Aos sábados, com o meu livro (1)




Por: Carlos Alberto Alves
Twitter – jornalistaAlves

Por falta do prometido apoio, no meu computador o livro que há quatro anos escrevi sobre a minha carreira. Com receio que o mesmo seja "atacado pelos vírus" (inclusive alguns humanos), vou passar a publicá-lo no Portal Splish Splash, com o genérico "Aos sábados, o meu livro". Sempre é uma forma de dar a conhecer o que escrevi, com alguns episódios também aqui do Brasil. Com a aquiescência do administrador, um gajo do carago do Porto (Maia), vou iniciar hoje esta publicação, retificada em função do novo acordo ortográfico.

NOTA DO AUTOR

Tenho orgulho do meu passado desportivo – e não só -, em função do que realizei ao longo de quarenta anos de ininterrupta atividade. Fi-lo sempre com dedicação e amor às diversas causas que abracei, procurando, acima de tudo, enveredar pelo progressismo. Confesso, porém, que a minha maior realização pessoal incidiu no fenómeno jornalístico, ao fim e ao cabo a verdadeira e inequívoca paixão. Foi graças ao jornalismo que conheci outros países, outros “modus vivendi” a que não estava habituado e, concomitantemente, lograr o fator pesquisa, componente jornalística que sempre gostei, sobretudo quando apresentava aos leitores as grandes reportagens, salientando aqui, referencialmente, as várias passagens pelos Estados Unidos e Canadá, onde enxameiam milhares de portugueses emigrados, concretamente açorianos, madeirenses e continentais, estes últimos com maior expressão no Estado de New Jersey, que visitei por três vezes, a mais recente em 2000, por ocasião da cobertura da famosa maratona de Nova Yorque.
Prezo-me, pois, de ter sido um jornalista reconhecido pelo meu “savoir faire” e, fundamentalmente, pelo meu estilo de escrever, espelhando sempre a imagem que o pio leitor se habituou.
Reconheço, ainda, que aprendi com insignes jornalistas, citando, nomeadamente, no jornal “A Bola”, aqueles que sempre rotulei de “monstros sagrados”, casos de Vítor Santos e Alfredo Farinha, com quem tive o privilégio de, nos Açores - Ponta Delgada e Horta -, ter participado em duas ações de formação para jornalistas locais, promovidos pelo governo açoriano de então (presidido por João Bosco Mota Amaral), respectivamente, em 1983 e 1984.
Por fim, o meu preito de gratidão a todos aqueles que acreditaram em mim. Creio que deixei o jornalismo com saída pela porta grande, o que significa que valeu a pena.

CAPÍTULO I

IMPRENSA REGIONAL E JORNAIS DE CLUBES

Quando parti para Angola em 1965, já levava na bagagem a esperança de seguir a carreira jornalística, tendo em linha de conta que, no ano de 1964, comecei nas lides em representação do jornal “Ecos do Marítimo”, por via de um desafio que me foi lançado pelo meu bom amigo Edmundo José Pereira que, mais tarde, após ter emigrado, faleceu em Toronto, Canadá.

Assim, em Angola, não descurei esse entusiasmo para me transformar em verdadeiro homem do jornalismo, neste caso, o desportivo, mantendo uma regular colaboração no jornal do Batalhão de Caçadores 471 e, logo de seguida, a convite do capitão José Cid Torres, enfileirar o naipe de colaboradores do jornal “O Planalto”, com publicação na cidade de Nova Lisboa, a capital do distrito do Huambo. Mantive-me nessa situação até regressar a Portugal (1967). Depois de umas curtas férias, reiniciei, com mais intensidade, as colaborações em jornais de clubes para, um ano volvido, entrar para o vespertino “A União”, pela mão de José Daniel Macide. Estava lançado na imprensa de cariz regional, alternando, em poucos anos, com o “Diário Insular”, matutino da mesma cidade de Angra do Heroísmo.

Já com tarimba de jornalista credenciado, sou convidado pelo Açoriano Oriental, o mais antigo jornal de Portugal (terceiro na escala mundial), para liderar um projeto de jornal da especialidade, bi-semanário. De novo, aceitei mais este repto, nada fácil, convenhamos, mas lá consegui que o jornal saísse regularmente. Uma experiência enriquecedora, corroborada com subsequente convite, desta feita do “Diário Insular”. Um projeto idêntico e que, desde logo, teve pernas para andar. Hoje, continua a ser o jornal mais lido na região dos Açores, registando três distinções nas três galas promovidas pelo governo de Carlos César. É obra!

Comecei, a partir daí, a ser solicitado por outros jornais, os madeirenses “Diário de Notícias” e “Jornal da Madeira”, Expresso do Centro (Coimbra), 24 HORAS, Jornal Açores, Stadium (Toronto), Portuguese Times (USA), As revistas Açoresport, Açores e Açoriano Desportivo, esta última numa iniciativa de João Palmeira Bicho, atualmente a residir em São Paulo (Brasil).

De tudo isto se infere que fui adquirindo a consentânea maturidade para me guindar aos patamares superiores, ou seja, jornais de maior projeção nacional. Esta passagem pela imprensa regional terá sido, ao cabo, um trampolim.

A seguir: capítulo 2.
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