Só Roberto Carlos sabe se cena de desprezo a Tim
é real, diz Erasmo
Leonardo Rodrigues
Do UOL, em São Paulo
A polêmica cena do filme "Tim Maia" em queRoberto Carlosesnoba o"Síndico"nos bastidores de um show, excluída
pela Globona versão adaptada para a TV, trata-se,
provavelmente, apenas de uma decisão artística do diretor Mauro Lima. Uma forma
de dar ainda mais tempero a já atribulada relação entre os ex-colegas da banda
The Sputniks. A opinião é do cantorErasmo Carlos, que conviveu com Tim na
infância, no bairro carioca da Tijuca, e, anos depois, chegou a acompanhá-lo
fazendo backing vocal, quando integrava o grupo beat The Snakes.
"Não vi o que aconteceu, porque não estava presente na hora. Quem pode
saber mesmo são só o Roberto e Tim, que está morto. Mas eu nunca vi na minha
vida nenhuma equipe de nenhum artista fazer uma coisa parecida com o que o cara
faz no filme", diz Erasmo por telefone aoUOL,
descrevendo o momento em que Roberto pede a um assistente que dê dinheiro a um
Tim ainda na pindaíba, nos anos 1960, antes de conseguir se lançar como cantor.
Na
cena, as notas são amassadas e jogas rispidamente no chão. Antes disso, Tim
ainda é recebido com desdém, ganhado botas usadas das mãos de Roberto Carlos.
Toda essa passagem do filme foi limada pela Rede Globo, que preferiu mostrar um
depoimento do próprio Roberto, contratado da emissora, elogiando o amigo e
exultando como ele, o Rei, foi importante para o sucesso de Tim.
A polêmica cena do longa "Tim Maia", do diretor Mauro Lima, em que Roberto Carlos esnoba o cantor, dando botas usadas e pedindo para um assistente dar dinheiro ao ele. Passagem foi substituída pela Globo no especial para a TV
Para Erasmo, a estratégia
da Globo de, em nome do didatismo, cortar cenas e inserir depoimentos à
história, incluindo o dele, o de Roberto e o de Caetano Veloso, simplesmente
não funcionou.
"Cortaram
muita coisa que eu falei, bicho. Não achei que acrescentou nada, não. Preferia
ter visto o filme todo. Tive que ver o filme no dia seguinte, pra saber como
era. Falei pra caramba. Contei um monte de caso da minha história com o Tim,
que é só minha e dele", diz o "Tremendão", que diz ter sido pego
de surpresa após a entrevista.
"Eles
me convidaram para dar um depoimento sobre um especial do Tim Maia. Fiz isso
que me pediram. Mas eu não sabia que seria usado no filme, que iriam editar o
filme em cima dele."
O
eterno parceiro de Roberto Carlos, no entanto, não ficou na bronca por seu
personagem, a exemplo de vários outros, ter sido ignorado na trama, inspirada
no livro "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", de Nelson Motta.
"Eu
fui amigo do Tim na infância. E o filme não aborda muito essa parte. Cheguei a
gravar música dele, o levei para gravadora, mas nossa história juntos na música
é pequena. Nunca participei de grupo com ele. Quando criei o meu Snakes, a
gente cantava com o Roberto e também com o Tim. Logicamente, a história do
vocal que o acompanhava não tem uma relevância tão grande na trajetória."
Do UOL, em São Paulo
"Não vi o que aconteceu, porque não estava presente na hora. Quem pode saber mesmo são só o Roberto e Tim, que está morto. Mas eu nunca vi na minha vida nenhuma equipe de nenhum artista fazer uma coisa parecida com o que o cara faz no filme", diz Erasmo por telefone ao UOL, descrevendo o momento em que Roberto pede a um assistente que dê dinheiro a um Tim ainda na pindaíba, nos anos 1960, antes de conseguir se lançar como cantor.
Redatora do luso-brasileiro Portal Splish Splash. VER PERFIL
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