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22 de janeiro de 2018

Fogo Cruzado registra média de 16 tiroteios/ disparos de armas de fogo por dia na Região Metropolitana do Rio de Janeiro em 2017


Balanço anual de mapeamento colaborativo da violência armada condensa quase 6 mil notificações e detalha índices por municípios, bairros, escolas fechadas e número de vítimas, entre outras categorias;

Versão 2.0 do aplicativo notificará usuários sobre ocorrências em tempo real;

Cobertura da ferramenta será expandida para a Região Metropolitana do Recife (PE) a partir de março desse ano

Rio de Janeiro (RJ), 21 janeiro de 2018 – O Balanço Anual 2017 do aplicativo Fogo Cruzado, que mapeia de forma colaborativa a violência armada na região metropolitana do Rio de Janeiro, mostra que foram registradas 5.993 notificações de tiroteios e armas de fogo ao longo do ano passado, uma média de 16 por dia. O relatório, lançado hoje, ilustra a dinâmica e a sensação de insegurança provocada pela violência armada na região metropolitana no Rio, especialmente na capital carioca, São Gonçalo, Niterói e Baixada Fluminense.

O Balanço Anual 2017 é composto por uma série de infográficos que detalham indicadores como: bairros e municípios com mais notificações de tiroteios e disparos; índices de vítimas fatais e feridos; presença policial durante tiroteios; áreas com mais mortes de agentes de segurança pública; horários com maior incidência de tiros; ranking de áreas com UPPs que registraram tiroteios e disparos; mês com maior índice de vítimas; ocorrências em shopping centers; registros com 3 ou mais mortos civis; fechamento de escolas/ suspensão de aulas e até o número de animais atingidos por armas de fogo no período.

DESTAQUES
- O Rio de Janeiro foi o município da região metropolitana que mais registrou tiroteios/disparos de arma de fogo (3.967), seguido de São Gonçalo (589) e Niterói (311);

-  Na cidade do Rio de Janeiro, os bairros de Cidade de Deus e Complexo do Alemão são campeões de registros, com 175 notificações cada;

-  O município do Rio de Janeiro registrou ao menos 699 vítimas fatais em tiroteios/disparos de arma de fogo;

-  A UPP do Alemão, que cobre uma área maior que o Complexo, foi a que registrou mais tiroteios/disparos de armas de fogo com 193 notificações;

-  Foram registrados 20 tiroteios em shoppings localizados na Região Metropolitana. Ao todo, 5 pessoas foram mortas, sendo 3 Policiais Militares e 8 ficaram feridas, sendo 2 Policiais Militares;

-  165.804 alunos da rede municipal de ensino do Rio foram afetados com suspensão de aulas em ao menos um dia do ano; o bairro onde os alunos perderam mais aulas foi Acari, com 45 dias de suspensão de um total de 198 no ano letivo 2017;

-  56 ocorrências tinham registro de 3 mortos civis ou mais, num total de 219 vítimas fatais. A maioria foi registrada no Rio de Janeiro (34), seguido de São Gonçalo (8), Nova Iguaçu (5) e Duque de Caxias (5).

- 5 cachorros e 2 falcões foram baleados;

- Junho foi o mês com mais registros de tiroteios/disparos de arma de fogo, com 657 notificações, uma média diária de 22 ocorrências;

- A comparação dos dados do segundo semestre de 2016 com o mesmo período de 2017 indica que houve um crescimento de 28% no número de registros. Foram 3233 registros em 2017, contra 2525 no ano anterior.

- Do total de registros (5.993), foi possível identificar - através da imprensa e PMERJ - a causa em 1.656 dos casos. Os três motivos mais relatados são operação (346), confronto (334) e assalto (261).

VERSÃO 2.0
Também hoje está sendo disponibilizada a versão 2.0 do app para para download gratuito nos sistemas Android e IOs. A partir de agora, caso assim desejarem, os usuários poderão receber notificações de tiroteios/disparos de armas de fogo em tempo real; uma vez habilitada, a função será ativada automaticamente quando o usuário estiver em um raio de 3 km do local da ocorrência. O usuário poderá ainda optar por receber todas as notificações registradas no app.

“Nosso objetivo é melhorar a experiência do usuário, tornando a ferramenta mais útil e interativa para o cidadão comum e permitindo que ele seja um agente do mapeamento colaborativo da violência armada”, disse Cecília Oliveira, gestora de dados do aplicativo. “Continuamos a monitorar, moderar e verificar as publicações no site do Fogo Cruzado para reduzir o risco de spams e outros ruídos e gerar dados de qualidade que subsidiem o debate urgente sobre armas e segurança pública”.

