(Publicado no site MAIS DE 50 ANOS, em setembro
de 2009)
Na minha primeira viagem ao Canadá, remonta a 1977 e também
dividida em tempo de permanência com os Estados Unidos, encontrei, em Toronto,
vários amigos de infância, desde há muito radicados na Província do Ontário.
Velhos amigos que, nas viagens subseqüentes (para o Canadá foram quatro e para
os Estados Unidos sete), estiveram sempre presentes para que, efetivamente,
nada me faltasse em termos de apoios, sobretudo transportes para me deslocar
aos locais agendados para as reportagens. Inclusive, alguns deles, conhecendo o
meu estilo jornalístico quando saia para o estrangeiro, empenharam-se para que
eu visitasse as suas empresas, nomeadamente fábricas. Ora, fazendo das tripas coração
para aceder a todos os convites que me foram endereçados no sentido apontado,
acabei, numa bela tarde, por visitar uma fábrica de aviões onde trabalhava João
Brasil, antigo relojoeiro na minha terra e que, seguindo as pegadas dos outros
irmãos, emigrou para o Canadá na companhia da esposa e dos dois filhos (um
casal), mocinhos que eu adorava quando estavam juntos com o pai na relojoaria,
situada na principal artéria da cidade de Angra do Heroísmo. Óbvio que fui
encontrar o filho já casado e a filha por lá perto. O tempo correu célere. Na
fábrica de aviões, foi o próprio João Brasil que serviu de cicerone,
apresentando-me aos patrões e chefes de serviço. Uma enorme fábrica, localizada
numa zona limítrofe de Toronto. Adorei todas as explicações, desde a fabricação
das peças até se chegar à montagem do avião, naquele caso um bi-motor. Um dos
patrões, em tom de brincadeira, até me propôs a venda de uma avioneta para eu
utilizar nas minhas reportagens em Portugal. Respondi-lhe, também ironicamente,
que os motoristas do jornal não estavam preparados para dirigir um avião. Foi,
ao cabo, uma tarde bem passada. Quando retornei ao hotel, pedi na recepção uma
caixa de fósforos e, no quarto, tentei “fabricar” um avião com aqueles
pauzinhos. Não consegui. Sabem porquê? Faltaram peças e, sobretudo, mais
imaginação. Uma das asas do suposto aviãozinho ficou maior do que a outra.
Assim não dava para decolar...
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