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8/22/2019

29 de agosto é Dia Nacional de Combate ao Fumo: cigarro dificulta cicatrização e inflama a pele


Além disso, quem fuma aparenta ter dois anos a mais que sua idade real, segundo estudo realizado na Finlândia, onde os efeitos da exposição solar são baixos. A pele ainda pode ficar mais ressecada. 29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo

Muito além da exposição solar, há um tipo de dano que afeta a pele por meio de um vício relativamente comum: o cigarro. Os compostos tóxicos do cigarro estão envolvidos em várias desordens cutâneas, como dermatites, ressecamento, inflamações, envelhecimento precoce, psoríase e até câncer de pele, como melanomas e carcinomas. “Os efeitos do fumo no envelhecimento foram avaliados no norte da Finlândia, onde os efeitos cumulativos da exposição solar são baixos. Os fumantes aparentavam 2 anos a mais que suas idades reais, enquanto os não-fumantes tinham uma média 0,7 ano a menos – justamente por conta dos baixos índices de radiação. O fumo é um dos principais fatores envolvidos no aparecimento de rugas, principalmente em fumantes pesados que fumam mais de 20 cigarros por dia”, afirma o farmacêutico Lucas Portilho, consultor e pesquisador em Cosmetologia e diretor científico da Consulfarma.

De acordo com Lucas, o tabagismo é associado com diversas desordens cutâneas, mas até então era desconhecido como o fumo influencia no fator natural de hidratação. Um estudo avaliou 99 homens, sendo que os fumantes foram classificados como fumantes leves e moderados (menos de 20 cigarros por dia) e fumantes pesados (mais de 20 cigarros por dia). “Foi demonstrado atraso na recuperação da barreira, variando de acordo com o local do corpo, com taxas negativamente relacionadas com o número de cigarros consumidos diariamente. Ou seja, fumantes pesados apresentam uma recuperação de barreira comprometida, deixando a pele mais ressecada, o que pode contribuir, em parte, para um aumento da prevalência de certas desordens cutâneas”, afirma Lucas.

A nicotina atua de forma negativa nas funções das células mais superficiais, estimulando o estresse oxidativo e a liberação de comunicadores pró-inflamatórios, isto é, que vão causar inflamação na pele, segundo Lucas. “Esses comunicadores podem beneficiar o reparo e regeneração da pele, mas quando ocorre uma inflamação excessiva, quando são ativados de maneira constante, eles podem prejudicar a função de barreira da pele.” O estresse oxidativo inibe a proliferação dos queratinócitos, prejudicando a renovação celular.

Além disso, a nicotina está envolvida em um processo de desregulação do equilíbrio da pele, então ela pode também estimular a produção de sebo e inibir a síntese de proteínas. “Com isso, os fumantes apresentam uma oleosidade maior nas áreas contendo muitas glândulas sebáceas e há pontos de ressecamento extremo em áreas com poucas glândulas sebáceas. Isso é ambivalente: ao mesmo tempo em que a pele está oleosa, ela está ressecada”, diz Lucas.

O especialista afirma que os resultados de uma metanálise que avaliou os artigos dos últimos 40 anos que relacionam Dermatologia e tabaco sugeriram forte associação com numerosas condições dermatológicas, por conta de alterações sanguíneas, reações inflamatórias e imunossupressão. “Com relação à alteração sanguínea, há um aumento da vasoconstrição e de danos à camada epitelial dos vasos, o que dificulta a cura de ferimentos e favorece problemas como tromboangeíte obliterante e doenças arteriais periféricas obstrutivas. Também há reações inflamatórias, pois há efeitos imunológicos excessivos induzidos pelo cigarro, favorecendo doenças como psoríase, dermatite atópica, acne e lúpus eritematoso”, afirma Lucas. “Por fim, com relação à imunossupressão, ela é causada pela nicotina, que pode contribuir para a patogênese da infecção por HPV, de melanoma maligno e também de tumores epiteliais e em mucosas”, diz o especialista.

Para tratar os problemas relacionados ao envelhecimento da pele, o especialista sugere, além do abandono do vício, o uso de cremes antioxidantes e altamente hidratantes. Por fim, Lucas lembra que é sempre importante consultar um médico dermatologista para que ele faça uma avaliação completa da pele e prescreva uma fórmula ideal para o tratamento das alterações.

FONTE: Lucas Portilho – Consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma e Pesquisador em Fotoproteção na Unicamp. Especialista em formulações dermocosméticas e em filtros solares. Diretor das Pós-Graduações do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele Educacional, Hi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Novas fórmulas. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos. Possui 17 anos de experiência na área farmacêutica e cosmética. Professor e Coordenador dos cursos de Pós-Graduação com MBA do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele Educacional. Coordena Estágios Internacionais em Desenvolvimento de Cosméticos na Itália, França, Mônaco e Espanha. Atua em desenvolvimento de formulações para mercado Brasileiro, Europeu e América Latina.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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