O Baú do Carlos Alves (60)





BRASIL MEU BRASIL BRASILEIRO (publicado no site MAIS DE 50 ANOS)

Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com

Sempre ambicionei um dia visitar ao Brasil, pretensão que reforcei quando estive na Copa do Mundo em Espanha, onde conheci muitos brasileiros, maior incidência na cidade de Sevilha. Com eles me envolvi nos bons e maus momentos do “escrete” – até hoje mantenho no meu espírito que somos irmãos, pese embora algumas divergências que ocorreram posteriormente e que, penso, ensombraram as relações entre Portugal e Brasil.

Jornalisticamente nunca tive a oportunidade de aqui me deslocar. Sabia, de antemão, que era difícil. Porém, nunca desisti dessa tentativa. Esse dia, de uma forma ou outra, havia de chegar. E chegou para gáudio da minha pessoa. A 20 de agosto de 2004, finalmente, concretizei esse antigo sonho, começando por me fixar em Carmo, cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro. Carmo, “cidade bela” (frase do seu hino), com cerca de vinte mil habitantes. Lá estive até 26 de dezembro desse mesmo ano, rumando depois para Niterói. Adorei Niterói, mas sem nunca esquecer que, para os carmenses, fui sempre “personna grata”. Digamos, em relação a Niterói, que foi mesmo “amor à primeira vista”. Vim de visita e acabei por ficar, curtindo a vida dentro do melhor possível. Mentiria se dissesse que não tenho saudades da minha terra, da minha família, dos meus amigos, do “meu jornalismo”. Claro que já passei a fase do corre-corre, do stress elevado, das agendas sempre adiantadas uma semana, das discórdias com paginadores e compositores, de engolir sapos vivos em prol dos órgãos que servia, mas, contudo, sem perder o contacto com os jornais por onde passei. A internet me dá essa possibilidade. Penso tantas vezes naquela célebre frase do meu companheiro de “A Bola”, Carlos Alberto da Silva Pinhão (já falecido), “ai que saudades, ai, ai”.

Invertendo agora as situações, o outro desejo (o segundo) passa por um dia ir novamente a Portugal para abraçar todos aqueles que me rodearam (e ainda continuam acompanhando os meus escritos em A União, Portal Splish Splash e sites na internet) ao longo de quase cinco décadas de efetivo jornalismo. Pelos que já faleceram, rezarei uma Ave-Maria.
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