(Publicado na Terça-Feira, dia 25 de Maio de 2010, por Carlos Alberto Alves)
Recebi um agradável e surpreendente email. Agradável pela pessoa em questão. Surpreendente porque, há seis anos a esta parte, e paradoxal que possa parecer, desconhecia o seu paradeiro. O último era sustentado em Immenstadt, cidade do Sul da Baviera, com 16 mil habitantes – talvez o número tenha subido. É possível que, neste espaço de tempo, tenham nascido por ali mais alguns alemãezinhos.
Afinal, a minha presença em A União, despertou esse amigo. Leu o que escrevi e, de imediato, encetou o contacto pela via apontada, começando por perguntar; “que é feito de si?”. Desconhecia (?) que eu estava no Brasil e eu, por outro lado, idem, que o dito cujo amigo passou um ano pela Finlândia e cinco pelo Japão, tendo agora regressado a Munique. Só não especificou se tinha voltado para Immenstadt, aquela cidade que bem conheci e que muitos dos seus cidadãos me acolheram de braços abertos nos dois anos consecutivos em que lá estive. Jornalisticamente falando, fiz por isso, porque, modéstia à-parte, sempre trilhei o caminho de trabalhar muito e bem. Por isso, me orgulho das grandes reportagens que efectuei fora de portas, concretamente nos Estados Unidos (8 vezes), Canadá (5) e Alemanha (2).
Já se falou de muitos terceirenses que brilharam fora da sua terra. Grandes vultos, servindo de paradigma, e apenas para citar este, Vitorino Nemésio. Claro que, ao nível, dos Açores, existiram outros, citando Natália Correia, por exemplo.
Mas, de valores inquestionáveis, existem muito mais, óbvio no rol dos vivos. Talvez se fale muito pouco dessas figuras de que, como conterrâneos, nos orgulhamos pelos seus trabalhos desenvolvidos em respectivas áreas. E é por aqui que pretendo realçar a figura de Carlos Ávila Borba, que foi grande atleta, nomeadamente no basquetebol e no atletismo. Depois rumou para os Estados Unidos onde se formou e, de seguida, tentou a sua sorte na Alemanha, sorte essa toda virada para o sucesso, conforme constatamos “in-loco”. Não só eu. Outros testemunharam, em Immenstadt, o valor e a popularidade de Carlos Borba naquela pequena cidade. Para além da minha pessoa, Jorge Monjardino, Paulo Massinga, João Valadão e José Brasil. Mas há, também, neste aspecto, um ror de atletas portugueses e estrangeiros que participaram nas várias edições da festa do atletismo em Immenstadt. Em uníssono, todos elogiaram o afã de Carlos Borba. E a grande Rosa Mota, com quem lá estive na segunda deslocação, teceu rasgados elogios à organização de Carlos Borba. Um testemunho de grande valia, tratando-se de uma das maiores figuras do desporto português e mundial.
Com mais estas passagens pela Finlândia e Japão, Carlos Borba, que nunca esqueceu a terra onde foi nado e criado, deixou a performance do seu inquestionável valor e, por certo, ostentou a “bandeira dos Açores” como referência.
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