Como é sabido, os transportes nos Açores, em tempos remotos, constituíam uma enorme dor de cabeça para quem queria sair da região que não dispunha de meios para a utilização de aeronaves, exceto as Lajes que, mesmo assim, não servia a comunidade em relação à utilização de aviões comerciais vindos do exterior. Apenas a SATA operava para a Terceira, São Miguel e Santa Maria. Hoje, naturalmente, isso já não acontece uma vez que todas as ilhas açorianas já dispõem de aeroportos. Ainda no que concerne às Lajes, só depois é que a TAP começou a operar, com os passageiros a utilizarem a então chamada aerogare militar.
Os navios eram, pois, os meios de transporte mais utilizados. De e para Lisboa, o Carvalho Araújo e o Lima, pertencentes à Empresa Insulana de Navegação (EIN), seguindo-se para inter-ilhas os pequenos navios Cedros e Arnel, este último registando um naufrágio na ilha de Santa Maria com muitos passageiros a bordo. Acresce que o Carvalho Araújo (na foto que reproduzimos) e o Lima depois foram substituídos pelo Funchal e Angra do Heroísmo. Hoje já não existe, em termos de passageiros, este meio de transporte, a não ser, no verão, dois catamarãs que fazem serviço inter-ilhas, servindo quem entra de férias e com possibilidades de transportarem os seus próprios veículos. Hoje, o transporte de avião já está ao alcance da maioria das bolsas, muito embora nesse sentido se verifiquem reclamações no que diz respeito aos preços cobrados pelas respectivas empresas de aviação.
Foi no Carvalho Araújo que Amália Rodrigues na primeira vez que se deslocou aos Açores, concretamente à ilha Terceira, onde foi recebida principescamente. E outra coisa não era de esperar, tratando-se da Diva do Fado.
Falando ainda no Carvalho Araújo (que tal como o Lima devia estar num museu para ser sempre lembrado pelos grandiosos serviços prestados), foi neste navio que fiz a primeira viagem para Lisboa aquando da minha mobilização para Angola. Os navios Carvalho Araújo e Lima, quando saiam da Terceira, faziam escala por São Miguel e Madeira, levando normalmente seis dias de viagem. Nesta viagem tive a companhia de uma família micaelense que se deslocou à capital por motivos de doença. Mas, como um azar nunca vem só, a filha mais velha, já em solo lisboeta, foi atropelada por um autocarro (ônibus aqui no Brasil), tendo sido hospitalizada com múltiplas lesões, a mais grave na bacia.
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