Produtor de Ribeirão fala sobre relação de Roberto Carlos e Tim Maia

O produtor Jairo Pires mostra os discos de platina e de ouro que recebeu junto com Tim Maia (Foto: Matheus Urenha/ A Cidade)
 A relação entre Tim Maia e Roberto nunca foi um mar de rosas. Que o diga o produtor e diretor artístico Jairo Pires, que trabalhou com Tim por mais de duas décadas, em 13 discos, e testemunhou os sucessos e as agruras do amigo até o final de sua vida.
Essa animosidade, que teria nascido no final dos anos 1950, quando a dupla integrava o quarteto Os Sputniks, tem sido o centro de uma polêmica desenrolada em redes sociais desde que a Globo exibiu, no fim de semana passado, um docudrama sobre a vida de Tim. Para os mais críticos, a versão televisiva teria “pegado leve” com Roberto Carlos, considerado um dos desafetos do cantor e compositor, falecido em 1998.
Tudo porque, antes de o grupo ganhar projeção, Roberto já teria providenciado sua carreira solo junto ao produtor e apresentador Carlos Imperial [uma lenda na cena musical do País] sem que os companheiros soubessem.
“E quando Tim voltou dos Estados Unidos, ele não teria encontrado espaço junto à Jovem Guarda, algo que o deixava muito sentido. Mas posso garantir que foi o Roberto que indicou o Tim para a CBS. E foi lá que ele gravou seu primeiro compacto”, comenta Jairo, que trabalhava na gravadora na época.

Violão
Tim vivia dizendo também que teria ensinado o Rei a tocar violão. Coisa que o produtor confirma.
“O estilo do violão do Roberto é muito parecido com o do Tim. Quem conhece sabe”, ressalta.
Mas Jairo, carioca da gema que hoje vive em Ribeirão Preto, onde comanda a sua gravadora Lança Disc, afirma que preferiu não assistir ao especial desde o momento em que viu as chamadas na TV.
“Vi que iriam falar muito da questão das drogas, da vida pessoal, e o profissional ficaria em segundo plano. Não queria ficar triste assistindo aquilo, porque ele era meu amigo”, argumenta.

Tim era trabalhador e organizado, diz Jairo
A minissérie “Tim Maia - Vale o que Vier”, que foi ao ar em dois dias na semana passada, é uma versão da Rede Globo para o filme “Tim Maia”, lançado em 2014 em cinemas de todo o País. O filme, por sua vez, é baseado na biografia escrita pelo jornalista Nelson Motta.
Jairo Pires diz que nem mesmo o livro de Nelson ele conseguiu ler inteiro. “Adoro o Nelsinho, mas o problema é o mesmo [da minissérie]. Tim era um cara trabalhador, organizado e que acordava cedo. No estúdio, chegava com tudo na cabeça: as músicas, os arranjos, tudo pronto. Era um gênio! Mas desse lado ninguém fala”, desabafa.
O produtor afirma que estava presente no fatídico show no teatro Niterói em que Tim passou mal no palco e acabou morrendo dias depois.
“Eu já morava em Ribeirão e ele me mandou os convites para que pudéssemos assistir ao show. Vi tudo da plateia e foi uma tristeza muito grande quando ele saiu de lá numa ambulância”, conta.

Tim morreria no dia 15 de março de 1998.


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