Às Quintas-Feiras (6)



Por: Carlos Alberto Alves

Para quem, como eu, esteve presente num Mundial (1982 em Espanha), estes campeonatos são sempre vividos com grande entusiasmo, servindo também de pretexto para confraternizações entre pessoas de vários países que comparecem em massa. É, ao cabo, o preparativo para as emoções que depois serão passadas para dentro das quatro linhas.

Ora, em relação ao Campeonato da Europa que agora terá o seu início, temos que reconhecer que Portugal caiu no chamado “grupo da morte”, tendo por isso que esgrimir com adversários que são potencias mundiais, nomeadamente a Alemanha e a Holanda (esta vice-campeã mundial em 2010). Contudo, há que reconhecer que Portugal, neste contexto de valores, já é, também, um adversário de se lhe tirar o chapéu, servindo de paradigma as últimas presenças em europeus e mundiais. Já não somos, de forma alguma, os “coitadinhos da bola”, situação que começou a ser desvalorizada a partir do nosso honroso terceiro lugar no Mundial de 1966, disputado em Inglaterra e de cuja equipa tive o privilégio de, volvidos 30 anos, estar presente na homenagem que lhe foi prestada em Lisboa pelo Clube Nacional da Imprensa Desportiva (CNID). Portugal é, indubitavelmente, um adversário que alemães, holandeses e dinamarqueses temem, isto em função das características do nosso futebol e, fundamentalmente, pelo denodo que os nossos jogadores colocam em campo.

No que concerne às escolhas do selecionador Paulo Bento, creio que foram as melhores possíveis, sabendo-se que o infortúnio (lesões) bateu à porta de alguns jogadores que, por certo, faziam parte do lote escolhido. Não se deve dramatizar por esse fato. E com estes jogadores, vamos voltar a ter uma enorme esperança em passarmos à fase seguinte sem se recorrer à velha máxima “fé em Deus e pé na bola”. Temos valor para lá chegarmos, se a sorte, também, não nos fizer negaças.
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