Race, Class and Gender: An Anthology, 1992, 1995, 1998, 2001, 2004, 2007, 2010

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