Outra novidade é que jornalistas, pesquisadores, técnicos e público em geral poderão acessar filtros de busca para depurar informações no site do Fogo Cruzado de acordo com bairros, datas, vítimas e outros critérios, gerando relatórios personalizados. “Isso deve facilitar o acesso a dados específicos, ampliando o alcance e a usabilidade desse conteúdo em reportagens e políticas públicas sobre segurança. Qualquer cidadão pode saber o que acontece em sua volta e com que frequência ”, explica Cecília.

EXPANSÃO
Com a consolidação do aplicativo no Rio de Janeiro, que já tem mais de 120 mil downloads, o Fogo Cruzado será expandido e testado em outras praças brasileiras. Em março de 2018, a meta é implementar o projeto na Região Metropolitana do Recife. A capital pernambucana e arredores têm sofrido com altos índices de homicídios e violência armada, registrando 658 mortes violentas em 2016, de acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Assim como já ocorre no Rio de Janeiro, a proposta é trabalhar em conjunto com redes e pesquisadores locais que monitoram a violência para garantir a legitimidade e a consistência dos dados.

“Sabemos que existem variações nos vetores e nos impactos da violência armada nas diferentes regiões metropolitanas do país. O mapa do Recife provavelmente será diferente do que observamos no Rio de Janeiro, daí a importância de levar o aplicativo e o mapeamento para outros lugares que vivenciam graves problemas de segurança pública, mas nem sempre têm a mesma visibilidade”, analisa Cecília. “A experiência em Recife vai nos ajudar a compreender melhor a ocorrência de tiroteios e disparos de armas de fogo, alertando as pessoas sobre a ocorrência de tiros e então, dando a possibilidade de resguardar sua vida e ainda gerar dados que apoiem a elaboração de políticas públicas regionais adequadas para reduzir a violência”.

CASA NOVA
Para garantir autonomia nessa fase de expansão geográfica do Fogo Cruzado, foi realizada uma transição institucional. Originalmente desenvolvido e lançado pela Anistia Internacional Brasil em 2016, o Projeto tornou-se independente e autônomo da organização a partir de janeiro de 2018. O app é hoje um projeto licenciado para e integralmente gerido pelo Instituto Update e a Anistia Internacional não tem qualquer ingerência sobre o aplicativo. (leia a nota completa da Anistia Internacional no site da organização).

Com sede em São Paulo, o Instituto Update busca contribuir para a atualização da democracia latinoamericana através do fortalecimento do ecossistema de inovação política na região. Para tal, o Update se configura como um think and do tank, realizando pesquisas e experimentos de inovação política, em busca de uma América Latina mais democrática, com práticas políticas renovadas e mais participativas, organizações e indivíduos mais atuantes, para a construção de sociedades menos desiguais, mais justas e mais inclusivas.

Links para donwload gratuito para download em Android e iOs (disponíveis a partir do dia 17/01)

COMO FUNCIONA
Além de receber notificações de usuários diretamente via aplicativo, a equipe de gestão de dados do Fogo Cruzado recebe informações via whatsapp, mensagens diretas via Twitter e inbox do Facebook. No caso do whatsapp, só são consideradas fontes conhecidas e com as quais já existe relacionamento prévio, como coletivos, comunicadores e moradores ativos localmente.

A equipe do Fogo Cruzado também adiciona às bases de dados as informações recolhidas via imprensa e canais das autoridades policiais. Vale notar que as notificações publicadas no mapa do Fogo Cruzado são sinalizadas de acordo com suas fontes.

Quando chega a notificação de um tiroteio/disparo de arma de fogo, esta informação não é automaticamente publicada no mapa e nas redes sociais do aplicativo. Imediatamente, a equipe de gestão de dados cruza a notificação com scripts e filtros desenvolvidos para  agregar informações sobre disparos de arma de fogo na região metropolitana do Rio de Janeiro. Desta forma, é possível saber quem, quando e onde está se falando sobre o assunto de forma a cruzar informações sobre um mesmo tiroteio/disparo de arma de fogo. Após tal verificação, a notificação é  postada nas redes e o incidente fica em registro público.

LEIA TODOS OS RELATÓRIOS DO FOGO CRUZADO: www.fogocruzado.org.br
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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