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8/13/2019

Tempo de criança - A fascinação pelos barquinhos e navios


A fascinação pelos barquinhos e navios

Todas as crianças, por norma, têm sonhos em função do que, fundamentalmente, vão presenciando. Hoje, com a internet e outras coisas tais, tudo é mais sofisticado, o que significa que o sonho é muito mais alto, paralelamente a tempos de outrora, mormente no meu tempo de criança nado e criado no bairro do Corpo Santo, conhecido por Bairro Oriental da cidade de Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, Portugal.

Morava no Adro Santo e sempre me fascinava os navios que aportavam à Baía de Angra. A carga e descarga dos lanchões que a transportava, maior incidência quando se tratava do embarque do gado para Lisboa. Mas o melhor ainda era quando chegava um navio carregado de trigo. Ali no Porto das Pipas, com uma pequena saca para ir apanhando uns grãos que caiam das camionetas transportadoras para depois ir vender ou guardar para o Natal com o fito de enfeitar o presépio da árvore de Natal.

Mas foi daí que passava o tempo pós-escola a brincar com uns barquinhos na relva do Adro Santo, perante os “velhotes” que lá se sentavam num banco de pedra em amenas cavaqueiras, na maioria dos casos descosendo na vida alheia. Eram também conhecidos por “Velhos do Restelo”.

Nunca deixei de gostar de barcos, de apreciar os navios e com toda essa “febre” viajei para Lisboa no navio Carvalho Araújo a fim de seguir para Angola, mobilizado pelo exército português, o que aconteceu no Paquete Pátria, com paragens na ilha da Madeira, Canárias, São Tomé e Príncipe e, finalmente, o destino final, o porto de Luanda, a capital angolana.

Hoje, meditando bem essa questão dos barquinhos e navios, revejo-me nos muitos colonos portugueses que, em tempos idos, rumaram para este Brasil. Hoje é diferente ao ser utilizado o avião como transporte, pela sua rapidez e claro pela sua comodidade. Mas confesso que, em 20 de agosto de 2004, seria capaz de vir de navio para o Brasil. Mas óbvio que o avião da TAP me esperava. Os tempos mudaram radicalmente em termos de transportes, ou seja, já ninguém pensa vir para o Brasil de navio como antigamente sucedia. Nesse sentido, ainda no domingo passado ouvi histórias de portugueses da ilha da Madeira que para cá se deslocaram de navio em precárias condições. Era o que existia na altura, situação que melhorou quando o Vera Cruz passou a fazer a rota do Brasil. Valha-nos isso!                                                                                                                                   

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