(Publicado no jornal A União em 24 de
novembro de 2010)
Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@hotmail.com
Twitter
– jornalistaAlves
Esta é uma história que hoje pode ser
contada sem qualquer espécie de problema, porque, na verdade, é
verídica, apesar de ter acontecido em 1958 na cidade da Horta.
No referido ano de 1958, o Fayal Sport
Club, decano clube desta região (já completou 100 anos de
existência), organizou os Jogos Desportivos Açorianos em várias
modalidades e ao nível de selecções. No futebol, claro está que a
vitória final sorriu à ilha Terceira – André, Airosa e Aníbal
formaram o tal “trio maravilha” -, mas, de resto, nas restantes
modalidades, o Faial vincou a sua hegemonia.
No atletismo, uma selecção
terceirense formada à última hora e com poucos treinos ministrados
pelo professor Nuno Monteiro Paes. Uma selecção em que pontificaram
duas figuras castiças, como sói dizer-se. O falecido José Lopes,
na especialidade do peso, e na qualidade de massagista o nosso
querido amigo Jorge “Bacalhau”. Mas, como figura de proa, e
apenas este, Dionísio Escobar Capaz que, sendo profeta na sua
própria terra, venceu duas provas, aliás, as únicas conseguidas
pela nossa selecção que, em termos de dirigismo, foi comandada pelo
José Braz, irmão do João Alberto Veríssimo. Para nós, valeu,
circunstancialmente, o aspecto de confraternização, para mais que o
evento aconteceu um ano depois da erupção do Vulcão dos
Capelinhos.
Competitivamente falando, tínhamos a
esperança no salto em altura, especialidade confiada a João do
Couto, antigo gerente da Caixa Geral dos Depósitos e irmão do
carismático desportista José do Couto. Muita expectativa e um coro
de espanto quando os altifalantes do Estádio da Alagoa anunciaram
que João do Couto só começava a saltar a partir de 1,50 metros.
Moral de tudo isto: João do Couto não passou daquela marca para
tristeza de toda a comitiva. Uma grande frustração, inclusive para
o próprio João do Couto que, nos dias restantes da permanência na
Horta, passou a ser conhecido pelo “um metro e cinquenta”, ele
que era (e ainda é hoje) um longilíneo. A rapaziada nova foi a que
mais brincou com este inusitado (?) acontecimento. E quando passavam
pelo nosso grupo na rua principal, lá vinha piadinha da ordem: onde
está o “metro e cinquenta”?
Ficamos dormindo no Bensaúde e a
alimentação no restaurante da Sociedade Amor da Pátria. Tudo era
requintado e comíamos a fruta de garfo e faca, não muito usual
naquele tempo. Mas havia que seguir as regras do Amor da Pátria.
Toda a malta se impressionava porque, no prato do Prosa, a fruta
desaparecia rapidamente. Comer a fruta de garfo e faca não era com
ele e, como tal, guardava no bolso e comia quando saíamos do
restaurante. Mas só a partir do segundo dia é que demos por isso.
Mas aqui o Prosa foi inteligente.
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Por: Carlos Alberto Alves
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