O Baú do Carlos Alves (8)



A minha solidariedade




Por: Carlos Alberto Alves



Face ao que se passou em torno do técnico Ricardo Gomes, muito se tem falado de solidariedade, que no meu conceito não é, de forma alguma, uma palavra vã. Esse espírito continua a existir. E é por isso que hoje recordo aqui o texto que escrevi em 2004 sobre o desaparecimento de dois jogadores do Benfica. Dois jovens que a morte ceifou.




Reza assim a crónica:

Sempre mantive, ao longo de todo este tempo, uma enorme simpatia pelo Sport Lisboa e Benfica, corolário do inolvidável tempo que passei em estágio no "grémio da Luz", que reporta a 1977, quando acompanhei o técnico inglês John Mortimore e, também, o meu particular amigo professor Rui Silva, seu preparador físico.

Nunca escondi a minha facção clubista, o Sporting Clube de Portugal, mas, jornalisticamente falando (o que aqui mais me interessa), sempre trilhei o caminho da isenção e, fundamentalmente, apoiar dentro dessa própria filosofia.

Hoje, o Sport Lisboa e Benfica, apesar da euforia vivida no domingo com a conquista da Taça de Portugal no esgrimir com um Futebol Clube do Porto, ultimamente "papa competições", vive um momento de profunda tristeza com a morte de dois dos seus atletas no espaço de dois meses. Primeiro, o húngaro Feeher que caiu fulminado no jogo que o Benfica disputava em Guimarães, e, agora, atacado por embolia cerebral, o jovem promissor Rui Baião, capitão da equipa do escalão de juniores A. Um jovem que, na realidade, muito tinha para dar e que era apontado como uma das maiores promessas do futebol português, tendo revelado enormes capacidades técnicas. E, tristemente, quando se preparava para assinar aquele que seria, por certo, o contrato da sua carreira, Rui Baião é vitimado por essa embolia que, há dois anos atrás, também o havia ameaçado. Só que, desta feita, ceifou a vida de um jovem que, para além de futebolista de reconhecidas potencialidades, era muito estimado no seio das camadas jovens do prestigioso e mítico Sport Lisboa e Benfica, ainda hoje, e não obstante os insucessos verificados nos últimos dois lustros, considerado o maior clube português, o clube que abarca um impressionante número de prosélitos, espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Do Benfica, reafirmo, guardo as melhores recordações, sobretudo dos seus mais carismáticos dirigentes da altura, alguns deles já falecidos. Pelo Benfica, tenho o maior respeito e estima e, como tal, não podia ficar alheio a este movimento de solidariedade em torno do clube, pelo falecimento do jovem Rui Baião.

E quero aqui imbuir-me, neste momento de dor, naquela máxima que sempre caracterizou o maior clube português. ET PLURIBUS UNUM.

Força, Benfica. Todos choramos, no espaço de dois meses, o desaparecimento de dois atletas na flor da idade, respectivamente, com 25 (Feeher) e 18 anos (Rui Baião), dois atletas que tinham ainda muito para dar ao futebol português.
Enviar um comentário

Comentários