O Baú do Carlos Alves (51)



Linotipistas que chegaram a jornalistas

Publicado no jornal A União em 2 de dezembro de 2010

Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Twitter – jornalistaAlves 
Quando estava no jornalismo a cem por cento, sempre tive o maior carinho e respeito por todos aqueles que eram conhecidos por linotipistas. Hoje, porém, mudou-se para compositores, isto a partir do momento em que os jornais entraram na era do computador, ou seja, quando se disse definitivamente adeus ao sistema do chumbo, sistema esse que, manda a verdade dizer, trazia muitos problemas aos jornalistas em termos de gralhas. E ainda tenho na memória a tal que envolveu o Bispo Manuel Afonso de Carvalho. Apenas para ficar, entre muitos, este exemplo. Mas, apesar de tudo, sempre tive o maior carinho por todos esses linotipistas, alguns dos quais, transformados em autênticos autodidatas e que, pelo próprio facto, chegaram a jornalistas. É obra, há que convir.

Recuando no tempo, e paradigmaticamente falando, Izilda Rodrigues no Açoriano Oriental, certamente puxada pela mão de Gustavo Manuel Moura, muitos anos director do mais antigo jornal do país e com quem tive o privilégio de trabalhar. E com quem, ainda hoje, mantenho aquela amizade que sempre nos norteou. E fiquei reconhecido a Gustavo Moura quando, em 1991/92, confiou na minha pessoa para liderar um projecto da então empresa Impraçor, depois Açormédia.

Depois, no jornal “A Bola”, o meu querido amigo Manuel António que era linotipista do Diário Popular onde, e voltando a tocar na mesma tecla, A Bola era feita no tempo do chumbo. Na passagem do ano de 1976-77, lá estive com o saudoso MESTRE e grande amigo, Vítor Santos, até às cinco da matina. Foi uma das minhas melhores experiências este contacto com os linotipistas e tipógrafos do Diário Popular, ainda por cima numa transição de ano, assinalada à meia-noite com muita ternura entre todos aqueles que estavam de serviço. E a administração de A BOLA a isso não ficou alheia, com o vinho do Porto, o Bolo Rei e outras iguarias da época festiva. Era ali que estava o Manuel António que, mais tarde, enveredou por jornalista e foi colocado no grupo de “A Bola”, obviamente com o aval do chefe Vítor Santos. Sei que, após as mudanças operadas em A Bola, e com a morte de Vítor Santos, Manuel António foi para a SIC.
Aqui em “A União” quando, em Dezembro de 1985 passei a residir na ilha do Pico, a página desportiva deste então vespertino passou a ser coordenada por Francisco Soares e Elvino Lourenço (uma dedicação à empresa, como já escrevi em artigo anterior) que, na verdade, e como sói dizer-se na gíria popular, levaram a nau a bom porto. Acresce que Francisco Soares  escrevia a preceito e Elvino Lourenço, como muito bem afirmou numa recente entrevista, muito aprendeu com alguns jornalistas que passaram por A União, sobretudo os mais antigos.

Finalmente, e em relação ao presente, aparece Luís Almeida no Diário Insular. Para mim, uma grata e agradável surpresa, apesar de, no tempo em trabalhamos juntos, ter constatado que era um jovem com muita capacidade e que, de facto, reunia condições para ir mais longe. E isso se tem verificado através dos seus escritos, sobretudo no concernente ao basquetebol e futebol.

NOTA FINAL – Com todos estes amigos sempre mantive uma excelente relação, inclusive com o Manuel António que chegou a vir à ilha Terceira fazer uma reportagem para a revista de A BOLA, e sempre estivemos juntos. Acresce que, num domingo, contei com as presenças de José Gabriel Fragoso e o falecido Tenente-Coronel Francisco das Neves Almeida para uma volta à ilha (e Base das Lajes) com este ilustre visitante. E sabem onde acabamos? Na sede do Sport Club Praiense, também bem recebidos, como não podia deixar de ser.
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