TIM MAIA marca gol de placa no 2015 da Globo

Segundo capítulo da minissérie de Luís Felipe Sá foi ainda mais emocionante…
Nelson Motta diz, definitivo: “A marca de Tim Maia era o excesso !”
Acabamos de assistir ao capítulo final da minissérie TIM MAIA – Vale o que Vier, baseada na biografia do notável cantor e compositor brasileiro escrita pelo jornalista e produtor musical Nelsinho Motta. E estamos tomados da mais tocante emoção: uma saudade funda da vibe do artista, uma tristeza grande por vida tão descuidada numa personalidade tão singular, e rapidamente saída do cenário por conta de sua própria instabilidade emocional e fraquezas sentimentais, as quais a série evidenciou com delicadeza, competência e humanidade.
A vida conturbada do artista que marcou uma época com sua voz poderosa, sua música de suingue contagiante e sua personalidade controversa corria paralela ao seu cotidiano doméstico, no qual eram notórios o descontrole entre razão-coração, e a instabilidade emocional que acabou por vencer TIM MAIA. O roteiro da minissérie é assinado por Patrícia Andrade.
Muito bom contar com o depoimento de Roberto Carlos, que iniciou carreira ao lado de Tim Maia, e um ponto crucial da fala do REI é dita no primeiro capítulo e repassada no segundo: “Tudo que ele cantava, ele valorizava. A música era boa, com ele ficava ainda melhor !”
Notável o depoimento intenso, emocionado e emocionante de Nelson Motta, que encerra afirmando: “Adorava Tim Maia porque ele era muito carinhoso comigo, vivi coisas incríveis ao lado dele, e nunca me diverti tanto ao lado de uma pessoa quanto me diverti ao lado dele”.
Em determinado momento, Nelson Motta conta de quando promoveu o encontro entre Tim Maia e Elis Regina, e ressalta que o que era pra ser um dueto, acabou mesmo sendo um ‘Duelo de Titãs’ – “porque os dois eram bons demais, tinham a mesma qualidade vocal e ambos queriam provar um ao outro que um era melhor do que o outro”. Privilegiado Nelsinho que pôde presenciar toda essa efervescência musical!
A minissérie TIM MAIA – Vale o que Vier tem ainda depoimentos significativos de Erasmo Carlos, o cantor Fábio (que foi um dos mais constantes e fiéis amigos de TIM), Roberto Talma, Hyldon, Caetano Veloso. Pontos para o resgate das imagens feitas para o programa ‘Chico e Caetano’, veiculado na TV Globo na década de 80: são imagens espetaculares do registro de um ensaio de Tim para o programa, que Roberto Talma (diretor competente e antenado) resolveu gravar como se fosse o momento definitivo. Sacada de mestre ! No dia em que seria a gravação, Tim Maia faltou !
A minissérie de Luis Felipe Sá, Nelson Motta e Patrícia Andrade é pois um precioso documento sobre TIM MAIA ! Quem perdeu, perdeu uma chance fabulosa ! Quem viu, fica com o gostinho de “Quero ver de novo” !
Além de um DVD, que deve vir a caminho, deixamos à TV Globo a sugestão de reprisar a minissérie em qualquer época deste ano no qual a emissora comemora seu meio século de atividades, aberto com muitos méritos com a feliz escolha desta minissérie sobre TIM MAIA.
Vamos ao elenco, muito bem escolhido diga-se: Robson Nunes faz o Tim da primeira fase (e a direção teve o cuidado de colocar Robson de novo no capítulo final cantando e tocando um dos grandes sucessos da carreira do artista). Babu Santana (o Tim Maia da fase de sucesso e problemas), Cauã Reymond (em interpretação fabulosa do cantor Fábio – Cauã nos faz esquecer completamente do jovem tantas vezes escalado como galã, mostrando que é Ator de muito talento e capacidade de transformação), Alinne Moraes (que além de muito bela, é atriz vocacionada e de indubitável competência), Laila Zaid, e ainda Valdinéia Soriano (egressa do bando de teatro baiano Olodum) que faz bonito ao compor com força, precisão de gestos e expressões, e matizes sentimentais sutis a mãe do complicado Tim.
Valendo-se das iniciais de seu nome, Tim chegou a criar a SEROMA – produtora de seus discos e shows. Mas a paixão por Janaína (a companheira vivida por Alinne Moraes) tem algumas interrupções e Tim Maia sofre demais com isso. O músico chega a assumir um filho de Janaína – Leo Maia -, e o próprio Leo aparece na minissérie e conta do dia em que Tim chega pra ele e diz “Cara, tu é meu filho do coração porque eu resolvi te assumir”.
LEO está na minissérie com um depoimento lindo sobre o pai. O outro filho, Carmelo Maia (responsável por todo o legado de TIM), também aparece contando traços marcantes da personalidade do artista, e Nelsinho Motta conta que Tim a vida inteira chamou o garoto de Telmo, embora o tenha batizado de Carmelo (os dois nomes vieram por sugestão de um guru no tempo em que Tim começou a frequentar uma seita e passou a ver tudo como “magnetizado”. Na hora de batizar o filho, foi pedir ao guru sugestão de nomes que não fossem magnetizados, e a escolha recaiu em Telmo e Carmelo. E na sua habitual confusão, Tim acabou ‘batizando’ o filho com os dois nomes.
