Aos sábados, com o meu livro (3)






Por: Carlos Alberto Alves
Twitter: jornalistaAlves

CAPÍTULO III

RÁDIOS E REVISTAS

Fazer rádio, do sonho à realidade. Reconheço, porém, que não tinha uma voz consentânea para dar a cara. Aqui, realmente, comecei por denotar alguma timidez (eu me confesso), apesar de ter recebido alguns (e bons) incentivos. No Rádio Clube de Angra, comecei como editor, urdindo programas qualitativos, apresentados por locutores de “élite”, destacando, nomeadamente, João Ávila, Durvalino Sarmento, Milton Santos e Lucinda Barcelos, uma voz feminina muito querida pelos ouvintes. Com ela, dizia sempre por brincadeira, “era sempre programa de sucesso”.

Mais tarde, aí sim, a minha voz apareceu publicamente ao serviço das rádios Horizonte, Atlântida e TSF-Açores. Não deslumbrei, mas também não desiludi ninguém. Na Horizonte, já dava voz aos meus programas, mas sempre gostei de ter ao meu lado o João Manuel Alves, que se impôs na Antena I (muitos julgavam ser meu irmão). Diziam que esta dupla dos Alves se completava muito bem. Disso também tenho plena consciência. Na Atlântida e na TSF-Açores, apenas marcava presença aos domingos com curtas intervenções, mas, mesmo assim, não deixou de ser importante em termos curriculares.

Por fim, a Rádio Ponte (uma ponte sobre o Atlântico), com sede em Fall River, Estados Unidos, rádio essa lançada por Diogo Pimentel, um homem de boa voz e, também, excelente artista plástico. Aquando das minhas deslocações aos Estados Unidos (falarei delas em outro capítulo), sempre estive presente na Rádio Ponte em debates e programas de índole cultural. De Portugal, entrava às segundas-feiras, o que me dava um enorme prazer, visto que muitos emigrantes ansiavam (sempre ansiaram)  por notícias fresquinhas do seu querido país, da sua querida região. Desta rádio, recebi um diploma pelos bons serviços prestados.

No que concerne às revistas, apenas completou o ciclo profissional. Fi-lo, apenas, por amizade aos directores de então, um deles João Palmeira Bicho. Curiosamente, Palmeira Bicho era um homem da rádio, com muita tarimba trazida de Angola. Devo sublinhar que, em Angola, a rádio era o meio de comunicação social que estava na vanguarda. Muitos dos bons profissionais, após o processo de independência, rumaram para Portugal, sendo recebidos de braços abertos pelas rádios de maior envergadura que, deste modo, enriqueceram o seu leque de locutores e produtores de programas. Manda a verdade dizer que nomes sonantes da rádio angolana estão hoje em Portugal. Desse núcleo, deixo aqui a minha homenagem póstuma ao saudoso Rui Romano que, depois, acabaria por passar para a Rádio Televisão Portuguesa (RTP1). Já em Angola, de 1965 a 1967, admirava Rui Romano quando sintonizava o Rádio Clube de Angola. Uma voz dócil e amiga, nas manhãs de Luanda. Rui Romano não se apaga da minha memória.

A seguir Capítulo IV

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