'O renascimento do parto' conta com histórias de sorocabanos


Carla Arruda (sentada) e a doula Letícia Arruda (em pé) durante o 
nascimento de Eloísa - Foto: Fabi Ribeiro 

Giuliano Bonamim 

O filme O renascimento do parto estreia hoje em Sorocaba, às 21h50, na sala 1 do Villàggio Shopping. A cidade é a única do país, sem ser capital estadual, a exibir o documentário na telona. A escolha não é à toa, pois aproximadamente dez personagens do documentário moram no município e ajudaram a financiar a exibição nos cinemas. O renascimento do parto é dirigido pelo casal Eduardo Chauvet e Erica de Paula. Ela, envolvida no movimento de humanização do parto desde 2009, levou o assunto ao seu marido, bacharel em Comunicação e especializado em produção audiovisual. Juntos, tiveram a ideia de produzir o documentário.

Uma mobilização foi feita para o documentário ser exibido nos cinemas. Parte desse dinheiro arrecadado teve a ajuda do grupo Ishtar, situado em Sorocaba, voltado à humanização do parto e nascimento. "Nos mobilizamos, entramos em contato com o cinema e com a produção do filme, enviamos e-mails, fizemos campanha no Facebook e conseguimos que o filme ficasse uma semana em cartaz em Sorocaba", comenta Carla Arruda, 29 anos, uma das organizadoras dessa mobilização.

A própria Carla aparece no filme, durante o nascimento de sua filha Eloísa ¿ atualmente com 1 ano e meio. "Só estou na expectativa de saber se aparecem somente fotos ou uma parte da gravação do parto", comenta. Segundo Carla, aproximadamente dez sorocabanos integram o documentário. "São as gestantes, doulas (profissional que acompanha a gestante antes, durante e após o parto) e fotógrafos", diz.

Quem também ajudou no financiamento coletivo para que o filme fosse exibido nos cinemas foi a socióloga Carolina Darcie, 31. Ela não aparece no documentário, mas apoia o parto humanizado. Tanto que a sua segunda filha, Teresa, nasceu em sua própria casa em Sorocaba. "Eu queria que o parto fosse um evento familiar, não queria intervenções na recém-nascida e queria ser dona do processo", diz. "Não queria simplesmente deitar em uma cama e obedecer ordens médicas, passando por intervenções desnecessárias e orientadas pela lógica do dinheiro. Queria ser dona do meu corpo e do meu parto", completa.

A história de O renascimento do parto retrata a grave realidade obstétrica, caracterizada por um número alarmante de cesarianas ou de partos com intervenções traumáticas e desnecessárias. O filme questiona o modelo obstétrico atual e o futuro de uma civilização nascida sem os chamados hormônios do amor, liberados apenas em condições específicas de trabalho de parto.

A pesquisa para a produção do filme começou em 2011, mesmo ano das primeiras entrevistas gravadas. A escolha dos personagens também foi criteriosa, pois a ideia era apresentar ao mesmo tempo experts no assunto e mães e pais que viveram as mais diversas experiências de parto. A estreia do filme em Sorocaba rendeu até uma página no Facebook. O espaço tem sido usado para debater o assunto e atrair o público ao cinema. Até ontem, um total de 108 pessoas já havia confirmado presença para acompanhar a primeira exibição em Sorocaba. 


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