Músicos de Kid Abelha e Cidade Negra tocam Roberto Carlos 'funkeado'


Kid Abelha

Por Bernardo Araujo - Agência O Globo –  



RIO - Fã de projetos paralelos a seu Kid Abelha, como os Britos e a Midnight Blues Band, o saxofonista George Israel há tempos tinha a ideia, junto com Felipe Cambraia, produtor e baixista da banda de Nando Reis, de tocar Roberto Carlos em ritmo de soul e funk, partindo da fase black do Rei, de fins dos anos 1960.

- Ficamos uns seis anos falando nisso, e nunca saía - lembra George. - Até que dois dos músicos que estavam com a gente brigaram, o projeto quase foi sepultado de vez.
Garrido pensava em Roblack
Quase porque Toni Garrido, outro hiperativo, ao fim da Música Preta Brasileira, empreitada que dividia com Sandra de Sá e Zé Ricardo, teve mais ou menos a mesma ideia.

- Pensei em fazer o Roblack - conta o cantor do Cidade Negra. - Quando fui comentar com amigos, um deles me disse que o George e o Cambra estavam com as mesma ideia. Aí vim falar com eles, e rolou.
Rola nesta quinta, aliás: às 22h, na Miranda, os três e mais uma banda cascuda, com músicos como o tecladista Gê Fonseca - cujo pai, Evaldo, por trompetista do próprio Rei por duas décadas -, o baterista Ronaldinho Silva, sopros e cantoras de apoio, embarcam no Black Carlos. Como o repertório soul do cantor capixaba não é muito extenso, o grupo incluiu músicas que, originalmente, não tinham essa levada.
E foi aí que tudo ficou mais divertido, segundo eles.


Cidade Negra

- Algumas músicas tiveram o ritmo, a harmonia e a melodia bem entortadas - conta Cambraia, que conhece Garrido de outros carnavais, quando os dois tocavam em bandas que ensaiavam em uma mesma casa, A Bruxa e Banda Bel. - Toni está até mandando um hip-hop em "As curvas da estrada de Santos".
George, definido por Garrido como "o nosso irmão hippie, o nosso guru", faz questão de que ninguém fique assustado com a perspectiva de não reconhecer as canções.
- Não brigamos com as músicas - diz ele. - E sabemos que quem vai a um show com o repertório do Roberto Carlos (veja quadro ao lado) quer ouvir e cantar junto. Mas tentamos colocar a nossa assinatura, claro. Desde o início nos comprometemos a não ser uma banda de "levação de som", que fica ali se divertindo e chateando o público. Ainda mais porque todo mundo toca muito bem, se deixássemos descambar para a improvisação, ficaria interminável.
Garrido, o rei da metáfora, tem uma definição para a apropriação das canções.

- É como se os filhos pedissem, com todo o respeito: "Podemos dar uma mexidinha aqui, pai?" - diz ele. - Aliás, esperamos que o Roberto leia o jornal e nos dê sua bênção. Ao contrário do George, eu ainda não participei do especial de fim de ano dele.
Além de "As curvas", o show traz hits como "Eu te amo, eu te amo, eu te amo", "É proibido fumar" e "Todos estão surdos".
- Em algumas músicas nós tentamos pirar mais, no melhor dos sentidos, claro - diz Garrido. - George é a nossa consciência, enquanto o Cambraia e o Ronaldinho formam a dupla Hans e Zinza, sempre disciplinadora, e eu estou aqui para tocar o terror, mesmo.
Agendas sempre cheias

Enquanto se divertem com os clássicos do Rei, os três preparam novos passos em suas carreiras principais: Garrido está prestes a lançar o novo disco de inéditas do Cidade Negra, "Hei, afro"; George prepara o DVD que comemora os 30 anos do Kid Abelha; e Cambraia - que, anteontem, saiu correndo do estúdio de George, onde aconteceu a entrevista, para supervisionar as gravações do disco de estreia da banda Tai, que está produzindo - se reúne com Nando Reis e banda no fim do mês para ensaiar para a turnê do novo disco do ex-titã, gravado este ano em Seattle, nos EUA, com produção de Jack Endino (Nirvana, Soundgarden).
- Queremos estar sempre produzindo, né? - diz o guru George. - E as músicas do Rei são a desculpa perfeita.


13 de set de 2012
Kid Abelha - Lágrimas e Chuva -


Cidade Negra - Acústico MTV - 


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