ROBERTO CARLOS CANTOU NA MISSA DO 7º DIA DE IVONE KASSU
A missa de sétimo dia da empresária artística e assessora particular
de Roberto Carlos, Ivone Kassu, foi celebrada nesta segunda-feira, 9, na
igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, Zona Sul do Rio. A cerimônia religiosa
foi celebrada pelo Padre Jorjão, amigo de Kassu. O cantor Roberto Carlos, de
quem Ivone foi assessora por quase 40 anos, chegou pelos fundos da igreja
acompanhado por dois seguranças e permaneceu sentado em uma área reservada para
a família.
Durante a missa, Padre Jorjão disse em sua homilia:"Quantas histórias e
quantas recordações. Todos vocês e eu me incluo, temos muitas lembranças boas
da Ivone. Ele era uma mulher grande, digna de ter nascido em Itú. Ela estava
nas missas de braços dados com os amigos, compartilhando das tristezas e
dividindo as alegrias. Fica para nós a força dessa mulher de fé."
Presente também à missa, o cantor Erasmo Carlos lembrou da amizade com Ivone
Kassu: "Além dos serviços profissionais, ela era também minha consultora
política. Sempre esteve presente nos eventos da minha família e trabalhou
comigo durante quatro anos. Foi uma pessoa muito querida," disse
emocionado.
Após comungar, a cantora Elba Ramalho - uma das melhores amigas de Kassu- se
juntou ao coral da igreja e interpretou alguns cânticos litúrgicos da
cerimônia. Ela encerrou a cerimônia com a canção preferida da assessora,
"Jesus Cristo" e "Nossa Senhora", ambas de autoria de
Roberto. Essa última foi acompanhada pelo cantor, que pediu aos amigos:
"Aplausos a Ivone!"
Ivone sofreu uma parada cardíaca que a levou à morte na terça-feira,
3, em seu apartamento na Zona Sul do Rio.
Outros famosos também estiveram presentes na cerimônia que aconteceu em
Ipanema, na Zona Sul do Rio.
COMPLEXO DE ROBERTO CARLOS
Marcia Tiburi
“Eu quero ter um milhão de amigos” é o famoso verso da linda
canção “Eu Quero Apenas”, de Roberto Carlos. Adaptado aos nossos tempos, o
verso representa o anseio que está na base do atual sucesso das redes sociais.
Desde que Orkut, Facebook, MySpace, Twitter, LinkedIn e outros estão entre nós,
precisamos mais do que nunca ficar atentos ao sentido das nossas relações.
Sentido que é alterado pelos meios a partir dos quais são promovidas essas
mesmas relações.
O fato é que as redes brincam com a promessa que estava
contida na música do Rei apenas como metáfora. O que a canção põe em cena é da
ordem do desejo cuja característica é ser oceânico e inespecífico. Desejar é
desejar tudo, é mais que querer, é o querer do querer. Mas quem participa de
uma rede social ultrapassa o limite do desejo e entra na esfera da
potencialidade de uma realização que vem tornar problemática a relação entre
real e imaginário. Se a música enuncia que “eu quero ter um milhão de amigos”,
ela antecipa na ala do desejo o que nas redes sociais é seu cumprimento
fetichista. E o que é o fetichismo senão a realização falsa de uma fantasia por
meio de sua encenação sem que se esteja a fazer ficção? Torna-se urgente
compreender as redes sociais quando uma nova subjetividade define um novo modo de
vida caracterizado pelo que chamaremos aqui de complexo de Roberto Carlos.
Tal complexo se caracteriza pelo desejo de ter um milhão de
amigos no qual não está contido o desejo de ter um amigo verdadeiro, muito
menos único. A impossibilidade de realização desse desejo é até mesmo física.
Não seria sustentável para o frágil corpo humano enfrentar “um milhão” de
contatos reais. Na base do complexo de Roberto Carlos está a necessidade de
sobrevivência que fez com que pessoas tenham se reunido em classes sociais,
famílias, igrejas, partidos, grêmios, clubes e sua forma não regulamentada que
são as “panelas”. Um milhão de amigos, portanto, ou é metáfora de canção ou é
fantasmagoria que só cabe no infinito espaço virtual que cremos operar com a
ponta de nossos dedos como um Deus que cria o mundo do fundo obscuro de sua
solidão. Complexo de Roberto Carlos, de Rei, ou de Deus…
Questão fantasmagórica
A questão é da ordem do imaginário e de sua eficiente colonização. Não haveria
o que criticar nesse desejo de conexão se ele não servisse de trunfo
exploratório sobre as massas. Refiro-me às empresas de comunicação digital que
usam o desejo humano de conexão e comunicação como isca para conquistar
adeptos. Amizade é o nome dessa isca. Mas o que realmente está sendo vendido
nessas redes se a amizade for mais que isso? Certamente não é a promessa de
amizade, mas a amizade como gozo: a ilusão de um desejo realizado. E quando um
desejo se realiza? Apenas quando ele dá lugar à aniquilação daquilo que o
impulsionava.
