O fadista Fernando Maurício, falecido em 2003, é homenageado no dia 26 às 21:30 num espetáculo no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, cujas receitas revertem para a obra social da Casa do Artista, divulgou esta instituição.
O espetáculo faz parte de um ciclo de homenagens, iniciado no passado dia 02, que termina no próximo dia 23, com uma homenagem a Celeste Rodrigues, de 93 anos, criadora de “A lenda das algas”.
No espetáculo da próxima segunda-feira, às 21:00, participam os fadistas Ana Mauricio, sobrinha de Fernando Maurício, Artur Batalha, Dina do Carmo, Luís Matos, Pedro Moutinho, Teresa Tapadas e Maria Amélia Proença, que segundo a mesma fonte, “irão recordar alguns dos temas deste emblemático fadista”.
“Fui dizer-te adeus ao cais”, “Boa noite, solidão”, “Igreja de Santo Estevão”, “Eu nasci na Mouraria”, foram alguns temas de sucesso do repertório de Fernando Maurício, falecido aos 69 anos.
Os fadistas serão acompanhados, por Luis Ribeiro e Pedro Ferreira na guitarra portuguesa, Pedro Pinhal e Pedro Mourato na viola, e Luis Negamby e Miguel Gellpi, na viola baixo.
Nascido na rua do Capelão (mesmo em frente à casa da Severa), na Mouraria, a 21 de Novembro de 1933, Fernando Maurício apareceu pela primeira vez aos 13 anos no concurso João Maria dos Anjos, no antigo Café Latino, e ficou em 3.º lugar. A sua prestação foi de tal forma emotiva que a Inspecção-Geral dos Espectáculos, a título excepcional, o autorizou a cantar e a ter uma carreira profissional.
"Podia ter tido uma carreira extraordinária, pelos seus dotes interpretativos, mas descurou-a, pois não era vaidoso ou materialista", recordou, por ocasião da sua morte, o estudioso de fado, Luís de Castro, seu amigo de infância.
Luís de Castro recordou "o menino que cantava nas casas da Mouraria, no Chico da Severa ou na Taberna do Saloio”.
“Eu abria o ferrolho, abria a porta pela surdina e ia para a taberna. Depois punham-me em cima de uma pipa e eu cantava", afirmou Maurício numa entrevista em 1998.
Para o musicólogo Rui Vieira Nery, o fado de Fernando Maurício "assentava na identificação emocional imediata entre o fadista e cada um dos seus ouvintes". Foi muitas vezes identificado com o bairro da Mouraria que o viu nascer, mas como viria a confessar em entrevista: "O fado é o meu bairro".
Em 1969 recebeu o Prémio da Imprensa para o melhor fadista e durante 20 anos cantou aos microfones da então Emissora Nacional. Foi também um dos primeiros fadistas a cantar na RTP. Entre os vários prémios que recebeu, mas aos quais pouco ligava, contam-se os de Prestígio e Carreira atribuídos pela Casa de Imprensa (1985 e 1986).
A influência que teve junto dos fadistas da nova geração é directamente proporcional ao carinho que todos lhe têm. E isso mesmo foi constatado por uma jornalista da revista “Time” que, após assistir ao jantar de Fernando Maurício, em 2002, na Petisqueira de Alcântara, descreveu assim o encontro entre este e Mariza, uma das convidadas. “Ela aplaudiu-o e gritou efusivamente. Então, o rei do fado atravessou a sala e beijou-a com carinho, numa intensa manifestação de reconhecimento entre uma geração do fado e outra”.
“Todo ele era fado, na forma de estar na vida e na maneira única de estar. Deixou-nos uma grande herança”, disse Hélder Moutinho.
A fadista Argentina Santos - que com ele conviveu “desde pequenino” - salientou a “maneira única e rara de cantar o fado”. “Tudo o que ele cantava era fado”, frisou.
“Se alguém quisesse perceber o que era ao fado, bastava-lhe ouvir Maurício”, sentenciou.
Referindo-se à herança que Fernando Maurício deixa, a fadista disse: “Há hoje muitos Maurícios, seguem-lhe todos a pisada mas como eu digo, prefiro sempre o original”.
Acerca da carreira de Fernando Maurício, Argentina Santos considerou “não a ter gerido da melhor forma”.
“Recusava contratos por ter medo de voar e não ia aqui ou ali às vezes para estar com os amigos numa patuscada de fados, ou por outra nobre razão”, revelou.
António Rocha, de quem Maurício interpretou “Fui dizer-te adeus ao cais”, salientou “a maneira própria sem imitar ninguém” do artista, que definiu como “um verdadeiro estilista, grande companheiro
e amigo”, disse.
Para o poeta e fadista António Rocha, “Maurício é uma referência do fado no seu mais puro estilo bairrista e alfacinha”.
Em 2001 Fernando Maurício foi feito sócio de Mérito da APAF, recebeu a Medalha da Cidade e a comenda de Bem-Fazer pela Presidência da República.
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
Comentários
Enviar um comentário
🌟Copie um emoji e cole no comentário: Clique aqui para ver os emojis