Aos sábados, com o meu livro (6 – conclusão)




 

Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Twitter: jornalistaAlves

Capítulo VI (Conclusão)

Da minha secretária

Scolari e as (suas) duas bandeiras

Logo após o jogo com a Inglaterra, que colocou Portugal nas meias-finais do Euro-2004, Scolari festejou exuberante um triunfo que, em nosso entender, acabou por ser arrancado a ferros, mau grado o facto de Portugal ter desfrutado de soberanas oportunidades de golo para resolver a contenda durante o tempo regulamentar e, inclusive, no prolongamento. Acabámos assim, todos nós, por sofrer até ao fim, na exacta medida em que o recurso à transformação dos pontapés de grandes penalidades constitui sempre uma lotaria. Mas, para gáudio dos portugueses, a taluda caiu para o nosso lado.

E, no final, foi bonito ver-se Luiz Felipe Scolari envolto nas (suas) duas bandeiras que muito tem venerado, ou seja, Brasil e Portugal.

Pelo Brasil, Scolari foi pentacampeão e, por Portugal, Scolari vem desenvolvendo um trabalho notável, agora com os olhos postos no título europeu. Já estamos perto. Mas, até lá, falta ultrapassar a Holanda e, se tal se concretizar, o adversário do jogo Grécia-República Checa. Se Scolari lograr esse desiderato para Portugal, por certo que as duas bandeiras voltarão a percorrer Portugal lés-a-lés.

Afinal, muito se escreveu (nós também) sobre a atitude que Luís Figo tomou quando foi substituído no jogo com a Inglaterra. Afinal, Luís Figo estava nos vestiários agarrado à sua própria crença para que Portugal operasse o tão almejado volte-face. Este o argumento que foi tornado público pelos responsáveis da Federação Portuguesa de Futebol. Quem ficou convencido? Nós, não. E, ontem, na televisão, ouvimos o Dr. Eduardo Barroso, ilustre médico e homem dedicado ao futebol, dizer o mesmo, que não estava convencido e que continuaria a afirmar que a atitude de Luís Figo mereceu as críticas que afloraram na imprensa da especialidade. Mas, como diz o velho ditado popular, o que lá-vai-lá-vai. Que tenhamos, agora, o mesmo Figo de outrora, maduro nas suas atitudes.

Este portugalzinho está engalanado com bandeiras e camisolas da selecção nacional. É um ambiente de grande fé em torno da selecção nacional que, verdade seja dita, tem recebido dos portugueses - e não só - o incondicional apoio, desde a saída de Alcochete, até ao estádio onde Portugal actua. Primeiro, no Dragão (aqui o amargo da derrota ante a Grécia) e, depois, emoções e aplausos entre a Luz e o Alvalade Século XXI. Se, no domingo, Portugal estiver na Luz a disputar a final, cremos que vamos assistir a momentos de verdadeiro clímax. Mas antes, porém, temos que vencer a Holanda, disposta também a carimbar o passaporte para a final deste importante evento. Todavia,  no "país das tulipas" o entusiasmo é menor, o que não quer significar, de modo algum, que os holandeses estão descrentes. Longe disso.

E, aqui, Portugal está de sobreaviso no que concerne ao perigo que a Holanda constitui, tratando-se de uma equipa que joga abertamente ao ataque.

Digamos que o nosso país respira selecção. Todos, em uníssono, acreditam que é possível chegar à final e, também, como é legítimo compreender, vencer este Campeonato da Europa. Um país que, por ora, só pensa na selecção e, curiosamente, até pouco se tem comentado em relação à saída do primeiro-ministro, Dr. José Manuel Durão Barroso, de malas aviadas para o Parlamento Europeu. É que, hoje, o nosso país quer é bola de futebol e está-se borrifando, neste preciso momento, para a "bola política"  - desgraçada "bola" que não acerta na "baliza popular".

Da minha secretária

Três vultos que merecem reconhecimento

Na sequência dos trabalhos que ultimamente temos levado até junto do pio leitor e cuja matéria, em parte, fará parte de um possível best seller, queremos aqui, publicamente, destacar três vultos, dois deles com quem tivemos o privilégio de conviver, investido, obviamente, na  profissão de jornalista. Acresce que um deles já faleceu. E é exactamente pelo Dr. Guilherme de Oliveira que começaremos. Numa altura em que muito se critica o dirigismo, pelo factos que são por demais conhecidos, e que os media fizeram eco -  os jornais com grandes parangonas e os telejornais abrindo as suas edições -, o Dr. Guilherme de Oliveira, uma insigne figura que manteve trinta anos de contínua actividade, é um desses raros paradigmas que Portugal conheceu. Formado em Coimbra, onde se fixou, o Dr. Guilherme de Oliveira sempre revelou aquilatável  (e reconhecido) "ex professo", advogando sempre causas justas, dando mostras de inusitada respeitabilidade.