Logo, o paradoxo a ser enfrentado nas redes sociais é que a
maior quantidade de amigos é equivalente a amizade nenhuma. A amizade é como o
amor, que só se sustenta na promessa de que será possível amar. Por isso,
quando se sonha com o amor, ele sempre é desejo de futuro, no extremo, de uma
eternidade do amor. O mesmo se dá com a amizade. Um amigo só é amigo se for
para sempre. Mas quem é capaz de sustentar uma amizade hoje quando se pode ser
amigo de todos e qualquer um?
De todas as redes sociais, duas delas, Orkut e Facebook,
usam a curiosa terminologia “amigo” para nomear seus participantes. Certamente
o uso da palavra não garante a realidade do fato, antes banaliza o significado
do que poderia ser amizade, como mostra o recente filme A Rede Social (The
Social Network, 2010), dirigido por David Fincher. O filme não é apenas um
retrato de Mark Zuckerberg, o jovem e bilionário criador do Facebook, mas uma
peça que pode nos fazer pensar sobre o sentido que nosso tempo digital dá à amizade.
Mark Zuckerberg, como personagem do filme, é o sujeito
excluído de um clube. Dominado pelo básico desejo humano de “fazer parte”, ele
decide criar seu próprio clube. No filme, ele consegue ter milhares de
“conectados” – na realidade o Facebook hoje conecta 500 milhões de pessoas ou
“amigos” – e perder seu único amigo verdadeiro, Eduardo Saresin. A amizade é a
básica e absoluta forma da relação ética, aprendida como função fraterna no
laboratório familiar e na escola; ela é uma qualidade de relação. Tratá-la como
quantidade é a autodenúncia de seu fetiche e de sua transformação em
mercadoria. O valor do filme está em mostrar a inversão diante da qual não há
mais nenhuma chance de ética: um amigo não vale nada perto de milhões, como uma
moedinha que perde seu valor diante de um cofre cheio. Amigos transformados em
números não são amigos em lugar nenhum, nem na metáfora de Roberto Carlos, que
serve aqui para denunciar criticamente o mundo do qual somos responsáveis junto
com Mark Zuckerberg.
🔎 Quer explorar mais este tema?
Escreva uma palavra relacionada com o assunto e descubra outros artigos.
A missa de sétimo dia da empresária artística e assessora particular de Roberto Carlos, Ivone Kassu, foi celebrada nesta segunda-feira, 9, na igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, Zona Sul do Rio. A cerimônia religiosa foi celebrada pelo Padre Jorjão, amigo de Kassu. O cantor Roberto Carlos, de quem Ivone foi assessora por quase 40 anos, chegou pelos fundos da igreja acompanhado por dois seguranças e permaneceu sentado em uma área reservada para a família.
Durante a missa, Padre Jorjão disse em sua homilia:"Quantas histórias e quantas recordações. Todos vocês e eu me incluo, temos muitas lembranças boas da Ivone. Ele era uma mulher grande, digna de ter nascido em Itú. Ela estava nas missas de braços dados com os amigos, compartilhando das tristezas e dividindo as alegrias. Fica para nós a força dessa mulher de fé."
Presente também à missa, o cantor Erasmo Carlos lembrou da amizade com Ivone Kassu: "Além dos serviços profissionais, ela era também minha consultora política. Sempre esteve presente nos eventos da minha família e trabalhou comigo durante quatro anos. Foi uma pessoa muito querida," disse emocionado.
Após comungar, a cantora Elba Ramalho - uma das melhores amigas de Kassu- se juntou ao coral da igreja e interpretou alguns cânticos litúrgicos da cerimônia. Ela encerrou a cerimônia com a canção preferida da assessora, "Jesus Cristo" e "Nossa Senhora", ambas de autoria de Roberto. Essa última foi acompanhada pelo cantor, que pediu aos amigos: "Aplausos a Ivone!"
Ivone sofreu uma parada cardíaca que a levou à morte na terça-feira, 3, em seu apartamento na Zona Sul do Rio.
Outros famosos também estiveram presentes na cerimônia que aconteceu em Ipanema, na Zona Sul do Rio.
A questão é da ordem do imaginário e de sua eficiente colonização. Não haveria o que criticar nesse desejo de conexão se ele não servisse de trunfo exploratório sobre as massas. Refiro-me às empresas de comunicação digital que usam o desejo humano de conexão e comunicação como isca para conquistar adeptos. Amizade é o nome dessa isca. Mas o que realmente está sendo vendido nessas redes se a amizade for mais que isso? Certamente não é a promessa de amizade, mas a amizade como gozo: a ilusão de um desejo realizado. E quando um desejo se realiza? Apenas quando ele dá lugar à aniquilação daquilo que o impulsionava.
Comentários
Enviar um comentário
🌟Copie um emoji e cole no comentário: Clique aqui para ver os emojis