Maju Coutinho aos 48 anos: o que saber sobre gravidez tardia

Maju Coutinho, aos 48 anos, anuncia gravidez. Especialistas explicam as chances, os riscos e as possibilidades da gestação tardia.

Ilustração sobre gravidez tardia de Maju Coutinho aos 48 anos

Especialistas explicam as chances e os principais riscos da gravidez após os 40

Aos 48 anos, Maju Coutinho anuncia uma gravidez que chama atenção para a maternidade tardia

São Paulo – agosto 2026 - Em publicação no Instagram, a jornalista Maju Coutinho, de 48 anos, revelou que está esperando seu primeiro filho com o artista plástico Agostinho Paulo Moura, de 61 anos. “Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular”, escreveu Maju. A notícia surpreendeu alguns internautas, afinal, é de conhecimento geral que um dos fatores de maior impacto nas chances de gravidez espontânea é a idade da mulher, já que ela nasce com uma quantidade pré-determinada de óvulos, que sofre uma diminuição considerável também na qualidade com o passar dos anos.  "Principalmente a partir dos 35 anos, a chance de gravidez espontânea cai significativamente. Aos 40 anos, considerando uma mulher sem nenhum outro fator de infertilidade e um parceiro que também não apresente nenhum problema, a chance de gravidez espontânea a cada ciclo, ou seja, a cada tentativa, é de 5% a 10%, no máximo. Isso aos 40 anos. Daí para frente, as chances são ainda menores. As mulheres engravidam aos 40 anos ou mais, mas é uma situação de exceção", explica o ginecologista Dr. Igor Padovesi*, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e idealizador do ‘Expert em Menopausa’, maior plataforma de educação médica em menopausa do Brasil. “As mulheres hoje priorizam o sucesso profissional, a carreira, a estabilidade financeira e só depois a maternidade. Antes era o contrário”, afirma a ginecologista Ana Paula Fabricio*, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO).

Segundo o Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, com a idade, além da redução do número, os óvulos também sofrem com uma diminuição na qualidade, o que torna as mulheres menos propensas a engravidar e com maior risco de abortos espontâneos. “Uma mudança importante na qualidade do óvulo é a frequência de anormalidades genéticas chamadas aneuploidia (muitos ou poucos cromossomos no óvulo). Na fertilização, um óvulo normal deve ter 23 cromossomos, de modo que, quando fertilizado por um espermatozoide também com 23 cromossomos, o embrião resultante terá o total de 46 cromossomos. Mas, à medida que uma mulher envelhece, mais de seus óvulos têm poucos ou muitos cromossomos. Isso significa que, se ocorrer a fertilização, o embrião também terá muitos ou poucos cromossomos. A maioria das pessoas está familiarizada com a Síndrome de Down, uma condição que ocorre quando o embrião tem um cromossomo extra. E a maioria dos embriões com muitos ou poucos cromossomos não resulta em gravidez ou resulta em aborto espontâneo. Isso ajuda a explicar a menor chance de gravidez e maior chance de aborto em mulheres com mais idade”, esclarece o Dr. Rodrigo. O Dr. Igor Padovesi pontua que, aos 40 anos, a taxa de aborto espontâneo fica entre 30% e 40%. “E a chance de ter um bebê com síndrome de Down aos 40 anos é de aproximadamente 1%, ou seja, cerca de um caso a cada 100 nascimentos. Aos 30 anos, essa chance é de 1 para 1.000 e, aos 20, de 1 para 2.000. Então, 1% ainda pode parecer um número baixo, mas representa um risco cerca de dez vezes maior do que aos 30 anos", acrescenta o ginecologista. 

Claro, isso não quer dizer que uma mulher de mais idade não possa engravidar. Além de existirem exceções à regra, é possível também optar por técnicas de reprodução humana, como a Fertilização In Vitro (FIV). “No procedimento, o óvulo é fecundado com o espermatozoide em laboratório, formando o embrião que, após atingir certo grau de desenvolvimento, é transferido para o útero da mulher”, explica o especialista. Uma das vantagens da FIV está no fato de possibilitar a seleção de embriões saudáveis, sem alterações cromossômicas. “Na FIV, os embriões podem ser avaliados por meio de exames genéticos. Dessa forma, apenas os embriões saudáveis e que não apresentam alterações cromossômicas são selecionados e implantados novamente no útero, o que reduz significativamente o risco de aborto”, diz o Dr. Rodrigo Rosa. Mas vale ressaltar que as taxas de sucesso também são afetadas pelo processo de envelhecimento, já que a idade do óvulo utilizado é que determina a chance de gravidez. “Para se ter uma ideia, a chance de gravidez na FIV com óvulo próprio aos 44 anos é de 5% e aos 45 anos é menor que 1%, Mas aqui também existem exceções à regra, como mulheres com reserva ovariana acima da média ou que congelaram os óvulos anteriormente. Porém, quando esse não é o caso, a solução é o tratamento conhecido como ovorecepção”, acrescenta o especialista em reprodução humana.

