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ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

5/22/2015

André Rieu à brasileira

      

  Rafael Rodrigues Costa

Você já viu este formato antes: músicas mais que conhecidas, pot-pourris, arranjos triviais, algumas pitadas de comédia e romantismo. A diferença é que, ao invés do baile de gala kitsch de André Rieu, é o universo das FMs que impulsiona o musical Toda Brasileira É Uma Diva, do pianista, arranjador, produtor musical e compositor Eduardo Lages, que se apresenta no Teatro Positivo nesta sexta-feira (22), às 21h15.

Conhecido como o maestro de Roberto Carlos, que acompanha desde 1977, o músico conta que, de fato, se inspirou no violinista holandês para criar seu espetáculo, em que reúne um punhado de canções que gosta desde garoto.

 “Ele toca músicas que as pessoas querem ouvir. Não tem nenhuma preocupação de fazer uma grande performance musical. Mas puxei para uma temática mais brasileira, com mais alegria e um pouco menos de saudosismo”, explica Lages, em entrevista por telefone para a Gazeta do Povo.

“O Brasil não tem cultura de música instrumental popular. Aqui é o país do cantor. Então, para você prender a atenção de uma plateia por duas horas, tem que fazer com que as pessoas participem. Como fazer isso? Tocando músicas que sejam do agrado delas”, ensina Lage.

Sucessos

Assim, o show passa por canções de diferentes gêneros da música radiofônica brasileira, como “É o Amor” e “Como Uma Onda no Mar”; resgata clássicos da MPB como “Maria, Maria”, “Eu Sei Que Vou Te Amar”, “Chovendo na Roseira” e “Carinhoso”; dispara sucessos dos Beatles; e faz apanhados de trilhas de novelas, canções infantis e sucessos de baile, além de uma ou outra canção do Roberto, dentre outros hits inabaláveis.

“É música que tem tudo a ver com a minha geração”, diz Lages, que completou 50 anos de carreira. “A única música do século 21 que tocamos é ‘Happy’ [Pharrell Williams]”, diz.
“O mais importante é a felicidade da orquestra, que se apresenta de forma totalmente descontraída. É quase um musical. Tem participação de trupe de atores, bailarinos. É uma coisa bastante divertida. E que, quando termina, normalmente deixa as pessoas felizes. É uma pena que passe tão rápido”, promete.

O espetáculo tem direção de Ulysses Cruz e roteiro de Vinícius Faustini.
Programe-se
Eduardo Lages & Orquestra – o Maestro do Rei em Toda Brasileira é Uma Diva
Teatro Positivo – Grande Auditório (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300), (41) 3317-3283. Dia 22 de maio, às 21h20. Assinantes da Gazeta do têm 40% de desconto na compra de até dois bilhetes por titular. Os ingressos custam a partir de R$ 66 (inteira) e R$ 36 (meia-entrada), de acordo com o setor, e estão à venda pelo serviço Disk Ingressos. Mais informações no Guia.
Parceria com o Rei

Para Lages, é o romantismo que define sua identidade musical. “Desde que comecei a estudar piano, ainda garoto, sempre gostei das músicas de Chopin, que era um romântico”, conta.

Ele diz que seu trabalho próprio não se confunde com o de Roberto. No entanto, não é por acaso que a parceria deu certo. O Rei começava a seguir justamente a linha romântica quando começou a trabalhar com Lages. “Ele já tinha saído do iê-iê-iê da Jovem Guarda e do soul, que foram coisas das quais não participei. Eu era mais ligado à bossa nova e à música romântica”, conta.

“Quando fui trabalhar com o Roberto, em 1977, me senti um estranho no ninho. Mas fui aprendendo o trabalho dele e reconhecendo o valor que tinham não só as músicas, mas a forma dele de cantar, principalmente pelas reações do público. Por isso, o chamo de o maior artista popular do Brasil”, defende.

Roberto Carlos não teria se acomodado sobre esta receita? “Acho que as pessoas têm razão [quando dizem que Roberto apresenta o mesmo show há anos. Mas, se Elvis Presley e Frank Sinatra fossem vivos, você iria querer ouvir o que eles cantavam há décadas atrás nos shows”, diz. “Com exceção, talvez, de ‘Quero Que Vá Tudo Pro Inferno’ e ‘Jesus Cristo’, a maioria que ficou eternizada na voz do Roberto acabou sendo romântica. E isso, de qualquer forma, temos que tocar.”

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