Muitos leitores apreciavam as minhas crónicas, mercê dos
conhecimentos técnicos que nas mesmas introduzia. De fato, tive o condão de,
paralelamente ao jornalismo, seguir outras áreas desportivas que, pelo próprio
fato, alargaram a minha visão técnica, analisando e criticando com segurança.
Esta uma das minhas vantagens, por exemplo, em relação a outros colegas. A tal
diferença que marcava, corolário do juntar a teoria à prática.
Em Angola, comecei por ser árbitro de futebol no distrito do
Bié, para além de ser, também, árbitro militar. Dirigi, em dois anos, 189 jogos
– militares e federados -, um dos quais me consagrando como árbitro do ano,
reportando a 1966 quando, em Silva Porto, apitei o jogo entre a seleção e a
Académica de Coimbra (os estudantes venceram por 1-0, golo de Serafim aos 8
minutos), em digressão por aquele país africano. Havia enorme expectativa para
se saber quem era o árbitro designado. Só fui informado 24 horas antes perante
algum sigilo. Mas era previsível que, tendo sido o árbitro mais regular, a
escolha recaísse na minha pessoa, uma espécie de “honra ao mérito”.
De árbitro de futebol, a árbitro de basquetebol e de
andebol, o que me agradou plenamente. Em Portugal, após ter regressado de
Angola, ainda apitei uma época (67/68), tendo sido escolhido para dirigir um
jogo da Taça das Taças (Açores). Mantive-me sempre ligado ao jornalismo, um
risco que corri. Tinha plena consciência de que era difícil ser
árbitro-jornalista, ser treinador-jornalista. É verdade, como treinador de
futebol registo uma carreira bastante positiva, sobretudo no concernente ao
trabalho desenvolvido nas camadas jovens. Hoje, tenho orgulho em verificar que,
alguns dos meus ex-jogadores, são treinadores de futebol formados no ISEF
(Instituto Superior de Educação Física).
Recordo, ainda, o estágio que efetuei no Benfica com o
técnico inglês John Mortimore, ladeado pelo professor Rui Silva, com quem
mantive uma amizade sincera. Eu que sou do Sporting, estagiei no Benfica, o
grande rival. Fui bem recebido no Benfica e, quando o Sporting não pode ganhar
campeonatos, prefiro sempre que seja o Benfica a chegar ao cetro de campeão.
Não é demagogia da minha parte, mas sim o reconhecimento pela forma em como o
Benfica (no departamento de futebol, o falecido Romão Martins, que depois
chegaria a presidente da Federação Portuguesa de Futebol), em 1977, me acolheu
no seu seio.
Em suma, a minha atividade jornalística beneficiou
grandemente com os conhecimentos adquiridos no campo da prática. Muitos diziam
que eu tinha semelhanças com o Alfredo Farinha. Nunca me considerei como tal.
Era difícil ser-se igual ou mesmo parecido com o Alfredo Farinha. Colegas me
qualificaram de paradigma da organização. Prezo-me de ser organizado e ainda
uma pessoa que gosta de cumprir escrupulosamente horários.
A seguirCapítulo VI
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