Há muito que António Zambujo deixou de ser apenas um Fadista, passou a ser um musico que fruto de várias influencias musicais, deste o Fado à bossa nova, passando pelo Cante ou até pela música africana, criando uma sonoridade própria que divide opiniões, ou se gosta ou não se gosta, mas que não deixa ninguém indiferente.
Como musico, compositor e interprete, Zambujo faz uso de tudo o que absorveu ao longo dos anos, desde os seus tempos de criança em que ouvia os mais velhos cantarem à desgarrada, passando pelo cante alentejano, parando no Fado e nas histórias acerca do género que ouviu quando foi cantar para a Casa de Fados "Sr.Vinho" e depois seguindo uma longa viagem pela América do Sul (conhecida a sua paixão pela música brasileira), sem esquecer a música Africana.
Torna-se quase impossível definir Zambujo quanto ao género musical que interpreta, pois ao longo de dez anos foi construindo uma sonoridade muito própria, tão sua, que é cada vez mais de tantos de nós, como recordou ontem aquando do primeiro concerto no "Teatro da Trindade em que estavam para ai umas 20 pessoas, e agora estou dois dias seguidos no Coliseu".
António Zambujo tem uma voz agradável, mas o que mais atrai no seu canto é a forma singular com que entoa a melodia. As brincadeiras com a voz e a viola dão um encanto diferente ao seu canto.
O concerto de ontem teve como fio condutor o seu mais recente dico, "Rua da Emenda", "mas não esquecendo alguns temas dos discos anteriores".
Num alinhamento longo, nem por isso cansativo antes pelo contrário, o musico alentejano teve o primeiro grande momento da noite com o Fado "Foi Deus", em que acompanhado por Ricardo Cruz no contrabaixo deu uma nova vida a um tema triste, melancólico e intenso, transformando-o numa canção doce.
"Chematea" é uma música tradicional dos Açores, "o sitio mais bonito do mundo" para Zambujo, e que mostrou a enorme variedade cultural que Portugal oferece no panorama musical, uma das culturas mais ricas e claramente muitas vezes esquecida por nós.
Como "orgulhoso alentejano" que é, lembrou o Cante convidando "dois amigos meus da minha terra, que são fabulosos", Bernardo e Duarte Espinho, que com ele cantaram brilhantemente "Quinta-feira de Ascensão" e "Para que quero eu olhos". O Cante, cujas letras nos transportam para o que de mais genuíno temos como as tradições, a nossa história, o ontem que nos faz ter hoje e desejar um amanhã, ou simplemente para nos dizer quem somos, de onde viemos e de onde nunca devemos sair pois temos cá tudo o que precisamos, Portugal.
"Algo estranho acontece", "Reader´s Digest" e "Flagrante" serviram para colocar o publico a trautear letras antes de chegar a hora do "Pica do Sete", o mais recente single, que já é um sucesso e que mostra o lado bom de um revisor de transportes públicos, contrastando com a triste realidade.
Dois encores foi o que necessitou para saciar na totalidade um publico que se mostra cada vez mais rendido ao seu talento. António Zambujo conquistou por direito próprio um lugar de destaque na musica portuguesa, sendo dos músicos portugueses mais reconhecidos internacionalmente.
A viagem ontem no Coliseu terminou de "Lambreta" mas hoje há mais por descobrir, seguindo depois rumo a norte, Coliseu do Porto no dia 21.
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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