Tratou-se, pois, de um dirigente de eleição, trilhando sempre por
clarividentes intervenções, assumindo posições dignas de dirigente de elevado gabarito. Hoje, em Coimbra, por exemplo, o Dr. Guilherme de Oliveira é recordado com bastante saudade. Inclusive, a edilidade da cidade, muito recentemente, prestou-lhe, a título póstumo, uma devida e justa homenagem.

Uma coisa é certa: o Dr. Guilherme de Oliveira foi, inquestionavelmente, em Portugal, um dos mais acérrimos defensores do "fair play".

TOM NORTON.  Em todos ou quase todos os pontos do Novo Mundo enxameiam emigrantes portugueses que anseiam - sempre ansiaram - por cimentar, cada vez mais, elos de amizade com os  seus conterrâneos. Tais anseios, tais sentimentos de amor pátrio, vão convertendo-se em realidade por motivo de eventos que são preparados em Portugal e que ali se deslocam com alguma
frequência. São visitas por eles tão apetecidas. Em suma: inolvidáveis acontecimentos para as activas e empreendedoras gentes de Portugal e, aqui, se englobam os emigrantes das paradisíacas ilhas açorianas.

Neste contexto, há um homem intrinsecamente ligado, o representante estadual de Fall River, Tom Norton que, inclusivamente, num jantar de homenagem a jovens oriundos de Portugal, que digressionaram pelo nosso país, convidou os jornalistas lusos que ali se deslocaram. Por Tom Norton, da nossa parte, nutre enorme simpatia e amizade. Ali, ao Café Restaurante Clipper (que,  posteriormente, passou a ser o nosso ponto de encontro) fomos levados pelos jornalistas emigrados Afonso Costa e Herman Melo, este que foi editor do nosso colega americano Herald News, de Fall River. De resto, Tom Norton, estadual muito estimado pela comunidade portuguesa e não só, sempre esteve disponível para os jornalistas lusos que ali foram em trabalho. Uma referência que ficou, um gesto de inequívoco reconhecimento. É que, depois, Tom Norton apareceu nos jornais portugueses. E nenhum de nós (cinco) se esqueceu da colaboração prestada por este representante estadual. Ficámo-lo gratos e hoje aqui o recordamos.

ROBERTO CARNEIRO. Por imperativo da profissão de seu pai, o grande e saudoso maestro At. Carneiro (que, na Base das Lajes, na ilha Terceira, deliciava os americanos com as suas maravilhosas melodias), um belo dia fixou residência no Corpo Santo (o conhecido bairro oriental da cidade de Angra do Heroísmo), o jovem macaísta Roberto Carneiro que, ano após ano, se transformou numa figura destacável do burgo angrense pelo facto de, no liceu de Angra, "rebentar" (como sói dizer-se) com a escala das notas, tal era a sua grande capacidade intelectual e que, nalguns casos, segundo reza a história, chegou a "enrascar" alguns professores.

Curiosamente, este meu amigo de infância, ex-ministro da Educação, nunca se inclinou para a prática desportiva. Muitas vezes, a rapaziada que com ele convivia permanentemente, convidava-o para uma "peladinha", mas raramente ele aceitava, até porque, quando o fazia, colocava-se, quase sempre, em "fora-de-jogo" (dizíamos, na altura, "à mama"). Preferia, isso sim, como bom companheiro que era (nunca mudou a sua maneira de ser o engenheiro Roberto Carneiro), ficar na esquina da rua a espreitar a aproximação de algum "chui" (como ele dizia), pois só assim evitaríamos ficar sem a redondinha de borracha, conseguida a expensas de uma colheita (cerco de cinco escudos por cabeça, hoje dois euros e meio) entre a rapaziada do nosso querido bairro que, numa rua qualquer, fazia o seu campo de jogos. Neste caso, a maltinha estava sempre descansada porque, efectivamente, Roberto Carneiro estava "sempre em jogo", isto é, concretamente, a detectar, no "timing" exacto, a presença de algum agente da autoridade.

Os tempos correram céleres e eis que Roberto Carneiro, investido no seu cargo político, sempre se preocupou com o fenómeno desportivo, designadamente com o de índole escolar, do qual se mostrou acérrimo defensor. Aqui, Roberto Carneiro estava "sempre em jogo", tal como o fazia quando, nos anos cinquenta, nos servia, com toda a segurança, de vigilante na esquina da célebre rua que circundava a sua residência e nos levava à disputa de rijas "peladinhas".

Todos recordamos, com saudade, Roberto Carneiro (tem nove filhos. Uma filha amestrada nos Estados Unidos. Ai se o avô fosse vivo, que orgulho teria em ver a continuidade da sua obra musical), um dos mais distintos alunos (quando não apanhava 20 ficava zangado) que passaram pelo Liceu de Angra do Heroísmo.

E, aqui, enaltecemos o espírito de Roberto Carneiro que, em toda e qualquer circunstância, não esquece os amigos, os companheiros de infância.

A seguir Capítulo VII

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