De acordo com o Dr. Rodrigo Rosa, a ovorecepção consiste no uso de óvulos doados para a realização da Fertilização In Vitro. Através desse método, as chances de gravidez por meio da Fertilização In Vitro aumentam para cerca de 60% por tentativa mesmo em mulheres que já apresentam uma idade mais avançada, com mais de 40 anos. Uma vez optada pela ovorecepção, a Fertilização In Vitro ocorre como qualquer outra, com os óvulos doados sendo fertilizados em laboratório com os espermatozoides. “No período que procede a fertilização dos óvulos, os embriões vivem em um prato, em um forno aquecido à temperatura corporal. A equipe monitora seu crescimento e desenvolvimento e, eventualmente, escolhe o correto para transferir de volta para o útero. O embrião então é gentilmente transferido de volta ao útero em um processo semelhante ao do teste de Papanicolau. Se você tiver muitos embriões saudáveis neste estágio, eles podem ser congelados para uso posterior”, acrescenta o médico.

Cerca de uma semana e meia a duas semanas depois que o embrião foi transferido, é feito um teste para ver se ele está aderido ao útero. “Um simples exame de sangue, ou mesmo um teste de gravidez caseiro, detectará os níveis de gonadotrofina coriônica humana (HCG), um sinal de que você finalmente está grávida”, diz o Dr. Rodrigo. Com o teste positivo, inicia-se o período final de espera: as 38 semanas até o parto. A partir daqui a gestação segue normalmente como qualquer outra. Mas, é claro, um pequeno número de gestações é interrompido por abortos, sendo fundamental então adotar bons cuidados obstétricos para evitar complicações. "Depois dos 40 anos, é muito importante fazer uma avaliação médica completa antes de uma gestação, controlar o peso, ter uma alimentação saudável, manter um bom estilo de vida, com prática de atividade física, e fazer uma suplementação adequada. Além disso, durante a gestação, é fundamental ter um acompanhamento pré-natal bastante rigoroso e criterioso", explica a ginecologista Dra. Ana Paula. “Na gravidez tardia, também é muito importante monitorar a pressão arterial, porque existe uma chance maior de pré-eclâmpsia. A glicemia também deve ser acompanhada, pois há risco de diabetes gestacional. Por isso, o acompanhamento frequente com um profissional experiente é fundamental", finaliza a Dra. Ana. 

*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa
*DR. IGOR PADOVESI: Médico ginecologista, autor do livro 'Menopausa Sem Medo' (Editora Gente), especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS) e membro da International Menopause Society (IMS). Formado e pós-graduado pela USP, onde foi preceptor da disciplina de Ginecologia, é idealizador do Expert em Menopausa’‘, maior plataforma de educação médica em menopausa do Brasil. Também é especialista em cirurgias ginecológicas minimamente invasivas e criador do Instituto de Cirurgia Íntima, sendo reconhecido internacionalmente por sua liderança nessa área. É membro sênior da European Society of Aesthetic Gynecology (ESAG) e em 2024 conquistou dois prêmios de primeiro lugar em congressos mundiais com sua técnica de ninfoplastia a laser, realizada em consultório. Também é palestrante e mentor de médicos nas áreas de menopausa e cirurgias íntimas. CRMSP 134933 | RQE 40093 | Instagram: @dr.igorpadovesi
*DRA. ANA PAULA FABRICIO: ginecologista, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO). Graduada em Medicina pela Unoeste de Presidente Prudente, com Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Santa Casa de Araçatuba. Possui Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN, Pós-graduação em Medicina Estética e Pós-graduação com Dr. Lair Ribeiro em Prevenção e Tratamento de Doenças Relacionadas com a Idade. CRM 16636 | RQE 7925 | Instagram: @dra.anapaulafabricio
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NOTA DO EDITOR - PORTAL SPLISH SPLASH
As informações apresentadas neste conteúdo têm caráter jornalístico e informativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou orientação de profissionais de saúde. Cada gestação apresenta características e riscos individuais, especialmente em idades mais avançadas.
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