Por falta do prometido apoio, no meu computador o livro que
há quatro anos escrevi sobre a minha carreira. Com receio que o mesmo seja
"atacado pelos vírus" (inclusive alguns humanos), vou passar a
publicá-lo no Portal Splish Splash, com o genérico "Aos sábados, o meu
livro". Sempre é uma forma de dar a conhecer o que escrevi, com alguns
episódios também aqui do Brasil. Com a aquiescência do administrador, um gajo
do carago do Porto (Maia), vou iniciar hoje esta publicação, retificada em
função do novo acordo ortográfico.
NOTA DO AUTOR
Tenho orgulho do meu passado desportivo – e não só -, em
função do que realizei ao longo de quarenta anos de ininterrupta atividade.
Fi-lo sempre com dedicação e amor às diversas causas que abracei, procurando,
acima de tudo, enveredar pelo progressismo. Confesso, porém, que a minha maior
realização pessoal incidiu no fenómeno jornalístico, ao fim e ao cabo a
verdadeira e inequívoca paixão. Foi graças ao jornalismo que conheci outros
países, outros “modus vivendi” a que não estava habituado e, concomitantemente,
lograr o fator pesquisa, componente jornalística que sempre gostei, sobretudo
quando apresentava aos leitores as grandes reportagens, salientando aqui,
referencialmente, as várias passagens pelos Estados Unidos e Canadá, onde
enxameiam milhares de portugueses emigrados, concretamente açorianos,
madeirenses e continentais, estes últimos com maior expressão no Estado de New
Jersey, que visitei por três vezes, a mais recente em 2000, por ocasião da
cobertura da famosa maratona de Nova Yorque.
Prezo-me, pois, de ter sido um jornalista reconhecido pelo
meu “savoir faire” e, fundamentalmente, pelo meu estilo de escrever, espelhando
sempre a imagem que o pio leitor se habituou.
Reconheço, ainda, que aprendi com insignes jornalistas,
citando, nomeadamente, no jornal “A Bola”, aqueles que sempre rotulei de
“monstros sagrados”, casos de Vítor Santos e Alfredo Farinha, com quem tive o
privilégio de, nos Açores - Ponta Delgada e Horta -, ter participado em duas
ações de formação para jornalistas locais, promovidos pelo governo açoriano de
então (presidido por João Bosco Mota Amaral), respectivamente, em 1983 e 1984.
Por fim, o meu preito de gratidão a todos aqueles que
acreditaram em mim. Creio que deixei o jornalismo com saída pela porta grande,
o que significa que valeu a pena.
CAPÍTULO I
IMPRENSA REGIONAL E
JORNAIS DE CLUBES
Quando parti para Angola em 1965, já levava na bagagem a
esperança de seguir a carreira jornalística, tendo em linha de conta que, no
ano de 1964, comecei nas lides em representação do jornal “Ecos do Marítimo”,
por via de um desafio que me foi lançado pelo meu bom amigo Edmundo José
Pereira que, mais tarde, após ter emigrado, faleceu em Toronto, Canadá.
Assim, em Angola, não descurei esse entusiasmo para me
transformar em verdadeiro homem do jornalismo, neste caso, o desportivo, mantendo
uma regular colaboração no jornal do Batalhão de Caçadores 471 e, logo de
seguida, a convite do capitão José Cid Torres, enfileirar o naipe de
colaboradores do jornal “O Planalto”, com publicação na cidade de Nova Lisboa,
a capital do distrito do Huambo. Mantive-me nessa situação até regressar a
Portugal (1967). Depois de umas curtas férias, reiniciei, com mais intensidade,
as colaborações em jornais de clubes para, um ano volvido, entrar para o
vespertino “A União”, pela mão de José Daniel Macide. Estava lançado na
imprensa de cariz regional, alternando, em poucos anos, com o “Diário Insular”,
matutino da mesma cidade de Angra do Heroísmo.
Já com tarimba de jornalista credenciado, sou convidado pelo
Açoriano Oriental, o mais antigo jornal de Portugal (terceiro na escala
mundial), para liderar um projeto de jornal da especialidade, bi-semanário. De
novo, aceitei mais este repto, nada fácil, convenhamos, mas lá consegui que o
jornal saísse regularmente. Uma experiência enriquecedora, corroborada com subsequente
convite, desta feita do “Diário Insular”. Um projeto idêntico e que, desde
logo, teve pernas para andar. Hoje, continua a ser o jornal mais lido na região
dos Açores, registando três distinções nas três galas promovidas pelo governo
de Carlos César. É obra!
Comecei, a partir daí, a ser solicitado por outros jornais,
os madeirenses “Diário de Notícias” e “Jornal da Madeira”, Expresso do Centro
(Coimbra), 24 HORAS, Jornal Açores, Stadium (Toronto), Portuguese Times (USA),
As revistas Açoresport, Açores e Açoriano Desportivo, esta última numa
iniciativa de João Palmeira Bicho, atualmente a residir em São Paulo (Brasil).
De tudo isto se infere que fui adquirindo a consentânea
maturidade para me guindar aos patamares superiores, ou seja, jornais de maior
projeção nacional. Esta passagem pela imprensa regional terá sido, ao cabo, um
trampolim.
A seguir: capítulo 2.
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