Tive o privilégio, e porque não dizer também uma enorme
honra, em ter colaborado para vários jornais e rádios sediadas no Canadá e nos
Estados Unidos, países onde pululam milhares de emigrantes portugueses, muitos
deles oriundos das ilhas açorianas. Mas há que dizer, ainda, que quero incluir
aqui os brasileiros radicados nos dois referidos países. Afinal, falam a nossa
língua e sempre foram considerados irmãos, pese embora o fato de, ultimamente,
terem aflorado tricas desnecessárias, mas isso, bem vistas as cosias, faz parte
da mentalidade de cada um, quer português quer brasileiro, mesmo ao nível de
governantes, que não estão fora desta questiúncula.
Com 48 anos de carreira – tenho que falar de mim para ligar
o fio à meada -, passei por todas as situações em termos de meios técnicos –
telefones com chamadas pedidas para a operadora, depois a linha direta, telex,
fax e, por último, a internet, que fez mudar muita coisa. Sem dúvida, um grande
avanço da tecnologia -, mas, por volta dos anos 70, a convite do meu querido
amigo Jorge Machado, figura muito conhecida em Toronto, passei a colaborar com
o programa radiofónico “Sol de Portugal”, programa esse com muita audiência
naquela zona. Porque sempre tive grande admiração pelo Jorge Machado, procurei
sempre cumprir com a minha missão de preparar umas notícias atualizadas para
lhe enviar. E como fazer naquela altura? Atendendo aos meios que dispúnhamos,
viu-me obrigado, quase sistematicamente, a ter que viajar para o aeroporto a
fim de conseguir um passageiro que levasse o tão esperado envelope que continha
as notícias por mim preparadas. Era um corre-corre para lá chegar duas-três
horas antes do avião com destino a Toronto saísse do nosso aeroporto. Sempre
conseguia uma pessoa com boa vontade para colocar na sua bolsa o envelope da
ordem para, de seguida, no Aeroporto Internacional de Toronto, o deixar nos
escritórios da TAP, local mais aconselhável para o Jorge Machado recolher a
“minha encomenda”, como eu sempre dizia por brincadeira.
Pensando que não, este lufa-lufa ainda durou mais do que um
ano. Mas são estas coisas que sempre recordamos com saudade: o querer servir um
amigo despretensiosamente. O querer servir uma comunidade que estava sempre
ávida por notícias da sua terra. Hoje, porém, tudo é diferente, de harmonia com
a tecnologia que foi avançando: chamadas telefónicas feitas diretamente, telex,
fax e internet. Hoje, com a internet, muito coisa se faz em termos de rádio,
dispensando, na maioria dos casos, os colaboradores do exterior. Aliás, isso se
tem verificado em muitos OCS: a internet motivou um decréscimo de despesas,
incluindo em relação ao número de profissionais, constatando-se redução nos
respectivos quadros.
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