Cara romântico, Rei entra no baile funk sem perder pose de conquistador



Resenha de CD
Título: Esse Cara Sou Eu
Artista: Roberto Carlos
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * *



"O que é meu, eu cuido e não me distraio", avisa Roberto Carlos
em verso de Furdúncio, o funkmelody que compôs com Erasmo Carlos
na linha light dos sucessos de MC Leozinho e da extinta dupla
Claudinho & Buchecha. O verso deixa entrever visão possessiva 
e machista da mulher-objeto que, por ser alvo de muitos 
admiradores, cria furdúncio por onde passa. 
Sim, Roberto Carlos entra no baile funk sem perder a pose de 
conquistador e latin lover alimentada desde os tempos da 
Jovem Guarda. Gravado com  o DJ Batutinha e o tecladista 
Tutuca Borba, o funkmelody do Rei preserva o estilo de 
sua majestade. 

Ainda assim, Furdúncio é a maior novidadede 
Esse Cara Sou Eu, CD com quatro músicas
reedição do formato do velho compacto duplo - 
lançado pela Sony Music neste mês de novembro
de 2012, no lugar do prometido - mas nunca cumprido - 
álbum de inéditas de Roberto Carlos. Neste single
duplo, as inéditas são apenas duas. Além de Furdúncio, 
o cada vez menos profícuo compositor apresenta a 
balada que dá título ao disco, Esse Cara Sou Eu
cedida (assim como o funk) para a trilha sonora da
novela Salve Jorge, recém-estreada pela TV Globo. 

Mesmo sem sequer roçar a beleza das clássicas 
canções de amor do artista, Esse Cara Sou Eu 
é boa balada de romantismo derramado, gravada 
com as adesões de Chocolate (bateria) e 
Jorge Aílton (baixo), músicos que formam a 
azeitada cozinha da atual banda do cantor e 
compositor carioca Lulu Santos. A estrutura da 
canção é simples, mas enreda o ouvinte. 
Bem mais do que A Mulher que Eu Amo,
(também boa) balada lançada na trilha sonora 
da novela Viver a Vida (TV Globo, 2009) e 
até então nunca incluída na discografia oficial 
de Roberto Carlos. 

Completa o single duplo a gravação de A Volta
feita em 2004. Música de Roberto Carlos com 
Erasmo Carlos, lançada com sucesso pela 
dupla Os Vips em compacto de fevereiro de 1966, 
A Volta tinha permanecido inédita na voz de Roberto 
até a gravação feita para a trilha sonora da novela 
América (TV Globo, 2004) e incluída no CD 
Pra Sempre ao Vivo no Pacaembu (2004).
Mudam os ritmos e os tempos, mas o CD 
Esse Cara Sou Eu sinaliza que Roberto Carlos 
jamais perde a pose de conquistador romântico. 
Por isso mesmo, sua majestade se recusa a
entrar no baile da pesada.

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