Aos sábados, com o meu livro (5)





Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Twitter: jornalistaAlves 

CAPÍTULO V

PASSAR POR OUTRAS EXPERIÊNCIAS

Muitos leitores apreciavam as minhas crónicas, mercê dos conhecimentos técnicos que nas mesmas introduzia. De fato, tive o condão de, paralelamente ao jornalismo, seguir outras áreas desportivas que, pelo próprio fato, alargaram a minha visão técnica, analisando e criticando com segurança. Esta uma das minhas vantagens, por exemplo, em relação a outros colegas. A tal diferença que marcava, corolário do juntar a teoria à prática.

Em Angola, comecei por ser árbitro de futebol no distrito do Bié, para além de ser, também, árbitro militar. Dirigi, em dois anos, 189 jogos – militares e federados -, um dos quais me consagrando como árbitro do ano, reportando a 1966 quando, em Silva Porto, apitei o jogo entre a seleção e a Académica de Coimbra (os estudantes venceram por 1-0, golo de Serafim aos 8 minutos), em digressão por aquele país africano. Havia enorme expectativa para se saber quem era o árbitro designado. Só fui informado 24 horas antes perante algum sigilo. Mas era previsível que, tendo sido o árbitro mais regular, a escolha recaísse na minha pessoa, uma espécie de “honra ao mérito”.

De árbitro de futebol, a árbitro de basquetebol e de andebol, o que me agradou plenamente. Em Portugal, após ter regressado de Angola, ainda apitei uma época (67/68), tendo sido escolhido para dirigir um jogo da Taça das Taças (Açores). Mantive-me sempre ligado ao jornalismo, um risco que corri. Tinha plena consciência de que era difícil ser árbitro-jornalista, ser treinador-jornalista. É verdade, como treinador de futebol registo uma carreira bastante positiva, sobretudo no concernente ao trabalho desenvolvido nas camadas jovens. Hoje, tenho orgulho em verificar que, alguns dos meus ex-jogadores, são treinadores de futebol formados no ISEF (Instituto Superior de Educação Física).

Recordo, ainda, o estágio que efetuei no Benfica com o técnico inglês John Mortimore, ladeado pelo professor Rui Silva, com quem mantive uma amizade sincera. Eu que sou do Sporting, estagiei no Benfica, o grande rival. Fui bem recebido no Benfica e, quando o Sporting não pode ganhar campeonatos, prefiro sempre que seja o Benfica a chegar ao cetro de campeão. Não é demagogia da minha parte, mas sim o reconhecimento pela forma em como o Benfica (no departamento de futebol, o falecido Romão Martins, que depois chegaria a presidente da Federação Portuguesa de Futebol), em 1977, me acolheu no seu seio.

Em suma, a minha atividade jornalística beneficiou grandemente com os conhecimentos adquiridos no campo da prática. Muitos diziam que eu tinha semelhanças com o Alfredo Farinha. Nunca me considerei como tal. Era difícil ser-se igual ou mesmo parecido com o Alfredo Farinha. Colegas me qualificaram de paradigma da organização. Prezo-me de ser organizado e ainda uma pessoa que gosta de cumprir escrupulosamente horários.

A seguir Capítulo VI

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