ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

22 de março de 2011

Morreu um grande homem, um grande profissional da comunicação





Por: Carlos Alberto Alves
Portal Splish Splash


Depois de 48 horas sem internet – as mudanças têm destas coisas -, voltei no finalzinho desta tarde de terça-feira, dia 22, encontrando no facebook o “patrãozinho” do Splish Splash que, entre outras notícias alegres, passou-me uma de enorme tristeza ao comunicar que havia falecido Artur Agostinho. Nem eu havia ainda passado os olhos pelos jornais desportivos de Portugal, um deles o Record onde Artur Agostinho foi, durante muitos anos, seu distinto director, numa fase em que se diga, em abono da verdade, que não era nada fácil dirigir aquele jornal, isto porque A Bola sempre se impunha no mercado e, para além disso, também havia o Mundo Desportivo, quiçá da mesma igualha do Record.


Desde garoto que acompanhei as transmissões desportivas da antiga Emissora Nacional, casa por onde Artur Agostinho passou muitos anos da sua invejável carreira. Entre nós, rapaziada nova, havia sempre aquela discussão: quem era o melhor? Artur Agostinho ou Amadeu José de Freitas? Depois, mais tarde, juntou-se o Carlos Cruz, também ele com uma excelente voz e uma forma de relatar que passava a imagem clara do jogo, à semelhança dos dois mencionado catedráticos.

Artur Agostinho esteve em todas as frentes internacionais, sobretudo na campanha do Benfica em que o clube chegou a bi-campeão europeu, com a selecção nacional em Inglaterra quando, pela primeira vez no historial do nosso futebol conseguimos um honroso terceiro lugar, depois de termos vencido coreanos por 5-3 e o Brasil por 3-1.

Muita narração de Artur Agostinho ao longo de tantos anos de dedicação e um soberbo profissionalismo que serviu de paradigma para gerações vindouras. Para além disso, um extraordinário companheiro, um homem probo de quem nunca se viu uma pontinha de vaidade.

Quando o CNID (Clube Nacional da Imprensa Desportiva) comemorou os seus 33 anos de existência, simultaneamente a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo assinalou as suas “Bodas Diamante”. Em Angra do Heroísmo, numa colaboração entre a Direcção Regional do Desporto e o CNID, começaram as celebrações do aniversário deste conhecido clube, estando presentes os Veteranos de Portugal que defrontaram uma selecção da ilha Terceira, também de jogadores que já não estavam no activo.

No Teatro Angrense, um excelente colóquio com Artur Agostinho, o meu companheiro Aurélio Márcio (falecido recentemente), Manuel da Luz Afonso (seleccionador da campanha brilhante de 1966, também falecido), o meu amigo Dr. David Sequerra e outros colegas da comunicação social com sede em Lisboa.

No dia seguinte, foi a vez dos jornalistas nascidos nos Açores, apresentarem os seus trabalhos, como convidados do CNID. Lá estive eu e outros dois companheiros. No final, no auditório do Rádio Clube de Angra, veio-me dar um abraço de felicitações pelo tema que escolhi.

Finalmente, uma semana depois, logo após a final da Taça de Portugal entre o Benfica e o Sporting (o tal jogo do foguetinho que ceifou a vida a um adepto sportinguista), teve lugar, no Teatro da Trindade, em Lisboa, o encerramento das festividades que englobaram o programa dos 33 anos de existência do CNID. Ali foram distribuídas medalhas aos jogadores, técnicos, dirigentes, médicos, massagistas e jornalistas que participaram na campnha de Portugal no Mundial de 1966. Lá esteve, óbvio, Artur Agostinho. E lá fomos nós, no encerramento, com a permissão do presidente da direcção do CNID, nosso amigo e companheiro Rodrigo Pinto (que histórias temos nós dois na ilha da Madeira. Um dia conto), dar um forte abraço em Artur Agostinho.

Valeu, Artur, tudo o que fizeste em prol da comunicação social portuguesa. Tu, Vítor Santos, Alfredo Farinha e mais alguns (não muitos), serão sempre recordados pelos companheiros que ainda estão no rol dos vivos. Como sempre digo, quando para lá partirmos, vamos estar junto no “outro lado da vida” e contarmos as nossas próprias histórias de muitos anos de carreira.

Que Deus te acompanhe amigo Artur Agostinho.

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2 comentários:

  1. Eu não queria comentar sobre mais este escrito do Carlos Alberto para não me tornar repetitivo, mas quem como eu o tivesse encontrado ontem por acaso no Facebook e lhe tivesse dito: “O nosso Artur Agostinho, faleceu hoje, pá!” E ele em resposta dissesse: “O meu amigo Artur? Não sabia, senão teria escrito algo em sua memória. Hoje não vai dar porque aí em Portugal não tarde e é meia-noite, mas amanhã vais ter aí um artigo meu pro nosso Splish Splash”.

    Mas, se passados 10 minutos, quem estivesse no meu lugar e fosse à sua caixa de correio de e-mail e visse lá uma mensagem do Carlos Alberto, dizendo: “Mais rápido não podia ser”, ao mesmo tempo que anexava o seu artigo de 1 página A4 sobre o Artur Agostinho, certamente lhe responderia de imediato o que eu respondi: “Carago! Nem estou em mim!!! eheheheh IMPRESSIONANTE!!!”.

    E se fui tão breve na resposta foi pura e simplesmente porque com ele já nem sei que mais adjectivos empregar e por isso não digo mais nada, deixando à vossa consideração.

    Grande Carlos Alberto!

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  2. Olà amigo Carlos Aberto!sem duvida nehuma Portugal perdeu um grande Senhor da comunicaçao.Realemente a voz de Atur Agostinho ficou-me gravada desde puto e era uma foz que eu nunca me cancei de ouvir.E como disse a Catarina Fortado é um exemplo que todas as pessoas da comuniçao deveriam guardar.Abraços

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