Ela sempre esteve à frente de seu tempo



Roberto Carlos e Hebe

Gisele Vitória

O Rei chegara cedo ao Palácio dos Bandeirantes, às 19h36, e de lá partiu perto das 23h, depois de se aproximar mais uma vez do corpo de Hebe Camargo, fazer as últimas orações, segurar a mão da apresentadora e beijar-lhe a testa. Na chegada ao velório, Roberto Carlos chorou diante da rainha da tevê. “Hebe representa muito para o País. Ela é um símbolo de alegria e vai ficar no coração de todos nós. Viva Hebe”, declarou.

Durante quase três horas em que passou no velório, na área reservada aos parentes e amigos, Roberto esteve perto do amigo Tom Cavalcante e
sua mulher, Patrícia, e de Suzana Lamounier, braço direito do cantor e sogra do humorista. Recebido pela família de Hebe e pelo governador
Geraldo Alckmin, ele também conversou com o apresentador Serginho Groisman, a atriz Bruna Lombardi, Ronie Von e a atriz Lolita Rodrigues.

Foi carinhoso e gentil com o público que se despedia de Hebe na fila vagarosa que cruzava o salão do Palácio em torno do caixão. Ao vê-lo ali – tão real e sempre majestoso – as senhorinhas de Hebe o saudavam amorosamente. Algumas passaram por baixo do cordão de isolamento para abraçá-lo. Uma delas, ao vê-lo conversando com Ronie Von, correu para um abraço: “Vocês são meus amores!” Roberto retribuiu.

A hora era de saudade e, junto com quem conviveu com Hebe em diferentes momentos da vida, o Rei ouviu e relembrou histórias da apresentadora. Escutou atentamente Lolita Rodrigues contar passagens com a velha amiga de adolescência e, quando a atriz de 83 anos lhe
disse “agora só falta eu”, Roberto a confortou com uma brincadeira carinhosa: “Não tenha pressa.”

 Depois de ouvir Serginho Groisman contar a força que Hebe lhe deu em seu início de carreira e sorrir com os gracejos de Tom Cavalcante sobre a rainha da tevê, foi a vez de Roberto relembrar suas histórias com ela, a pedidos. “Quando eu conheci a Hebe, ela ainda não me conhecia”, disse o Rei ensaiando um riso generoso, quando eu lhe perguntei quando tinha sido isso:

Roberto, quando exatamente você conheceu a Hebe?

Quando eu conheci a Hebe, ela ainda não me conhecia. Ela era cantora e eu a assistia pela televisão. Depois, ela me convidou e fui ao programa dela na Record (na estreia de Hebe, em 1966). Ela me entrevistou. Eu tinha uns 20 e poucos anos. Foi na época da Jovem Guarda. Logo após, eu fui uma segunda vez ao programa dela.

Vocês nunca tinham cantado juntos no passado?

Acho que não. Nunca cantamos juntos antes. Foi mesmo agora, recentemente. (No especial Elas Cantam Roberto, show no Teatro Municipal de São Paulo em 2009 em homenagem aos 50 anos de carreira do Rei, e em um show beneficiente em novembro de 2010.)

Naquela época, ela já era loura, já tinha esse jeito Hebe de ser?

Já era loura, tinha esse jeito dela, sim… (Roberto franze os olhos e sorri baixando a cabeça, como se contasse um segredo). Mas ela era mais contida (abre o sorriso e provoca risos em Bruna Lombardi). Mas desde sempre já era uma mulher à frente do seu tempo.

Ainda não havia os selinhos?

Não tinha ainda (risos).

E como vocês se tornaram amigos?

Aos poucos. Ela ia muito me ver nos meus shows, sempre estava lá assistindo.

Depois vieram as declarações dela, a paixão declarada por você…

(Roberto sorri) Uma graça ela, muito querida. Ela era maravilhosa.


Já eram quase 22h30 e Roberto Carlos agradeceu quando o governador Geraldo Alckmim perguntou-lhe, ao lado da primeira dama Lu Alckmim 
se não gostaria de ir ao segundo piso do palácio, onde a família e amigos
próximos serviam-se de alguns aperitivos e descansavam.
Disse que ficaria "mais um pouquinho" no velório da amiga.

Ao se despedir de Tom Cavalcante, num momento de descontração,
convidou-o para um "racha" entre o seu Lomborghini e o Corvette
que presenteou ao humorista em seu aniversário no início do ano.
Também provocou  Ricardo Almeida, comentando que o estilista bem que lhe avisara que, para andar de moto, tinha que ter começado aos 14 anos e não aos 60. Às 22h45, com um semblante triste, o Rei olhou no relógio e,
junto com seus assessores, foi até Hebe, mais uma vez, dar o seu adeus antes de partir

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