Destacam-se a cena em que a polícia chega na casa dele em Londres e quer levá-lo preso por agressão à companheira e outra, quando Tim diz ao amigo Fábio (que ele chamava de Fabiano): “Meu irmão, o caminhão que atropelou a vida tinha meu nome escrito na placa”…
E o ponto alto: a cena em que Tim está chapado em casa, sozinho, mergulhado em profunda depressão, situação-limite absoluta. E a polícia chega, chamada por um vizinho. Os policiais chegam e, ao reconhecer que tratava-se de Tim Maia, ficam horrorizados com o estado em que o músico está e saem entre pasmos e querendo safar-se de futuros problemas. A cena tem ritmo, iluminação, atuação e trilha perfeitas: Babu Santana esbanja um talento que o Brasil inteiro precisa Aplaudir !
É assim também nas dolorosas cenas finais, nas quais Tim Maia aparece fazendo grosserias com um produtor, e também com amigos da música, transtornado pelo “tripé” que o consumiu – conforme bem disse Nelson Motta: maconha, cocaína e whisky.
As cenas nas quais Tim vai fazer seu último show no Teatro Municipal de Niteroi, sobe ao palco, mas não consegue cantar, e de lá sai direto para o hospital – intercaladas com imagens reais do artista e com Babu fazendo TIM, são arrepiantes !  Encharquei os olhos dágua ao lembrar da notícia da morte de Tim Maia, que foi tão chocante… ele tinha tanto ainda a fazer como Artista…
E lembrei de duas vezes nas quais preparei-me para ir ver Tim Maia cantando em shows em Fortaleza. A primeira vez, em meados dos anos 80: seriam dois dias de show, e como optei por ir no segundo dia, acabei no prejuízo: naquela temporada, Tim só foi cantar no primeiro show. O show para o qual comprei os ingressos não aconteceu porque Tim não apareceu… mesmo assim, ninguém do público saía chateado com ele.  A notícia de que ele não iria aparecer, sempre pegava o público do mesmo jeito: todo mundo terminava rindo porque sabia que aquilo era típico de TIM e de sua aura mística.
Noutra ocasião, aí já no final dos anos 90 – logo depois, Tim faleceu -, fui a um show de TIM MAIA e deu certo: ele foi e fez bonito ! Arrasouuu ! Casa cheia, plateia cantando em uníssono, dancei e cantei a noite toda. Lembro de Tim com uma camisa prateada bem brilhosa. O cenário era o BNB Clube e, ao final do show, fui ao camarim falar com ele, que tinha vindo acompanhado do saudoso Almir Chediak (autor do songbook de TIM). Recordo-me como se fora hoje a forma amistosa com que fui recebida: Tim muito simpático e falante, e a primeira coisa que me disse quando fui cumprimentá-lo foi “O que é que uma moça bonita como você faz ao lado de um camarada feio como esse ?” Coisa típica do inesquecível Tim Maia…

Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998) esteve sempre metido em encrencas e trapalhadas. A minissérie vai mostrando isso em seus dois capítulos: é hilário, por exemplo, o dia em que chegam para mandá-lo sair do terreno onde estava sua casa, a casa que ele mesmo mandara construir há pouco tempo: só depois de já estar morando nela, ele próprio descobre que o terreno já tinha outro dono. Ao mostrar essa pequena mas significativa passagem da vida de TIM, a minissérie opta por oferecer ao espectador a oportunidade de ele mesmo fazer seu próprio perfil de TIM Maia, e nisso está seu maior mérito. Dentro do tempo disponível para se traçar a biografia de um artista, cremos que as partes mais relevantes foram focadas e com esmero. É claro que duas horas não são suficientes para narrar, de modo integral, a trajetória conturbada, polêmica e notadamente criativa de um artista como TIM MAIA. Mas a obra audiovisual é sempre um recorte, e o recorte assinado pela GLOBO Filmes é um acerto!
 A minissérie deixará em muitos – assim como o filme – uma vontade de conhecer mais sobre vida e obra de Tim Maia. O livro de Nelson Motta – VALE TUDO – O Som e a Fúri de Tim Maia -, e uma profusão de vídeos na web se encarregam de valorizar essa vontade e aprofundar a pesquisa.
A minissérie, conduzida com a locução do próprio Tim Maia (em sua versão Babu Santana) começa com o artista sentado, de paletó, dizendo “Preto, gordo, cafajeste e abusado; eu tinha tudo contra mim”. 
#AplausoBlogAuroradeCinema para Babu Santana: um irretocável Tim Maia
Valdinéia Soriano é a mãe de Tim em cenas intensas e bem interpretadas…
Elenco
GEORGE SAUMA
LUIS LOBIANCO
LAILA ZAID
MALU MAGALHÃES
BABUZINHO SANTANA
VALDINÉIA SORIANO
PAULO CARVALHO
DOUGLAS ROSA
TITO NAVILLE
MARCO SORRISO
JONATHAN AZEVEDO
BRYAN RUFFO
ANDRÉ DALE
BLAKE RICE
JOYA BRAVO
JOHN REESE
ARY BENTON
CHRISTOVAM NETO
RICARDO FERREIRA
MARIAH DA PENHA
Tim Maia: nome inesquecível da MPB
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