Humor Robertocarlístico







Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com

Grande (na alma, óbvio) “Zé da Pipa”, como viveste o 7 de setembro, data que assinala a Independência do Brasil?

“Zé da Pipa” – Sabes que detesto estes dias. Sempre foi assim.

Mas é uma data histórica, ou não será assim?

“Zé da Pipa” – Histórica sem dúvida. Mas este ano coincidiu com a propaganda política, visto que temos eleições para as prefeituras no dia 7 de outubro, daí que os candidatos aproveitaram a situação para “vender o seu peixinho”. Era vê-los em grupos enormes, com bandeiras dos respectivos partidos.

E o “peixinho” como era?

“Zé da Pipa” – Sempre o mesmo em relação aos anos anteriores. Promessas e mais promessas, e depois o “Zé povinho”, que normalmente vai no “engodo”, é que se lixa, ou seja, fica decepcionado. São assim os políticos.

E não viste o Rei na Urca?

“Zé da Pipa” – Estava mais um dia de sol esplendoroso e, claro, o Rei optou por ir passear no seu iate.

Levava boas companhias?

“Zé da Pipa” – Olha eu estava à - distância e, infelizmente, não levei o binóculo. Creio que não vou ser crucificado por este esquecimento?

Claro que não. Mas tens que colocar o binóculo em lugar bem visível para quando saires de casa. E já agora que se fala de binóculo, novidades sobre a lagartixa?

“Zé da Pipa” – Segundo o ginecologista de confiança do Rei, o parto será para muito breve, tudo indicando que para o dia 7 de outubro.

Não acredito... Logo na data das eleições? Mas, assim sendo, será um parto histórico.

“Zé da Pipa” – No ano seguinte, e porque cada mês equivale a dois anos de idade, as lagartixas já podem ir votar. No espaço de um ano, atingem a maior idade (os tais 21 anos), como é vulgar dizer-se.

Meu caro “Zé da Pipa”: atenta no teor desta notícia:

CACHOEIRO DO ITAPEMIRIM – Corria o verão de 1950 no distrito de Cobiça, área rural a sete quilômetros da cidade de Cachoeiro do Itapemirim, quando a garota de olhos verdes ouviu no rádio uma voz infantil cantando o bolero Amor y Más Amor, então um sucesso na voz de Fernando Borel. “Ah, eu quero ir ver esse menino!”, conta hoje aquela moça sonhadora. Chamou a irmã, Maria Leonor, se arrumaram e caminharam duas horas pela estrada de terra até a sede da Rádio Cachoeiro, prefixo ZYL-9, para conhecer o novo ídolo. E passaram a repetir esse ritual durante meses, a cada vez que ele cantava.
Foi assim que Gercy Volpato se tornou a primeira fã do cantor Roberto Carlos, que tinha apenas 9 anos na época. Quer dizer: Roberto Carlos comemora 50 anos de carreira, mas ela é fã dele há 59 anos. Ao longo dessa eternidade, ela acompanhou a carreira do seu ídolo com extrema devoção – tão extrema que renunciou aos namorados (“Eles implicavam comigo por causa do Roberto”, diz) e a um eventual casamento apenas para “poder segui-lo”, como diz hoje, aos 78 anos, olhando divertida para os visitantes boquiabertos, recostada na janela de seu centenário casarão de janelas azuis na Fazenda Entre Penha, em Cobiça, no sopé das montanhas arredondadas do Espírito Santo.

“Zé da Pipa” – Deduzo que o amor pelo Rei era mais forte e daí mandar o namorado dar uma volta sem retorno.

Bom... Mas é evidente que o Rei não tem culpa alguma no cartório...

“Zé da Pipa” – A mulher é que ficou arraigada a uma “distinção”, isto é, a primeira fã do Rei. E logo uma garota de olhos verdes...
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