‘À Beira do Caminho’

Filme tem cenas rodadas em Americana/SP e Paulínia/SP
Paulínia recebe hoje pré-estreia de filme de Breno Silveira, que teve cenas rodadas na região e chega dia 10 às salas de cinema do País
DANILO REENLSOLBER - PAULÍNIA

As músicas são personagens recorrentes nos filmes de Breno Silveira. Se em 2005, quando o diretor lançou “Dois Filhos de Francisco” - que conta a história da dupla Zezé di Camargo e Luciano -, o sertanejo era o fio condutor da história, agora, sete anos depois da estreia de um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema nacional, são as canções de Roberto Carlos que motivam o road movie “À Beira do Caminho”.

No enredo, João (vivido por João Miguel) sente-se culpado por um acidente que mudou o rumo de sua vida. Por isso, deixa para trás sua família, sua cidade, sua história. O silêncio dessa viagem só é quebrado pelo som de um CD com canções de Roberto Carlos. Tudo muda, no entanto, quando o motorista dá carona ao menino Duda, que sonha em achar em São Paulo o pai, único parente vivo depois da morte de sua mãe.
“O projeto surgiu a partir do argumento da Léa Penteado, que trabalhou durante muito tempo com o Roberto Carlos”, explica Silveira. “Ela havia montado uma história com algumas letras das músicas”.
Num primeiro momento, o diretor não deu muita atenção, mas depois quando leu o material, mudou de ideia. “Vi que tinha uma história que poderia ficar bonita. Era uma história de amor, de perda e de laços humanos, que é o que me interessa contar”.


Essa trama cheia de sentimentos chega aos cinemas brasileiros no dia 10 de agosto, mas os moradores de Paulínia terão uma sessão especial do filme hoje, às 21h. O Theatro Municipal vai receber a pré-estreia de “À Beira do Caminho”, que contou com verba do Edital de Cultura do Polo Cinematográfico da cidade e teve cenas gravadas, além de Paulínia, também em Americana. Os convites podem ser retirados uma hora antes da projeção.
SUPERANDO OBSTÁCULOS
Para levar a história ao cinema, Breno precisou passar por cimas de algumas dificuldades. A primeira, transformar o argumento inicial em um roteiro concreto. Para isso, contou com a roteirista Patrícia Andrade e com a ajuda do próprio protagonista, João Miguel. “Eu, Breno e a Patrícia Andrade dissecamos o roteiro com o objetivo de abrir possibilidades para os personagens. Assistimos a diversos road movies e trouxemos os elementos para dentro da poética do Roberto Carlos, que é um vento que sopra no filme”, afirma Miguel.
Com a história pronta, foi necessário levar as gravações para vários cantos do País. João é um caminhoneiro sem rumo, e por isso, passa por estradas de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. “Já tinha dirigido um caminhão no meu primeiro trabalho no cinema (‘Cinema, Aspirinas e Urubus’, de 2005), mas não durante tanto tempo. O caminhão é um personagem importantíssimo no filme”, reforça Miguel.
CANÇÕES
Com uma primeira edição do filme pronta, o diretor e a equipe de “À Beira do Caminho” apresentaram o filme a Roberto Carlos. “Demorou bastante até a gente conversar com o Roberto, ele assistir ao filme, autorizar as músicas e eu me aproximar dele”, lembra Breno. “Pensar que o filme poderia não ter as músicas dele me gelava a alma”.
Depois de conhecer o projeto, porém, Roberto Carlos permitiu o uso das canções. “Ele tinha liberado uma música. Eu já soltei fogos com apenas uma e aos poucos fui conseguindo as outras até termos quatro músicas. Ele tinha assistido a ‘Dois Filhos de Francisco’, falou que gostava do meu trabalho e disse que ia assistir ‘À Beira do Caminho’ com certeza”.


O longa de Silveira foi o grande vencedor do 16° Cine PE, realizado em maio deste ano. A produção saiu da cerimônia de premiação, no cineteatro Guararapes, em Olinda, com cinco troféus Calunga, incluindo os de melhor filme, ator (Miguel), roteiro (Patrícia Andrade) e do júri popular. Também levou o prêmio Gilberto Freire.

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