Discursos ou sorrisos?



Por: Carlos Alberto Alves
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O perfil, o discurso ou o sorriso? Quais destas três características pode render mais votos? Ninguém sabe ao certo, mas qualquer uma delas terá o seu peso na escolha de candidatos pelos partidos na ânsia de obter bons resultados eleitorais.

 
 O sorriso dos portugueses Durão Barroso (ex-Prim. Ministro (2002/2004) e actual Presidente da Comissão Europeia, Cavaco Silva (Presid. da República), ex-Prim. Ministro (2005/2011) e Pedro Passos Coleho, actual Prim. Ministro.

 
O processo de escolha dos candidatos políticos deve ser algo de extremamente elaborado, perceptível só a meia dúzia de iluminados.

A porta de entrada dos partidos há muito que deixou de privilegiar jotinhas mestres na colagem de cartazes.

Um dos slogans partidários mais em voga consiste em atrair o interesse e participação de membros da sociedade civil (seja lá o que isso for.

Quem se destaca em determinada área (nem que seja por fazer muito barulho) geralmente é convidado para entrar no fascinante mundo das lides partidárias.
Os aparelhistas barafustam, por vezes, com as benesses concedidas a gente que gosta de manter aparência de independente, mas, quando chega a altura de avançar com nomes para cada ato eleitoral, todos vão à luta por um lugarzinho ao sol.

As listas, sempre dentro dos prazos estipulados por lei, são dadas a conhecer publicamente e o mistério dos critérios de escolha dos candidatos é desvendado por um argumento que até era capaz de convencer um morto que ainda não chegou a cadáver: “as bases do partido é que decidiram”.

O cidadão comum (seja lá o que isso for fica, deste modo, convencido de que os seus eleitos passam por um aturado processo de triagem antes da conquista do direito de serem submetidos a sufrágio.

Por exemplo, um candidato à câmara não deve ser calvo e evitar usar óculos de sol e meias brancas? Se for uma senhora, em nome da paridade de género, o mais aconselhável é ser gira como a Ana Drago ou ostentar um ar de escritora como a Carolina Salgado?

Para posar na necessária foto do cartaz, é imperativo recorrer aos serviços de especialistas em comportamento ou basta telefonar à prima que já concorreu a Miss nas festas de freguesia?

Cabe ao cabeça-de-lista escolher livremente as pessoas que o (a) acompanha ou será conveniente deixar a tarefa para outra cabecinha pensadora?

Os candidatos terão forçosamente de saber contar anedotas ou apenas basta movimentar a boca tendo em atenção a conjugação mosca/asneira?

Sorriso do "Emplastro", figura típica de Portugal e de fama mundial, com destaque na BBC. 
Ele está onde menos se espera!


Enfim, são questões basilares ao normal funcionamento da democracia que merecem uma aprofundada reflexão por parte de toda a massa crítica que se dedica aos meandros políticos sempre na perspectiva de um desenvolvimento harmónico e num quadro motivacional conducente ao bem estar e ampliação da população – seja lá o que isso for.

NOTA FINAL – Tudo o que conheço atualmente da política portuguesa, tenho acompanhado aqui no Brasil através da leitura e, também, escutando as principais rádios , nomeadamente a Antena 1 e, sempre que existe essa possibilidade on-line, a Rádio Televisão Portuguesa. Daí que possa estar atualizado. Contudo, confesso, tenho saudades dos sorrisos cínicos de alguns políticos da praça portuguesa, servindo de paradigma o Dr. José Manuel Durão Barroso e o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Dois sorrisos semelhantes e que por sinal se apresentam com a bandeira do mesmo partido. Quando os via, sempre dizia, mesmo em surdina, “a mim não me enganas tu”. O pior, dos piores, é que apareceram outros com diferentes sorrisos e que colocaram Portugal no estado em que se encontra. Ai “meninos”, com que sorriso saíram desta? Agora, vem o Passos Coelho que já deixou um cartão de visita nada agradável: o corte (50 por cento) no subsídio de natal. Será apenas este? Ou será mesmo o princípio do fim?

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