Porque Hoje é Domingo






Por: Carlos Alberto Alves

Hoje é dia de Nossa Senhora de Fátima e simultaneamente, por coincidências de datas, o Dia da Mãe no Brasil (em Portugal ocorreu no dia 6), o que acontece sempre no segundo domingo do mês de maio em curso.

Sou, por excelência, um devoto da Virgem Santíssima que, no dia em que apareceu pela segunda vez aos pastorinhos na Cova da Iria, eu nasci. Foi exatamente a 13 de Outubro de 1943. Daí que meus pais entenderam que Nossa Senhora de Fátima iria ser minha madrinha do batismo. Dito e feito. Com o decorrer do tempo, era eu ainda uma criança, sempre me lamentava que não tivesse uma madrinha que me desse presentes, à semelhança do que acontecia com outros amigos meus. Pensava sempre que meus pais tinham errado na escolha. Coisas de criança. Com o decorrer da vida, e já na fase de transição para jovem-adulto, senti, de fato, que era um privilegiado ao ter Nossa Senhora de Fátima como madrinha do batismo. Mais: das várias vezes que me desloquei ao Santuário de Fátima senti esse enorme sentimento de fé e de lá saia completamente arrasado. Outra particularidade: quando minha filha (hoje com 31 anos de idade e a viver em Lisboa) estava na fase de gestação a dada altura deixou de se mexer dentro do ventre da mãe. Desde logo pensamos que a menina (ainda não sabíamos se era masculino ou feminino) tinha morrido por asfixia ou outro motivo qualquer. Orei a Nossa Senhora de Fátima e, volvidos alguns dias, ela voltou a dar sinal de si, daí irmos ao Santuário pagar a promessa que havíamos feito, isto aconteceu quando a menina já tinha dois anos de idade. Foi outro momento de grande comoção porque passei. Só sei que as muitas pessoas que lá estavam com o mesmo objetivo de pagar promessa se concentraram na minha pessoa, algumas delas me confortando porque, efetivamente, o choro foi de uma imensidão quiçá pouco usual num homem. Mas sempre digo que não é feio um homem chorar, mormente em situações de aflição, de desespero, que nos levam a recorrer à Virgem Maria, solicitando a sua misericórdia, a sua sagrada ajuda.

Em 1997, no mês de julho, acompanhei o Sport Club Lusitânia que disputava a final do Campeonato Nacional de Futebol da Terceira Divisão, jogo que foi marcado para a Figueira da Foz. O Lusitânia, que partiu uma semana antes, fez de Fátima o seu quartel-general. Para mim, uma coincidência bastante agradável. E como o hotel escolhido ficava bem pertinho do Santuário, todas as noites marcava a minha presença junto de muitos fieis, incluindo estrangeiros, nomeadamente italianos e espanhóis.

Hoje é Dia de Nossa Senhora de Fátima. Obrigado minha madrinha pela força espiritual que me tens transmitido para eu continuar nesta minha encruzilhada.

Hoje, e ao invés do que sucedia quando eu era criança, digo que foi a melhor madrinha que meus pais escolheram. Amém! 
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